Helio Mattar: “consumidor consciente busca o bem coletivo e a longo prazo”

Presidente do Instituto Akatu discutiu os desafios da mobilização da sociedade para as práticas sustentáveis com a apresentadora de TV Marina Person

O maior desafio da mobilização das pessoas para a construção de uma sociedade com práticas de consumo consciente é encontrar meios de fazer com que cada consumidor perceba que, a longo prazo, seu consumo tem impactos significantes sobre ele mesmo, a sociedade, a economia e o meio ambiente, defendeu Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu. O pronunciamento foi feito na sexta-feira (12/8), em São Paulo, em uma das sessões dos “Encontros Estadão & Cultura”, organizados pelo jornal “O Estado de S. Paulo” em parceria com a Livraria Cultura.

“O Akatu viveu esse problema durante os dez anos de sua existência e, para sair dele, temos apostado na sensibilização por meio de raciocínios mobilizadores baseados em cálculos de impacto a longo prazo, de forma a indicar ao consumidor o poder transformador contido nos atos de consumo. Com isso, pretendemos mobilizar as pessoas e fazer com que elas saibam que qualquer ato de consumo individual praticado hoje, mesmo quando não é possível ver de imediato o seu impacto, vai se manifestar no tempo e vai impactar a todos”, explica Mattar.

Clique aqui para assistir ao vídeo em que o presidente do Akatu explica os benefícios sociais, econômicos e ambientais da redução do consumo de embalagens, do combate ao desperdício e da destinação correta de resíduos.

Na prática, a dificuldade de mobilização dos consumidores para o consumo consciente foi confirmada pelo cotidiano de Marina Person, apresentadora de TV e ex-síndica do prédio onde mora, na região central da capital paulista. Person relatou que, como síndica, conseguiu implementar a coleta seletiva no seu condomínio depois de muito tempo.

“Sempre fui assim [preocupada com as questões de resíduos] e, por isso, busquei informações porque me interesso pelo assunto”, conta a apresentadora, que acredita que, hoje em dia, a informação sobre os problemas do descarte incorreto de resíduos e desperdício de recursos está cada vez mais disponível.

“Quando eu comprei um carro, há 14 anos, eu comecei a levar meu lixo para reciclagem porque dava para transportar. Fazia isso a cada 15 dias mais ou menos e, ao mesmo tempo, cobrava do síndico a implantação da coleta seletiva, mas isso nunca foi feito”, conta. “Quando me tornei síndica, a primeira coisa que eu fiz foi implantar o programa, que hoje tem adesão de todo mundo [o prédio tem dez apartamentos]”, festeja.

“Mas conscientizar as pessoas da necessidade e da importância de fazer esse ato individual pelo benefício do coletivo foi um processo muito duro e um trabalho de formiguinha mesmo, porque as pessoas não ligavam a mínima. Com o tempo, elas começaram a aderir, não acredito que tenha sido por minha causa, acho que elas se informaram e ficou mais fácil porque já havia estrutura para isso.”

Mas, atenção. Consumo consciente não significa apenas o descarte correto de resíduos, ele envolve também outros comportamentos que possibilitam um consumo sustentável, diferente dos padrões adotados hoje que estabelecem um estilo de vida que tem no consumo um fim em si mesmo e não um instrumento de bem-estar.

“Todo consumo tem impactos. É inevitável. Mas o consumidor consciente busca, a partir de suas escolhas de consumo, reforçar os impactos  positivos e diminuir os negativos”, explica Mattar. “Os benefícios, ainda que de ações individuais, sempre são coletivos”.

Clique aqui para saber mais sobre o consumo consciente. Conheça também os 12 Princípios do Consumidor Consciente.

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