Guarda-roupa sustentável dá o tom na nova estação

Trocar e comprar roupas usadas economiza dinheiro e também recursos naturais

O calor está chegando e com ele também a vontade de vestir roupas mais leves, coloridas e com a “cara” de verão. Os lojistas sabem disso e as vitrines já estão cheias de manequins apresentando os modelos da nova estação. Para muitos consumidores e  consumidoras, este é um apelo quase irresistível para ir às compras.

Mas existem outras maneiras de renovar o guarda-roupa sem fazer tanta pressão sobre o bolso e, acima de tudo, sem provocar maior consumo de recursos naturais. Mudar o visual do vestuário promovendo bazares e festas entre amigas para a troca de roupas é a nova fórmula adotada por britânicas e americanas, que assim enfrentam a mudança de estação com muita economia. A moda já conquistou personalidades como a superstar Madonna, segundo a rede inglesa de notícias BBC, e promete desembarcar no Brasil.

Os encontros de troca de roupas, ou clothing swap, como são conhecidos pelas iniciadas inglesas e norte-americanas, são a evolução natural do antigo hábito de assaltar o armário da irmã ou da amiga íntima. Os modelitos encalhados nas gavetas são ofertados às amigas e parentes, que têm a oportunidade de renovar o guarda-roupa em troca de alguma roupa que já não queiram e que estava guardada em seu armário.

A nova mania, que ainda engatinha no Brasil, tornou-se febre em Londres, onde os bazares e festas de troca já são organizados por empresas especializadas. Existe até uma loja instalada em caráter temporário, para incentivar a atitude.

Ao pensar nas finanças é bastante vantajoso investir na troca e aplicar o dinheiro economizado, por exemplo, na caderneta de poupança. No longo prazo, a renda pode ser utilizada para atingir objetivos maiores, como dar entrada na compra de uma casa própria, na educação dos filhos, em viagens ou em um pé-de-meia para o futuro.

Segundo dados do IBGE, a família brasileira gasta, em média, R$ 83,21 por mês com a compra de itens de vestuário. Uma família que conseguisse economizar 25% desse valor (R$ 20,80 ao mês) e aplicasse essa quantia na poupança todos os meses, depois de dez verões, terá acumulado mais de 3.800 reais. Se fizer isso durante vinte anos, o valor vai chegar a praticamente 9.500 reais, dinheiro suficiente para comprar um carro usado. Mas quem for decidido e fizer essa economia sempre, o acumulado entre os 18 e o 70 anos seria de mais de 83 mil reais, ou seja, o preço de um imóvel.

Quem tiver habilidade e disposição para a costura e o design, pode dar um toque pessoal às peças trocadas e mesmo para as suas próprias. Bordados e ajustes dão cara nova às roupas antigas e contribuem para a redução do consumo. “Não costumo garimpar, mas já comprei roupas usadas de forma não programada, totalmente ao acaso. (…) E customizo sempre, mas somente peças de boa qualidade”, afirma Aracy Campos, consultora em ciência da informação.

Embora as vantagens sejam muitas, segundo os sites que reúnem adeptas do movimento, nem todo mundo gosta da idéia de usar uma roupa que já foi de outra pessoa. “Sempre busco promoções de final de estação, com preços mais baixos para usar na próxima estação, por isso nunca pensei em trocar roupas usadas ou comprar em brechó…além do mais, os brechós que lembro de haver entrado sempre me pareceram lugares velhos, com cheiro ruim” , desabafa Beatriz Gromick, representante de vendas.

Apesar de enfrentar alguma resistência, usar roupas de segunda-mão pode ser mesmo uma excelente opção e não apenas para as finanças, mas também para o meio ambiente. Ao comprar, trocar ou reinventar as roupas usadas, você ajuda a combater o aquecimento global. Isso porque a fabricação de qualquer produto consome matéria-prima, água e energia. A extração da matéria-prima, o processo de distribuição da água e a produção de energia emitem gases de efeito estufa. Portanto, todo tipo de consumo, de alguma forma, contribui para o aquecimento da temperatura da Terra. Naturalmente, a fabricação de roupas, sapatos e bolsas não é exceção.

Seguindo o mesmo raciocínio, todas as vezes que se aproveita as roupas o máximo possível, prolongando sua vida útil por meio da troca ou reforma, se está evitando o consumo da matéria prima, energia e água que seriam usados na fabricação de roupas novas, e, assim, faz-se com que a moda sejam “mais sustentável”.

Quem não tem disposição nem criatividade para reformar as roupas e prefere evitar os bazares e festas de troca, pode ainda dar um fim nobre às roupas usadas e que ainda estão em bom estado.  Basta enviar as peças para instituições de caridade que farão com que elas cheguem às mãos de pessoas que realmente necessiram. Durante as festas de troca é exatamente esse o fim dado às roupas que não são trocadas nem vendidas.

E não apenas as roupas podem ser trocadas, o conceito é o mesmo se forem mobílias, acessórios e até produtos de beleza, informa o site “What is mine is yours”, ou “O que é meu é seu”.

E você, já pensou no assunto? Separe as roupas encalhadas na gaveta, ligue para as amigas e faça um teste.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre como americanas e britânicas estão organizando suas clothing swaps, pode acessar:

http://www.whatsmineisyours.com/
http://www.swapstyle.com/
http://www.clothingswap.org/

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