Governo japonês quer funcionários sem gravata no verão

A ideia é reduzir o uso dos aparelhos de ar-condicionado e diminuir a emissão de gases de efeito estufa

Com o aumento da temperatura e da umidade durante o verão, o governo do Japão iniciou uma campanha para incentivar seus funcionários e os das empresas privadas a saírem de casa sem os tradicionais terno e gravata. Além de proporcionar mais conforto aos japoneses, a proposta tem como principal objetivo diminuir o consumo de energia demandado pelos aparelhos de ar-condicionado e, com isso, reduzir a emissão de gases que provocam o aquecimento global. Uma das consequências desse fenômeno é a mudança climática, que já vem afetando diversas regiões do mundo, seja pela intensificação dos ciclones, seja pelas perdas na agricultura.

A campanha, batizada de “Cool Biz”, tem como maior obstáculo a formalidade dos japoneses, em parte resistentes à idéia de adotar um estilo diferente durante o verão. Para superar o desafio e dar o exemplo nas ruas e escritórios, o governo conta com o apoio de políticos e altos executivos que já aderiram à nova moda.

A campanha do governo japonês é mais um indicativo de que pequenas mudanças em hábitos cotidianos podem trazer grandes efeitos a favor da luta contra o aquecimento global. Usar roupas mais frescas no verão para diminuir a utilização de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, como pretende a campanha japonesa, é um exemplo.

A simples redução do tempo de banho também apresenta resultados muito positivos. Se cada um dos membros uma família brasileira de quatro pessoas toma um banho diário demorado, de 20 minutos cada, a emissão de gás carbônico será de 437 quilos ao longo de um ano, correspondente à produção de energia elétrica necessária para o banho. Se essas pessoas conseguissem reduzir o tempo de água corrente para dez minutos, fechando a torneira para se ensaboar, por exemplo, deixariam de emitir, ao longo de um ano, 218 quilos de dióxido de carbono. Pode parecer pouco, mas esse volume de CO2, que seria liberado em um ano, leva mais de 37 anos para ser absorvido no processo de fotossíntese que ocorre no crescimento de uma árvore nativa de grande porte da Mata Atlântica.

Campanha anterior
Esta não é a primeira tentativa do governo japonês de reduzir o consumo de energia por meio de mudança de hábitos nas vestimentas. Em 1994, o então primeiro-ministro Tsutomu Hata criou o “terno para economizar energia”, um paletó com as mangas cortadas na altura dos cotovelos, mas poucas pessoas seguiram o exemplo.

O Japão, apesar de ser um signatário do Protocolo de Kyoto, mantém-se acima  das metas definidas pelo tratado na redução da emissão de gases de efeito estufa. Agora espera que a iniciativa “Cool Biz” contribua para a recuperação do desempenho do País. Nesse caso, só depende dos consumidores.

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