Fundação Cargill debate subnutrição e obesidade no Congresso do GIFE

O consumo de alimentos no Brasil ainda tem muitos impactos negativos sobre as pessoas e sobre a saúde pública

Os impactos negativos da produção e do consumo de alimentos são algumas das preocupações centrais nas discussões entre empresas do setor alimentício e organizações que têm como foco a nutrição. O debate “Subnutrição e Obesidade no Brasil: desafios sociais e corporativos”, promovido pela Fundação Cargill, dentro da programação de atividades paralelas do 7º Congresso do GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), reuniu diversos atores em torno dessa pauta.

“Dados do IBGE da década de 1970, constataram que o Brasil comia bem, mas comia pouco. Hoje a realidade mudou: o brasileiro está comendo mais, mas a qualidade da alimentação caiu”, alertou Anna Peliano, coordenadora de Estudos de Responsabilidade Social do IPEA. De acordo com o levantamento apresentado por Ana Lydia Sawaya, diretora científica do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN) e professora-adjunta de fisiologia da Escola Paulista de Medicina, são muitos os fatores que contribuem para este cenário: problemas de renda; falta de acesso a alimentos de qualidade nutricional e a informações sobre o que é um alimento de qualidade nutricional; baixa prática de atividades físicas e estilo de vida urbano. “Quem diz que a má nutrição está diminuindo no Brasil não considera dados locais. A dificuldade de se acessar alguns locais faz com que os dados não consigam ser colhidos”, completa a pesquisadora reforçando a necessidade de mais estudos no Brasil sobre o tema nas favelas das cidades brasileiras, foco dos problemas de má nutrição do país.

O trabalho do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN) foi uma das experiências relatadas no debate. Gisela Solymos, diretora geral da instituição e vencedora do Prêmio Folha Empreendedor Social 2011, apresentou a metodologia do Centro. Ela propõe que a má nutrição em comunidades carentes de São Paulo seja combatida a partir de atendimento integrado – médico, psicológico e educativo. Uma das frentes do Centro é o tratamento de crianças com problemas de má nutrição em regime de semi-internato e hospital dia, que inclui orientação e conscientização das famílias para o cuidado não apenas das consequências daquele problema de saúde, mas também de suas causas. Além disso, há um trabalho de capacitação profissional que aborda diversos princípios do consumo consciente de alimentos. “Olhamos a alimentação do ponto de vista total. Na nossa metodologia está incluída a formação de nutricionistas para o cuidado com a alimentação, desde a escolha adequada de ingredientes e a preparação de refeições sem desperdícios até o resgate junto com as crianças do gosto e do conhecimento dos alimentos”, disse Solymos. Essa experiência já influenciou políticas públicas no Brasil e em seis países da América, África e Europa.

A Fundação Cargill apresentou um panorama da sua nova atuação na área de alimentação. Segundo a gerente da Fundação, Denise Cantarelli, a mudança de perfil de nutrição no mundo e no Brasil levou a Cargill a escolher como foco de atuação em seus projetos sociais a produção e o consumo consciente de alimentos. No campo, a Fundação estimulará boas práticas em produção sustentável, reduzindo desperdícios e fomentando as economias locais. Já junto aos consumidores, a Fundação pretende estimular o não desperdício e o aproveitamento integral dos alimentos como forma de combate à subnutrição e valorização de estilos de vida saudáveis. Aproveitar partes dos alimentos que muitas vezes jogamos fora pode ser um modo barato e simples de obter nutrientes.

O desperdício de alimentos é em si uma questão relevante e que foi trazida ao debate no encontro. Hoje um terço dos alimentos produzidos no mundo é jogado no lixo. Além disso, a concentração de renda e, consequentemente, de consumo é outro fator contribui para que o cenário se agrave: mais de dois terços da população mundial consome só o mínimo que precisa ou abaixo disso, enquanto apenas 16% da humanidade é responsável por 78% do consumo total no planeta.

Participaram ainda do debate Fátima Menezes, diretora da ONG Ação Fome Zero, e Valéria Militelli, presidente da Fundação Cargill.

Saiba mais sobre o 7º Congresso do GIFE em http://www.congressogife.org.br/2012.

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