Frota de São Paulo fecha março com mais de 7 milhões de veículos

Crescimento da frota anula efeito de obras viárias para melhorar o trânsito;, Secretaria de Transportes cogita escalonamento de horários

A frota de veículos de São Paulo, a maior metrópole do Brasil, fechou o mês de março com a marca de 7.012.795 unidades, número divulgado na segunda-feira (4/5) pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP). Segundo a entidade, compõem a frota da cidade 5.124.568 carros, 889.164 motos, triciclos e quadriciclos, 718.450 micro-ônibus, caminhonetes e utilitários, 158.190 caminhões e 42.367 ônibus.

De acordo com especialistas, o crescente aumento da frota de veículos praticamente anulou o efeito das recentes obras viárias – como a Nova Marginal e o Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas – e das restrições impostas à circulação de caminhões e ônibus para melhorar o trânsito na cidade.

“A Nova Marginal já nasceu praticamente condenada a aglomerar congestionamentos. Podemos dizer que ela respondeu no máximo durante um semestre a demanda para qual foi criada” explica Jaime Waisman, mestre em engenharia de transportes pela Universidade da Califórnia e professor da Escola Politécnica da USP.

Dados da própria Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que os índices de congestionamento em fevereiro deste ano estão praticamente no mesmo nível do registrado em fevereiro de 2010. No pico da manhã, a média de lentidão em fevereiro de 2011 foi de 99 km, 5% a mais do que no ano passado. No pico da tarde, houve queda de 5%. São 100 km em média neste ano, ante 105 km em 2010.

 

 

Alternativa
Para reduzir os congestionamentos, a única saída é investir em transporte público e fazer com que ele seja atrativo o suficiente para que o paulistano deixe o carro em casa e passe a se deslocar de ônibus ou de metrô. “As pessoas que se deslocam de carro, ainda são minoria, mas apenas uma delas, se descolando em um carro, ocupa um espaço sete vezes maior do que ocuparia em um ônibus”, explica o urbanista Nazareno Affonso, coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade (MDT).

No entanto, falta qualidade ao transporte público da cidade. Em pesquisa recente, 52% dos paulistanos aceitariam nem ter carro se os meios públicos fossem de qualidade. Para piorar, cerca de 4.000 pessoas morrem a cada ano na cidade devido a problemas de saúde causados pela emissão de poluentes no ar, derivados da queima de combustíveis, segundo dados do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP.

Automóveis, caminhões e ônibus são responsáveis pela emissão de 90% dos gases poluentes nas cidades. Entretanto, 90% do espaço viário das cidades é usado para transportar apenas 20% das pessoas, segundo dados da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP).

Em janeiro, na apresentação de seu plano de metas para 2011, a Secretaria Municipal de Transportes se propôs a discutir e negociar a revisão dos horários de entrada e saída do trabalho dos paulistanos, “criando um escalonamento que permita um alívio para os horários de pico do transporte coletivo e individual”.

Veja algumas das medidas, que na opinião dos especialistas, deveriam constituir políticas públicas para a viabilização de uma mobilidade mais sustentável nas cidades:

Priorizar o transporte coletivo sobre o individual: investir na expansão das linhas de trem, metrô e ônibus, destinando a estes espaço viário que possa atender os usuários com rapidez e conforto, por meio de definição de corredores, faixas exclusivas e áreas destinadas à integração ao metrô e trem;

– Desestimular o consumo do carro: cobrança de pedágio urbano, principalmente para circulação na região central das cidades. Proibir o estacionamento em vias públicas, inclusive no espaço frontal às residências dos proprietários;

Estimular o consumo de meios não motorizados: construir faixas exclusivas para bicicletas e outros meios não motorizados. Viabilizar calçadas em bom estado para evitar que pedestres sofram acidentes causados pela má conservação dessas vias. Só o Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, recebe diariamente, em média, 30 pedestres que sofreram acidentes em calçadas. O número é mais que o dobro do de motociclistas acidentados que procuram o instituto.

– Garantir autonomia econômica às diversas regiões da cidade: multiplicar e descentralizar as atividades econômicas e espaços de lazer ao longo do perímetro urbano, reduzindo as necessidades de longos deslocamentos de casa para o trabalho, ou de casa para a escola.

– Destacar transporte e trânsito como elementos da questão ambiental: incorporar novas abordagens para orientar as intervenções no ambiente urbano, considerando os conceitos de ambiência e qualidade do espaço, poluição sonora, qualidade do ar, permeabilidade do solo e densidade da cobertura vegetal.

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