Espécies teriam que evoluir dez mil vezes mais rápido para se adaptar

Estudo sugere, com aumento da temperatura global, adaptação às novas condições climáticas pode não ser possível para muitas espécies

Comentário Akatu: Eventos climáticos extremos, como inundações, secas e variações térmicas abruptas, têm se tornado mais frequentes e prolongados, o que evidencia a relação de interdependência ao longo da história entre a ação humana e o impacto sobre os ecossistemas e o comportamento climático. E, como evidencia o estudo abaixo, tais impactos podem prejudicar gravemente todas as formas de vida no planeta. A velocidade com que as mudanças estão ocorrendo é um obstáculo para que as espécies evoluam naturalmente e se adaptem às novas condições climáticas. Por meio de alterações em suas práticas cotidianas, os consumidores podem colaborar e ser parte da solução desse problema. Percebendo-se como cidadãos, podem pressionar as empresas para produzirem de forma mais limpa. Este novo comportamento e esta nova consciência são primordiais para reduzir o aquecimento global e suas consequências ruins ao clima do planeta.

As mudanças climáticas estão ocorrendo rápido demais para que muitos vertebrados possam se adaptar, segundo um novo estudo publicado no periódico Ecology Letters. O levantamento (clique aqui para ler o original em inglês) concluiu que as espécies teriam que evoluir 10 mil vezes mais rápido do que fizeram até hoje para acompanhar as mudanças climáticas, taxa que os autores do estudo afirmam ser “sem precedentes”.

Os pesquisadores analisaram a evolução de 17 famílias dos maiores grupos de vertebrados terrestres, incluindo sapos, salamandras, lagartos, cobras, crocodilos, pássaros e mamíferos. Em sua análise, compararam os dados climáticos de quando houve a diferenciação em novas espécies no passado com as mudanças climáticas previstas para ocorrer até 2100.

“Concluímos que, na média, as espécies normalmente se adaptam a condições climáticas diferentes a uma taxa de cerca de 1 grau Celsius por milhão de anos”, detalhou o pesquisador John J. Wiens, professor de ecologia e biologia da evolutiva na Universidade do Arizona. “Mas se a temperatura global vai aumentar cerca de 4 graus nos próximos cem anos, como previsto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), isso acarretará um grande desequilíbrio, o que sugere que evoluir para se adaptar às novas condições climáticas pode não ser uma opção para muitas espécies”.

Mesmo que parte das espécies estudadas mude de habitat ou siga existindo com uma população muito menor, a extinção é um risco real. E isso pode afetar também outras espécies, não diretamente atingidas pelas mudanças climáticas. Em um estudo prévio, Wiens e outros pesquisadores concluíram que a extinção geralmente decorre de mudanças na interação entre as espécies. E mesmo a mudança de habitat pode ter graves consequências – os organismos em migração podem sobrecarregar a disputa por comida e habitat com as espécies nativas, o que levaria, por fim, à extinção daquela população.

Não está claro, até o momento, como os animais e as plantas reagirão às mudanças climáticas, mas alguns estudos ajudam a ter uma ideia. Aves pequenas, segundo pesquisas, podem ter as melhores chances em se adaptar, mas aves migratórias, mais influenciadas por fatores fenológicos – como a hora certa para migrar ou buscar insetos, por exemplo –, são muito ameaçadas pelas mudanças climáticas. O IPCC prevê que entre 40 e 70% das espécies podem ir à extinção se a temperatura global aumentar mais de 3,5 graus Celsius – assim como quando, próximo ao fim do Período Triássico,  o nível de concentração de CO2 dobrou e 3/4 de todas as espécies da Terra morreram.

Clique aqui para ler a notícia original publicada pelo Climate Progress.

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