Especialista indica veículo elétrico como solução para grandes cidades

Carros movidos a bateria seriam usados no transporte público, no serviço de correios e na coleta de lixo, por exemplo

Comentário Akatu: A ampla adoção de veículos movidos a eletricidade poderia ajudar a diminuir a poluição atmosférica (que acelera o aquecimento global) e a dependência de combustíveis não-renováveis (como o petróleo) ou que colaboram para o desmatamento de vegetação nativa (como o álcool ou o biodiesel). É uma alternativa que não deve ser desprezada.

“O veículo elétrico a bateria é uma solução viável para certos nichos de mercado como, por exemplo, no transporte de passageiros em centros urbanos, frotas municipais, serviços de distribuição postal e de logística de distribuição urbana”. A opinião é do vice-presidente da Associação Européia de Veículos Elétricos com Baterias, Híbridos e com Células de Combustível (AVERE) e do Conselho de Administração da Associação Portuguesa do Veículo Elétrico (APVE), Robert Stüssi.

“Os veículos elétricos à bateria terão o seu nicho de mercado para o transporte nos centros das cidades, onde o nível de emissão zero está sendo cada vez mais apreciado e os problemas de autonomia terão menos importância. Aguarda-se por uma revolução tecnológica ao nível dos sistemas de acumulação (baterias), permitindo autonomias consideráveis e baixos tempos de recarga de baterias”, prevê Stüssi.

Considerado um dos principais especialistas no assunto, Stüssi fala com a autoridade de quem representa duas entidades importantes mundialmente, que têm como objetivo a promoção dos veículos elétricos a bateria, híbridos e a célula a combustível, integrados numa política de mobilidade sustentável e coerente. As duas associações européias onde ele atua buscam alertar a opinião pública, governantes e políticos sobre as tecnologias disponíveis e constituir um fórum de encontro e troca de informação para o desenvolvimento do veículo elétrico.

O uso do veículo elétrico rodoviário a bateria vem sendo demonstrado na Europa em nichos de mercado específicos, como na distribuição postal e de mercadorias nos centros urbanos, onde a ausência de emissões no local de circulação e o baixo consumo energético são considerados de extrema importância. Na gama de veículos pesados, o veiculo elétrico é utilizado na coleta de lixo e no transporte público urbano, principalmente em centros históricos.

O especialista assinala algumas experiências desenvolvidas nos países europeus, como a utilização de micro-ônibus elétricos em mais de 24 cidades portuguesas por meio de projeto realizado em parceria pela APVE e a Direção Geral de Transportes Terrestres (DGTT). O resultado desse projeto foi a criação de um novo conceito de serviço de transporte público em Portugal e a aquisição de diversos destes ônibus para várias cidades portuguesas.

Na Itália, este conceito está largamente difundido com a existência de mais de 400 destes ônibus em circulação. Segundo Stüssi, a França também tem um plano de utilização idêntico. “Considerando a experiência adquirida pela APVE neste projeto, poderemos dizer que somente com ações práticas concretas, será possível demonstrar aos governantes e à opinião pública as potencialidades da tecnologia dos veículos elétricos e criar condições para que as soluções de propulsão alternativa possam se firmar”, diz.

Para o vice-presidente da Associação Portuguesa do Veículo Elétrico, países em desenvolvimento como o Brasil, a China e a Índia são exemplos claros onde o veículo elétrico é a solução. “A China é um caso típico onde a única solução que poderá permitir a ‘motorização’ da sua população passa por implementar soluções alternativas aos veículos com motores de combustão interna. Ao permitir à China níveis de motorização idênticos à Europa, Estados Unidos ou Japão teríamos como conseqüência o colapso tanto ambiental, devido ao aumento descontrolado da poluição, como energético, com a redução significativa das reservas de petróleo conhecidas”, explica.

Na Índia e no Brasil, Stüssi lembra que diversos fabricantes têm desenvolvido tecnologia no domínio dos veículos elétricos. “A expectativa é de que países com fortes potencialidades industriais, com matéria-prima e capital humano suficiente possam dar grandes contribuições em direção ao futuro, permitindo-lhes que se afirmem no contexto mundial dos construtores automóveis”, destaca.

A capacidade de fabricação brasileira atende os mercados internos e de exportação e a indústria eletroeletrônica está equipada para fornecer os componentes para veículos elétricos. Por estes números, o INEE acredita que o Brasil tem um importante potencial de mercado para veículo elétrico, inclusive para a sua fabricação.

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