Especialista defende protagonismo para os pequenos agricultores

Luiz Beduschi Filho apoia a participação dos grupos vulneráveis e dos consumidores na busca de soluções sustentáveis para a insegurança alimentar

O debate sobre a segurança alimentar é marcado por um grande paradoxo: as comunidades mais vulneráveis à fome são formadas, em geral, por pequenos agricultores. Por isso, é fundamental a participação desses grupos na dinâmica das decisões locais, nacionais e internacionais que regulam o setor. Essa é a visão de Luiz Carlos Beduschi Filho, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade de São Paulo (Procam-USP) e ex-consultor da FAO/ONU. “Só assim podemos encontrar soluções sustentáveis para a insegurança alimentar que, apenas na América Latina, afeta quase 60 milhões de pessoas.”

Beduschi Filho falou durante o debate sobre segurança alimentar e as inovações para a sustentabilidade no campo, tema principal do relatório “Estado do Mundo 2011”. A versão em português do documento foi lançada no dia 19/10 em parceria entre o Instituto Akatu e o Worldwatch Institute Brasil (WWI Brasil), em São Paulo.

Segundo o professor, o grande desafio colocado pelo relatório é o de relacionar o crescimento da população mundial – que tem resultado no aumento da demanda por alimentos, da pressão sobre recursos naturais e na aceleração das mudanças climáticas – com a capacidade que essa mesma população tem de criar condições para a sua segurança alimentar. “Os pequenos agricultores são os que mais sofrem, mas a solução pode estar com eles, como mostra o relatório”, diz. “Ele traz à luz iniciativas individuais e coletivas que estão acontecendo no mundo e que podem servir de inspiração para governos e instituições sistematizarem e ampliarem a escala dessas ações.”

Para o professor, o mercado consumidor precisa dar sua contribuição. “Cada vez mais estamos percebendo que a força das escolhas sustentáveis de consumo geram, de forma direta, oportunidades de desenvolvimento de uma agricultura sustentável”, disse, citando como exemplo, a experiência de comunidades que realizam compras coletivas de alimentos orgânicos diretamente do pequeno produtor. “Esse é o poder do consumidor”, completou.

Veja aqui algumas dicas que podem ajudar o consumidor se alimentar sem desperdício e com consciência dos impactos do seu consumo sobre a sociedade, meio ambiente e economia.

“Diante do aumento da população mundial, precisamos continuar aumentando a produtividade, mas sem consequências desastrosas para a sociedade e para o meio ambiente”, diz Beduschi Filho. Para ele, os desafios passam por renovar o papel do Estado, que precisa intervir para dar estabilidade aos preços dos alimentos; construir novos modelos de produção alimentar capazes de frear as mudanças climáticas; e ampliar a liberdade social e econômica das famílias de agricultores por meio do acesso ao uso de tecnologias que potencializem a exploração da biodiversidade.

“Hoje não é mais possível enfrentar a pobreza e a insegurança alimentar sem implicar os impactos sobre os recursos naturais. O desafio é aprofundar o conhecimento entre essa conexão e fazer com que elas, combinadas, trabalhem a favor da construção de um futuro mais sustentável.”

Para o ex-consultor da FAO, a publicação lançada pelo Akatu e pelo WWI, “é um documento de referência para pesquisadores que buscam informações sobre o que está acontecendo no planeta”.

Baixe aqui gratuitamente o Estado do Mundo 2011.

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