Emissões de gases de efeito estufa aumentaram 3,5% no Brasil em 2015

Desmatamento foi o principal responsável por crescimento da poluição climática, que ocorreu apesar de queda recorde no PIB

Camada de gases de efeito estufa no céu de São Paulo. Crédito: Creative commons/Gabriel de Andrade Fernandes

 

As emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil aumentaram 3,5% em 2015, em comparação ao ano anterior. A informação é do SEEG (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima, cuja quarta edição é lançada hoje, dia 27, no Rio de Janeiro.

Segundo o levantamento, o país emitiu 1,927 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente (CO2e, a soma de todos os gases de efeito estufa convertidos em dióxido de carbono) no ano passado, contra 1,861 bilhão de toneladas em 2014.

A elevação de GEE na atmosfera foi causada principalmente pelo aumento do desmatamento no ano passado. Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgados em setembro mostraram que a taxa de desmatamento na Amazônia cresceu 25% em 2015 em relação a 2014. As emissões por mudança de uso da terra, que consideram todos os biomas brasileiros, cresceram 12%. E tudo isso ocorreu em um ano em que o PIB do país caiu 3,8%.

Estagnação nos últimos anos
Os dados de 2015 SEEG consolidam um quadro de estagnação nos últimos anos, no qual o país não consegue reduzir suas emissões apesar dos compromissos assumidos em 2009, na conferência de Copenhague (o prometido era uma redução de 36,1% a 38,9% até 2020). Em 2013, elas cresceram 8%, mesmo com a estagnação. Em 2014, caíram 4%, na esteira da queda de 18% do desmatamento na Amazônia – mas com forte aumento no setor de energia, devido à seca que fez o governo acionar termelétricas fósseis. No ano passado, elas subiram em plena recessão.

Desde 2005, quando o Brasil começou a combater o desmatamento na Amazônia, até o ano passado, as emissões da agropecuária aumentaram 9%, as de energia aumentaram 45% e as de resíduos e processos industriais, cerca de 23%. “Os dados mostram que o Brasil teve um período singular de queda de 2005 a 2010 e, desde então, estamos patinando, com emissões totais estabilizadas há seis anos e com forte aumento no setor de energia”, afirma Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, no site do Observatório do Clima.

Redução de emissões no setor energético
Entre 2014 e 2015, dois fatores foram responsáveis majoritários pela redução das emissões no setor de energia, onde elas crescem mais depressa no país: a desaceleração econômica e o aumento da participação das fontes renováveis na matriz energética, em especial o álcool combustível. Cerca de 65% da redução das emissões ocorreu nos transportes, segundo dados do  Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente). Na sequência, os dois maiores responsáveis pela redução de emissões no último ano foram a geração de eletricidade e as atividades industriais, que caíram, respectivamente, 4,8% e 2,9%.

Agropecuária é o terceiro maior produtor de CO2
Segundo a estimativa do SEEG, solos agrícolas emitiram em 2015 cerca de 225 milhões de toneladas de CO2 equivalente e sequestraram 195 milhões de toneladas. Ou seja, o Brasil tem 50 milhões de hectares de pastos degradados que estão emitindo carbono, quando poderiam estar sequestrando.

O problema da formação de gás metano nos aterros
Desde 1990, o setor de resíduos sólidos apresentou um cenário crescente de emissões, devido sobretudo à disseminação dos aterros sanitários. Nos aterros, o processo de decomposição anaeróbica, que gera gás metano, é mais frequente do que nos lixões. Segundo o relatório, as emissões de esgoto têm uma forte correlação com aspectos econômicos e taxas de urbanização observada no país. Em Estados onde há uma população maior e altas taxas de urbanização, as emissões tendem a ser bem maiores.

Consumo consciente
Os consumidores também são parte da origem desse grave problema ligado às emissões de gases de efeito estufa, mas também são parte de sua solução. Por meio de mudanças em suas práticas cotidianas, os consumidores se percebem como cidadãos e se empoderam, forçando as empresas a produzirem de forma mais limpa. Também podem contribuir com pequenas atitudes, como, por exemplo, optar pelo transporte público ao invés de carros movidos a combustíveis fósseis, não desperdiçar alimentos e nem gerar em excesso resíduos sólidos orgânicos ou comprar madeira certificada. Este novo comportamento e esta nova consciência são primordiais para reduzir o aquecimento global e suas consequências ruins ao clima do planeta.

 

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