Em meio à turbulência, um Natal para resgatar a simplicidade e os valores humanos

Tempo de crise é propício para repensar o consumo e imaginar uma celebração com troca não de presentes, mas de afeto e abraços

O Natal traz a todos a preocupação de encontrar a melhor maneira de demonstrar seu companheirismo, sua amizade, seu amor aos amigos e à família. Este ano, a festa cristã, há muito associada à celebração do consumo, muitas vezes com excessos e desperdícios, acontecerá sob a nuvem de uma crise financeira que já traz desemprego e instabilidade econômica.

Certamente, é uma oportunidade para que cada um reflita sobre como criar uma festa natalina em que o consumo fique em segundo plano. A maquiadora Cristina Mendonça, de 50 anos, e a professora de música Lígia Rosa, de 48, são exemplos de como festejar o Natal com menor preocupação com o consumo material. Elas e suas respectivas famílias festejam o Natal com “abraços fortes e muita conversa”, conta Cristina e acrescenta: “nossa amizade já dura 15 anos e achamos que é o suficiente para alimentá-la”.

O hábito, não é muito comum entre os brasileiros como demonstram os dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping: no Natal de 2007, as vendas cresceram entre 10% e 12% em relação ao Natal de 2006. E uma pesquisa do Datafolha, publicada em 7 de dezembro, revela que 76% dos brasileiros afirmam não ter desistido de comprar nenhum produto por causa da crise.

Lígia, entretanto, vem cultivando há muito tempo a prática de não sair às compras no Natal. A dificuldade financeira que atravessou no passado não a impediu de fazer uma das coisas que mais gosta: presentear. “Acho que foi daí que desenvolvi minha habilidade de confeccionar os presentes que dou”, revela. A professora garante que a experiência se revelou “bem melhor do que eu imaginava porque mesmo quando comprava, sempre tive a dificuldade de oferecer algo que fosse realmente importante para as pessoas porque elas já têm quase tudo. Confeccionando, eu tenho a oportunidade de personalizar os presentes”.

Tendo como principal valor a simplicidade, o desafio de Lígia é usar a imaginação e a criatividade para proporcionar momentos felizes aos amigos, levando em conta as emoções de quem será presenteado. “Dependendo da vida sentimental que elas atravessam, esses presentes podem ser muito úteis”, conta Lígia, que certa vez ofereceu um caderno a uma amiga para que ela escrevesse sobre sua vida. “Tempos depois, ela precisou fazer terapia e o caderno foi muito útil para o processo”, revela entusiasmada.

Seguindo esse exemplo neste Natal, tente inovar e buscar alternativas para reduzir seus gastos, deixando ao menos parte do 13º salário para cobrir dívidas ou para colocar na poupança. Aproveite o espírito natalino para tomar algumas decisões que podem mudar o seu perfil de consumo, retirando a ênfase dos aspetos materiais e minimizando os impactos de suas escolhas de consumo sobre suas finanças, sua vida, o meio ambiente e a sociedade. E, o que é principal, durante o Natal, trazer significado para sua celebração. Aqui vão algumas dicas:

  • Passe algumas das horas que você gastaria nas compras visitando as pessoas queridas, a quem você viu pouco durante o ano;
  • Planeje os gastos, estipule um limite de despesas e não saia dele. Se comprar a crédito, preste atenção nos juros e avalie se as prestações cabem no orçamento;
  • Use a imaginação e dê presentes alternativos, reciclados, produzidos artesanalmente, de pouco impacto ambiental, e feitos para durar;
  • Escolha presentes que sejam mais simbólicos do que materiais: um texto escrito por você ou do qual você gosta; uma canção que marcou sua vida neste ano que se encerra; uma entrada para visitar uma exposição em um museu; um roteiro de visita ao que você gosta na cidade;
  • Reflita bem antes de comprar e avalie se o presente é realmente do gosto de quem você está presenteando; o presente terá um significado especial para a pessoa presenteada, que vai reconhecer que o presente não é um “genérico”, mas voltado a ela em um gesto de real amizade e carinho;
  • Doe o que você não usa, proporcionando um Natal melhor a quem precisa;
  • Diminua a utilização de embalagens, preferindo as que possam ser reutilizadas;
  • Recicle e dê cara nova a tudo o que for possível;
  • Prefira uma árvore de Natal plantada, que você possa usar no próximo ano;
  • Use luzes de baixo consumo;
  • Guarde os enfeites para decorar no próximo ano;
  • Não compre produtos pirateados ou contrabandeados e mostre que você compreende o papel dos pequenos gestos na construção da ética da sociedade;
  • Opte por comprar produtos de empresas mais social e ambientalmente mais responsáveis;
  • Compre só o necessário para a ceia de Natal e de final de ano e evite o consumo exagerado de alimentos e bebidas; sempre que possível, escolha alimentos orgânicos e de produção local;

E tenha um Natal farto de afeto e de boas emoções, aproveitando para uma boa reflexão sobre o ano que passou e sobre o que é realmente importante para você no ano de 2009, para que seja mais harmônico do ponto de vista do seu contato com a família, com os amigos, e com a sua própria espiritualidade.

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