Eletrodomésticos ecológicos estão prestes a entrar no mercado

Geladeira movida a energia solar e lavadora de roupas ecológica e econômica são desenvolvidas no Brasil

Comentário Akatu: Economizar água e energia estão entre as maiores preocupações do consumidor consciente, que entende o impacto ambiental causado pelo desperdício desses bens. Investir em eletrodomésticos que poupem água e energia vale a pena não apenas financeiramente, mas social e ambientalmente.

Se a água encanada fosse gratuita, o técnico em consertos de máquinas de lavar roupas Rubens José de Oliveira Filho, 36, provavelmente não seria inventor. Dono de uma oficina em Santos (SP), Oliveira recebia altas contas de água, pois precisava testar as máquinas consertadas. O lucro do negócio ia embora pelo ralo. Não demorou muito até que ele desenvolvesse um sistema para reciclar a água utilizada.

Oliveira bolou um sistema de filtros, consultou um especialista em produtos químicos e tratamento de água e, em 2003, criou o projeto Safira (Sistema de Armazenamento, Filtragem e Reaproveitamento da Água). É um kit externo com filtro e reservatório que, acoplado a uma lavadora, elimina a sujeira e o sabão da água usada na lavagem. Antiespumantes também são usados no processo.

Segundo ele, uma dona de casa que lave roupas diariamente pode reduzir o consumo de 6.000 litros para 15 litros de água por mês, em média. Nas lavanderias, o equipamento irá valer a pena a partir de uma conta de água mensal de R$ 2.000 (abaixo disso, o gasto com produtos químicos não compensa).

Depois de registrar a patente no Brasil e em 123 países, Oliveira conseguiu seu primeiro contrato. A fabricante de equipamentos para lavanderias Máquinas Santo André irá oferecer o sistema para seus clientes. “Vai ser a primeira lavadora de roupas ecológica do mundo”, comemora o inventor.

Já a geladeira movida a luz solar, projetada pelo engenheiro Fabiano Chaves e pelo matemático Fernando Vollucyriaco, com o apoio da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), deve começar a ser vendida em dois meses. A idéia surgiu do racionamento de energia que o Brasil enfrentou em 2001, levando em consideração que o maior gasto de eletricidade de uma cozinha doméstica é a geladeira.

O mecanismo, desenvolvido na incubadora de empresas da universidade, conta com um compressor movido por energia solar capaz de transformar calor em frio. Além da economia na conta de luz, a geladeira não faz barulho e não polui.

Agora os pesquisadores estão montando uma empresa para a fabricação do produto, a Paz Engenharia. A fábrica deve entrar em funcionamento em cerca de dois meses e irá produzir, a princípio, 20 peças por mês. A previsão é de que esse número chegue a cem brevemente.

Os principais consumidores serão famílias da zona rural de Minas Gerais que não têm energia elétrica, mas podem adquirir o produto, que deve custar R$ 2.000. “Sabemos que o preço é salgado mas, com o aumento da quantidade, ele deve diminuir”, afirmou o engenheiro.

De acordo com o estudo de viabilidade econômica feito pelo Sebrae em Minas Gerais, atualmente são 97 mil famílias potenciais compradoras do eletrodoméstico. Os interessados podem entrar em contato com os inventores.

As pesquisas também já estão adiantadas para uma outra geladeira, que também funciona à luz solar e irá custar cerca da metade do preço da primeira. “Ela utiliza um outro sistema e deve ser bem atraente para as famílias que têm energia elétrica em casa”, conta o engenheiro. O segundo invento ainda é mantido sob sigilo, até que a idéia seja patenteada.

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