Educação financeira: quanto antes, melhor

Iniciativas públicas e privadas promovem o consumo consciente de dinheiro e crédito, especialmente pelas próximas gerações

 

“Educação financeira implica ser livre para fazer escolhas”. A fala da especialista em educação financeira Cássia D’Aquino ilustra a importância do tema para o consumidor.  Para a integrante do Comitê Nacional de Educação Financeira, a consciência sobre escolhas financeiras deve estar presente em todas as etapas que envolvem o ato de adquirir algo, sejam itens do cotidiano, imóveis, carros, empréstimos ou crédito. Segundo Cássia, que participou do Semarc 2012 – Seminário de Relacionamento com Clientes, promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) no último dia 28, a preocupação com a educação financeira não pode surgir apenas para prevenir ou remediar situações de endividamento. É um recurso que deve ser posto em prática antes mesmo da decisão de compra. E ainda melhor se começar a ser assimilado e aplicado na infância e adolescência.

A educação financeira exige uma compreensão ampla dos hábitos de consumo diante das facilidades de compra a que se tem acesso hoje. Nesse sentido, a Enef (Estratégia Nacional de Educação Financeira) traduz um dos esforços atuais para transmitir esse conhecimento para a população. A iniciativa governamental desenvolvida em parceria com diversas instituições, entre elas o Banco Central e a BM&F BOVESPA, criou o programa “Educação Financeira nas Escolas”, realizado como projeto piloto entre agosto de 2010 e dezembro de 2011 em 900 escolas brasileiras. Após o desenvolvimento do programa foi constatada uma melhoria de até 7% na capacidade dos alunos em administrar o dinheiro, segundo dados do Banco Mundial divulgados no ano passado. Também foi registrado que 63% dos estudantes que fizeram parte do programa poupam uma parte de sua renda, contra 59% dos alunos que não participaram.

Jovens e consumo: a hora é agora!
Não é por acaso que a educação financeira de jovens tem um peso importante na atual conjuntura do País. De acordo com dados do Data Popular de abril deste ano, o jovem tem um papel importante na composição da renda familiar e nas decisões de compra em casa. Nas famílias brasileiras de classe média, para cada R$ 100 que os pais ganham, os filhos tendem a ganhar R$ 53. Ou seja, a nova geração representa uma importante força de consumo, principalmente em classes como a C, que hoje está em ascensão e corresponde a 53,9% da população. O Data Popular concluiu que as pessoas da Nova Classe Média com faixa etária entre 18 e 35 anos vão desempenhar um papel importante na definição do comportamento e dos hábitos da sociedade na próxima década.

Já a pesquisa “O Sonho Brasileiro” indica que 91% dos jovens de 18 a 24 anos nas classes A, B e C acreditam que as pessoas em geral consomem mais do que o necessário. A pesquisa divulgada em 2011 feita pela empresa Box 1824, aponta a existência de uma familizarização com uma visão mais consciente do consumo e também reforça o cenário de necessidade da conscientização em larga escala para um melhor uso do dinheiro e crédito.

Por onde começar?
“O primeiro passo da educação financeira é deixar a informação disponível”, comenta Fábio Moraes, diretor de Educação Financeira da Febraban. O portal “Meu Bolso em Dia” da Federação é uma das iniciativas que atua nesse sentido. Nele, o consumidor pode ter acesso a informações básicas sobre o funcionamento dos bancos e dos serviços financeiros e até ter acesso a ferramentas para o planejamento financeiro, como o “Jimbo Mobile”, aplicativo de controle de gastos via celular.

Outro site com conteúdo informativo sobre gestão e uso do dinheiro e crédito é o “Uso consciente do dinheiro“, que pode ser acessado no portal do Banco Itaú. Lá o consumidor fica sabendo como lidar com o endividamento, escolher o melhor uso de crédito para cada ocasião, consumir de forma mais consciente, poupar e aprender a fazer orçamentos e planejamentos.

Dicas do Akatu

Se parcelar o pagamento, analise a taxa de juros
Fazer compra parcelada com juros sai caro e, por isso, deve ser analisada com cuidado. Não olhe apenas a prestação, mas o preço final parcelado. Muitas vezes, com o valor final daria para comprar até três do mesmo produto. Isso quer dizer que você vai trabalhar muito mais para comprar a mesma coisa. Assim, só parcele ou tome emprestado se você realmente precisar.

Use o 13º salário para quitar dívidas do Ano Velho
As taxas de juros sobre os saldos devedores do cartão de crédito e do cheque especial são muito elevadas, as maiores do mercado. Portanto, zerar essas dívidas para iniciar o Ano Novo sem pagar juros é um ótimo negócio. E mesmo para quem estiver com a conta no azul, vale reservar parte do 13º para enfrentar as despesas típicas do início do ano, como gastos com férias, IPVA, IPTU, matrículas, material e uniformes escolares, de forma a não ter uma surpresa que leve à necessidade de tomar dinheiro emprestado. Esse cuidados não valem apenas no final do ano, mas o tempo todo. Fique atento!

Valorize moedas e o troco
Pequenas despesas pesam muito no orçamento. Uma pessoa que economize R$ 1 por dia, durante 66 anos de sua vida, e coloque este dinheiro na poupança, a 6% de taxa anual de juros, acumulará R$ 284 mil ao final desse período. Já é uma boa aposentadoria!

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