Ecoturismo é alternativa para desenvolvimento sustentável

Caminhadas, passeios de observação e esportes radicais na natureza podem contribuir para a preservação ambiental

Amazônia, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica – esses são apenas alguns dos ecossitemas que compõem o mosaico natural do território brasileiro. Para conhecer a natureza mais de perto, muitas pessoas se aventuram em caminhadas, passeios de observação e até mesmo práticas de esportes radicais. O turismo ecológico – ou ecoturismo – tem potencial de crescimento de 20% ao ano no mundo (Organização Mundial de Turismo, OMT) e, se feito com consciência e responsabilidade, contribui muito para a preservação dos recursos naturais.

Para Haroldo Mattos de Lemos, do Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a consciência do turista e das outras partes envolvidas no segmento pode ter um impacto positivo maior para o meio ambiente do que a criação de áreas de preservação – mesmo porque dificilmente há uma estrutura de fiscalização eficaz.

Apesar da crescente conscientização dos turistas sobre importância da preservação dos recursos e da biodiversidade naturais,  a capacitação de monitores e guias para acompanharem esse processo é necessária. Essa é uma preocupação da secretaria de turismo do município de Cananéia, no Estado de São Paulo.

“Nossos monitores são muito bem preparados e conscientes e isso é algo do qual não se pode abrir mão”, diz o assessor de comunicação da secretaria Silvio Pontes.

Entre os procedimentos sugeridos aos turistas para minimizar os impactos da atividade ao meio ambiente estão o de não deixar nenhum resíduo nos locais visitados e ir somente a locais previamente recomendados pelos guias locais.

A ilha de 22 mil hectares conta com mais de 1000 espécies de plantas catalogados nos dois parques ecológicos, o Parque Estadual da Ilha do Cardoso e o Parque Estadual de Jacupiranga. O primeiro, graças a sua diversidade biológica e seu complexo conjunto de ecossistemas, foi considerado pela Unesco um patrimônio da humanidade. Cananéia também serve de habitat para algumas espécies ameaçadas de extinção, tais como macacos bugio e mono-carvoeiro, a lontra, o papagaio-de-cara-roxa, o veado-mateiro, o jacaré-do-papo-amarelo.

Educação

Assim como em Cananéia, o Parque Estadual da Cantareira, que abrange quatro municípios da Grande São Paulo, também atua na conscientização da população. Nos dias de semana, quando não está aberto à visitação de turistas, há um programa de educação ambiental com escolas públicas e privadas. As crianças podem visitar o parque e aprender com os monitores formas de preservar o meio ambiente.

O parque oferece algumas boas opções para os turistas que querem entrar em contato direto com um pedaço remanescente da Mata Atlântica – o acesso é fácil pois fica a apenas 12 quilômetros do centro da capital paulista. A Mata Atlântica é o bioma que tem o maior número de sítios preservados, mas perde em área para a Floresta Amazônica. Hoje, existem apenas 8% desse bioma original ainda remanescentes. Desse total, 18% encontra-se no Estado de São Paulo.

São três núcleos de visitação. A atração do núcleo Pedra Grande é a trilha que leva à pedra de mesmo nome, de onde é possível enxergar toda a cidade de São Paulo. O núcleo Águas Claras permite ao turista fazer trilhas fechadas em que pode observar e se banhar em cachoeiras pelo caminho. No núcleo Engordador, a trilha pela mata leva à represa natural do Engordador, que já foi responsável pelo abastecimento de água da cidade de São Paulo e onde também é possível visitar a antiga Casa das Bombas.

Todos esses patrimônios naturais e culturais estão disponíveis para visitação, porém, é extremamente necessário que os turistas e visitantes tenham responsabilidade e consciência de que é preciso cuidar para que tamanha beleza não seja degradada e tenha o mesmo destino da maioria de nossas florestas nativas.

Turismo e aventura

A cidade paulista de Brotas experimentou uma explosão no número de turistas na última década graças aos esportes radicais, como rafting (descida de corredeiras em um bote), arvorismo (travessia entre as copas das árvores) e canionyng (rapel na cachoeira e caminhada no leito dos rios). E apesar do contato direto entre turistas e rios e matas da região, não há sinais de degradação ambiental.

Para Marcos Escarabel, secretário do meio ambiente da cidade, o turismo foi um grande aliado da preservação e até recuperação da biodiversidade existente na região. “Os donos de fazenda perceberam que é muito mais lucrativo preservar do que desmatar. O turismo possibilitou que a mata permanecesse de pé.”

A preocupação em despertar essa percepção na população também está presente nas ações do município. “Agora, na semana do meio ambiente, fizemos diversas atividades em escolas. A intenção é enraizar a preocupação com a natureza desde cedo”, afirma o secretário.

Brotas tem cerca de 20 mil habitantes e a estimativa da secretária de turismo é de que, aproximadamente, 120 mil turistas por ano visitem a cidade em busca de aventuras e do contato com a natureza.

As áreas de preservação da cidade ficam em torno das margens do rio Jacaré Pepira, afluente do rio Tietê, considerado um dos quatro rios mais limpos do estado de São Paulo, segundo a secretaria municipal do meio ambiente de Brotas.

Em Bonito, um dos principais destinos turísticos do Mato Grosso do Sul, o crescimento do setor turístico também veio acompanhado de uma maior conscientização da população. Em 1995, quando houve o “boom” do turismo na região, não existia uma estrutura montada e os fazendeiros que tinham grandes reservas naturais em suas propriedades preferiam atividades como a agricultura ou a pecuária. Com a chegada dos turistas, os fazendeiros se envolveram na atividade e optaram por preservar as matas nativas de suas fazendas, além de cuidar de seus rios.

Em pouco tempo, moradores, políticos e empresários de Bonito perceberam que se não cuidassem de forma adequada dos recursos naturais da região em breve não haveria mais o que mostrar.

Foram encomendados estudos do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) com o objetivo de mensurar a capacidade de cada atração natural do lugar. Nessa época, uma atração como a Gruta do Lago Azul, que recebia até 600 turistas diariamente, teve seu limite fixado em 250 pessoas por dia. Hoje, alguns locais recebem apenas grupos pequenos de 6 ou 15 visitantes que são, obrigatoriamente, acompanhados por guias turísticos.

Para Lyane Moretti, ex-secretária de turismo da região, a atividade turística provocou uma verdadeira revolução na cidade. “Cursos de turismo foram abertos e houve uma valorização dos guias locais, fatos que despertaram o interesse dos moradores por essa área”.

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