E os Meneghini? Vão bem, obrigado, e continuam consumidores conscientes

O primeiro episódio do quadro Mudança Geral, no programa Fantástico, da Rede Globo.

Pizza no café da manhã. Muitas sobras de comida e materiais recicláveis jogados no lixo. Banhos de longuíssimos vinte minutos. Esses eram alguns hábitos da família Meneghini no primeiro episódio do quadro Mudança Geral, apresentado entre maio e junho no programa Fantástico, da Rede Globo. Os Meneghini toparam o desafio proposto pelo reality show de se tornarem consumidores conscientes e, ao final de seis semanas, haviam conseguido adotar um estilo de vida muito mais sustentável.

O impacto dos novos hábitos foi visível e mensurável: 55% a menos no consumo de água, gasto de energia 25% menor, desperdício de comida reduzido a quase nada, materiais recicláveis separados do lixo e encaminhados para a coleta seletiva. Mas, três meses depois do final da experiência, e longe dos olhos dos 40 milhões de telespectadores que acompanharam sua trajetória, continuam eles a manter as boas práticas de consumidores conscientes?

Em uma tarde de sexta-feira, na casa dos Meneghini na zona sul de São Paulo, a família aguardava a visita do repórter do Akatu para contar sobre sua vida cotidiana depois do programa. Matheus, o caçula, ainda estava na escola, mas o casal Andréa e Reginaldo, acompanhado da filha Malu, conversou com o repórter por quase duas horas na sala da casa, iluminada pela claridade do dia que entrava pelas janelas e pela porta propositalmente abertas. Tudo para dispensar a luz elétrica — primeiro sinal de que os Meneghini assimilaram os hábitos de consumo consciente.

Mudar a alimentação é difícil, mas possível
“De tudo que nós aprendemos, o mais difícil de manter é a alimentação. É terrível, porque a gente já tinha um ritmo, e para mudar totalmente é complicado”, confessa Andréa. Malu e o pai concordam. Além de beber muito refrigerante e comer muita carne gordurosa, lanches, doces e frituras, os Meneghini quase nunca consumiam frutas e legumes. Durante o programa, a nutricionista Kátia Camargo recomendou um cardápio diversificado e uma alimentação mais balanceada.

Reginaldo, no entanto, se apressa em dar as boas notícias: “É difícil, mas a gente está se acostumando aos poucos e, na verdade, sem muitos sacrifícios. Refrigerante, por exemplo, a gente só toma no final de semana. Durante as refeições, é só água ou suco”.

A aparência do casal comprova que o novo cardápio foi mantido. Nas cinco semanas de gravação, Andréa e Reginaldo emagreceram três quilos cada um, e mantêm o mesmo peso até hoje. “Não deu para emagrecer mais porque a caminhada já não é tão regular, por causa do frio e da chuva”, afirma Andréa, prometendo mais regularidade no verão que se aproxima. “Mesmo assim, a alimentação balanceada que temos agora ajuda bastante”, justifica Reginaldo, acrescentando que trocou a carne vermelha por peixe e frango até nas refeições que faz na empresa onde trabalha.

A única pessoa da família a ganhar peso foi Malu. Embora mantenha alimentação equilibrada dentro de casa, ela come muitos chocolates e doces quando sai com os amigos. “Mas, ela e o Matheus estão liberados para comer doces, só precisam controlar”, defende a mãe. “O Matheus nem se fala, come tanta fruta que não é preciso se preocupar.”

Todo o bairro mobilizado para a coleta seletiva
Antes do início do programa, os Meneghini geravam 4 quilos de lixo por dia. Sobra de alimentos, comidas estragadas e todo tipo de material eram jogados na lixeira comum. Após a experiência do programa do Fantástico, além de aprenderem a separar os materiais recicláveis, os Meneghini reduziram o desperdício de alimentos praticamente a zero. A quantidade do lixo gerada baixou para pouco mais de 1 quilo por dia.

Andréa enumera o que a família tem feito para manter a pouca geração de resíduos: “compramos sacolas retornáveis, por isso usamos poucas sacolinhas do supermercado. Diminuímos as quantidades nas compras, e eu cozinho apenas uma vez por dia. No jantar, reaproveitamos o que sobra do almoço. Por isso, já não existe mais aquela comida acumulada na geladeira”.

Por iniciativa da família, quase toda a vizinhança hoje separa lixo para coleta seletiva. Como o bairro não é atendido pelo programa de coleta seletiva da prefeitura, foi preciso chamar uma cooperativa de catadores para recolher o material reciclável. Para conseguir maior quantidade, Andréa saiu de casa em casa orientando as pessoas a separar latinhas de alumínio, papel e embalagens plásticas. “Vocês viram durante o programa na TV que nós e o pessoal aqui do bairro não reciclávamos por falta de informação”, lembra Andréa. “Foi difícil, mas a gente conseguiu. E foi uma conquista que está durando até agora”. Atualmente, o caminhão da cooperativa percorre as ruas do bairro todas as quintas-feiras.

Para Reginaldo, “uma das coisas mais legais do programa foi a gente estimular mais pessoas e famílias a fazer reciclagem”. Raquel Diniz, coordenadora de Capacitação Comunitária do Akatu, que atuou como consultora junto ao programa e à família, comenta que os Meneghini tornaram-se multiplicadores do consumo consciente. “Pela nossa experiência, observamos que a consciência no consumo leva as pessoas a incentivarem parentes, amigos e vizinhos a adotarem os mesmos hábitos”, afirma Raquel.

Economia de água, de eletricidade e de dinheiro
A economia no consumo de água e luz agora faz parte da rotina dos Meneghini, apesar de alguns deslizes. Reginaldo ainda esquece as lâmpadas acesas desnecessariamente, e Matheus voltou a tomar banhos demorados. Ainda assim, o valor da conta de luz, que antes do programa era em média R$ 120,00 por mês, baixou para cerca de R$ 90,00 mensais.

A economia é resultado principalmente dos banhos menos demorados do resto da família — com exceção de Matheus, os outros tomam banho em 6 minutos, em média, metade do tempo que levavam antes. Além disso, Andréa e a filha praticamente deixaram de usar o secador, um verdadeiro devorador de eletricidade. “Agora só uso quando tomo banho e vou sair em seguida. Quando é para ficar por aqui, seco o cabelo ao sol mesmo. Acho que isso deve fazer muita diferença, porque eu usava o secador quase todos os dias”, conta.

Na lavanderia, o hábito é lavar e passar a roupa apenas uma vez por semana, e Andréa se esforça para reutilizar a água da lavadora. “Reutilizo para lavar a calçada e o terraço. O duro é ter que ficar subindo e descendo com o balde”, reclama, pois a lavanderia fica no andar inferior da casa.

Reginaldo conta que pretende fazer mais alguns investimentos para reduzir o consumo sem exigir muito esforço da família. “Vou montar um esquema de tubulação para o reaproveitamento da água ficar mais automático. Com o tempo, quero trocar o chuveiro elétrico, que gasta bastante energia, ou ver se dá para colocar um aquecedor solar”, planeja. A conta de água, que era em média R$ 60,00, diminuiu para R$ 27 nos últimos dois meses.

No fim da tarde, após ouvir todas as histórias e planos da família, o repórter foi convidado para um lanche. O cardápio — saudável — foi preparado pela própria Andréa: pão caseiro recheado com legumes e sobras de carnes. E, para acompanhar, suco de caju. Outro sinal de que o consumo consciente, na casa dos Meneghini, veio para ficar.

Veja aqui a página especial do Akatu sobre o quadro Mudança Geral, com resumos e vídeos de todos os episódios.
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