E o relógio das alterações climáticas continua a correr

Recusa de alguns países em assumir compromissos legais na conferência de Copenhague, em dezembro, é considerada inaceitável

Na tarde de 9 de novembro, enquanto ocorria a reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas em um prédio da Avenida Paulista, em São Paulo, a Campanha TicTacTicTac lembrava a quem passava pela rua que o relógio está correndo e que o tempo é curto para evitarmos as mudanças climáticas que ameaçam o planeta e a vida na Terra.

A manifestação pedia também a dois ilustres participantes da reunião — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Ministra da Casa Civil Dilma Roussef — que o Brasil assuma compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa, que intensificam o efeito estufa e provocam o aquecimento global. E que, além disso, apresente esses compromissos na COP 15 (a 15ª Conferência das Partes entre os países membros da Convenção do Clima da ONU), que acontecerá em dezembro, em Copenhague.

Durante a reunião, Aron Belinky, coordenador executivo da Campanha TicTacTicTac, entregou ao presidente Lula um abaixo-assinado simbólico com reivindicações de 38 entidades das sociedade civil, entre elas o Instituto Akatu, que apóia a campanha. Ivan Marcelo Neves, do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), destacou a importância de o país ter compromissos de redução de emissões, e não apenas colocar essa responsabilidade nos ombros dos países desenvolvidos. “Esperamos que o Brasil assuma um papel de verdadeira liderança nesse processo, cobrando dos países industrializados um corte muito profundo e significativo das emissões, mas apresentando também medidas concretas, vinculantes e ousadas nesta luta contra a maior ameaça que a humanidade já enfrentou”, afirmou Neves.

Um dos sinais mais positivos do encontro foi a fala da ministra Dilma Roussef, ao afirmar que “o Brasil poderá sintetizar sua posição em torno de um número, um objetivo quantitativo voluntário. O valor exato vai depender de uma avaliação técnica, pois não falamos apenas de nossa vontade, mas das possibilidades concretas: pode ser 38%, como pode ser 42%”. É uma grande mudança de posição, pois apenas algumas semanas atrás a ministra declarava que “nosso compromisso principal não é com o estabelecimento de números”. Os valores à que a ministra se refere giram em torno da proposta feita por Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, para que o país reduza suas emissões de gases de efeito estufa em 40% até 2020.

Ao final do evento, o presidente Lula declarou que “a questão das mudanças no clima já não é mais assunto só da academia e dos ambientalistas: é uma questão popular, as pessoas comuns já percebem o quanto este assunto é sério e urgente”. O presidente ressalvou, porém, que “existe uma grande distância entre acreditar numa coisa que achamos certa, conseguir convencer os outros disso e colocá-la em prática”.

Para Aron Belinky, apesar de as declarações do presidente Lula e da ministra Dilma serem ainda reticentes, houve um avanço na posição do governo, que se recusava a falar em estabelecer metas brasileiras de redução de emissões de gases de efeito estufa. “Todas as informações possíveis estão na mesa, e as autoridades têm clareza sobre o assunto: a posição do Brasil na COP15 depende agora de decisões essencialmente políticas e negociais”, resume. “Mais do que nunca, é importante manter a mobilização social e a pressão popular”.

O governo promete divulgar os compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa no dia 14 de novembro.

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