Consumismo infantil, publicidade e sustentabilidade são tema de evento na Rio +20

Discussões apontam a publicidade como uma das causas do consumismo infantil

“Não podemos falar do futuro sem falar de crianças, nem de sustentabilidade sem falar de consumo” explica Gabriela Vuolo, coordenadora de mobilização no Instituto Alana, que atua na defesa dos direitos das crianças com relação ao consumismo. A fala foi feita durante o side event “Consumismo infantil, publicidade e sustentabilidade”, realizado na última quarta-feira (13) como parte da programação da Rio+20, pelo Instituto Alana, em parceria com o Instituto Akatu e outras organizações.

O posicionamento dos palestrantes evidencia que um dos fatores de influência para o consumo infantil exagerado – e, portanto, contribuindo para padrões de consumo ambiental e socialmente insustentáveis –, é a publicidade abusiva direcionada ao público em questão. Foi igualmente questionado o papel da publicidade na formação de hábitos de consumo que estarão presentes durante a vida adulta dessas pessoas em estágio de formação.

Para Ana Maria Wilheim, diretora-executiva do Instituto Akatu, “investir em educação para o consumo consciente é fundamental para transformar esse cenário. Hábitos são difíceis de mudar. O Instituto Akatu trabalha a 11 anos sensibilizando públicos, principalmente por meio da comunicação e da educação. O Akatu desenvolveu materiais pedagógicos para serem utilizados por pais, alunos e professores com o objetivo de auxiliá-los a despertar para a transformação de seus hábitos cotidianos de consumo”, esclarece. Para a diretora, esse investimento traz como resultado a formação de valores que levam a um uma sociedade mais sustentável. “Precisamos ter consciência do poder que cada indivíduo tem de transformar, a partir de seus atos de consumo, a economia, as relações sociais e a natureza”, alerta.

Roseli Goffman, representante do Conselho Federal de Psicologia, reforça o argumento de que as crianças não têm condições de compreender o caráter persuasivo da publicidade e cita o setor produtivo como corresponsável por essa comunicação de caráter abusivo. Gabriela Vuolo complementa indicando que as crianças não têm maturidade física e psíquica para discernir sobre o estímulo publicitário. “Crianças não sabem como um produto é feito, por exemplo, ou se elas realmente precisam dele”, explica. Segundo a coordenadora do Alana, há uma divergência entre o discurso comercial e o discurso dos pais que querem alertar e educar seus filhos sobre o consumo consciente. Ana Claudia Bessa, mãe de dois filhos e integrante do Movimento Infância Livre de Consumismo chama atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pais nessa questão: “Não sou consumista e tenho a sociedade inteira ao meu redor dizendo para minhas crianças consumirem. Meu ‘não’ não consegue competir com a televisão”. Ela também alerta para o fato de que a mudança de atitudes em relação ao consumo começa em casa. “Os pais precisam mudar primeiro para que seus filhos mudem”, afirma.

Segundo Mariana Ferraz do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), alguns dos princípios contidos no Código de Defesa do Consumidor são os de que a publicidade deve ter sua intenção comercial imediatamente reconhecida pelo público e não ser considerada abusiva. Para a representante do Idec, obter vantagem de um público receptor ainda em fase infantil pode ser considerado abusivo. “O Estado tem que tomar parte na questão da publicidade direcionada para crianças”, complementa.

 

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