Dia dos Pais: “Torço para todos poderem sentir o carinho dos filhos neste dia”

“Meu maior presente é estar com elas”, diz o músico Jairzinho, que vive atualmente na ponte aérea São Paulo-Rio para encontrar a família

 

O Akatu conversou com o multi-instrumentista, compositor, arranjador e intérprete Jair Oliveira, o Jairzinho, pai das pequenas Isabela (4 anos) e Laura (cinco meses). Ele fala sobre o que mudou na sua vida com a experiência de ser pai, planos para o Dia dos Pais e sua preocupação com o planeta em que suas filhas vão crescer. “A geração delas vai conviver com a natureza de uma maneira muito mais inteligente, integrada e respeitosa do que nós.”

Instituto Akatu – Jair, você é pai há relativamente pouco tempo, sua filha mais velha, a Isabela, tem 4 anos e a mais novinha, a Laura, tem cinco meses apenas. O fato de ser pai, de alguma forma mudou sua visão e compromisso, como cidadão e como consumidor, em relação ao futuro e o mundo no qual suas filhas vão crescer e viver?
Jair Oliveira – Sem dúvida! É muito nítida para mim essa mudança. Refiro-me ao fato de que a principio você só pensa em coisas relacionadas com a sua própria sobrevivência. Mas depois que você tem filhos, a preocupação com a preservação da natureza se torna mais nítida, porque você se vê responsável direto por outras vidas. E, ultimamente, com as campanhas pela preservação do planeta, essa noção acaba se tornando mais forte ainda e você pensa não só no tempo que você vai passar por aqui, mas em um tempo bem mais para frente, em que seus filhos vão viver.

Instituto Akatu – Está chegando o Dia dos Pais. Em sua opinião, o que é mais importante para os homenageados deste dia?
Jair Oliveira – Como pai, a coisa mais importante é ter um dia especial para dedicar ao sentimento que eu já tenho há quatro anos, desde que me tornei pai, que é essa coisa maravilhosa de ter uma relação de amor absoluto com minhas filhas. Acho que é um dia para marcar essa relação de amor entre pai e filhos, que na verdade é perpétua e que só é lembrada neste dia especial.

Instituto Akatu – E você, como espera ou gostaria que esse dia fosse? O que pretende fazer?
Jair Oliveira – Neste momento tenho convivido menos com minha família porque nós estamos estabelecidos em São Paulo, mas minhas filhas e minha mulher estão no Rio porque ela está gravando lá. [Jair é casado com a atriz Tânia Kalil]. Mas vou estar lá para passar o dia com elas, curtindo, e claro ligar para meu pai e, de alguma forma, estar com ele também.

Instituto Akatu
– É só isso? Não programou nada mais?
Jair Oliveira – Ahhh! [Risos] Estando do lado da família fica tudo certo, já é o maior presente para esse Dia dos Pais. E eu fico torcendo para que todos os pais tenham essa oportunidade, de estar junto ou sentir o carinho dos filhos nesse dia.

Instituto Akatu – Suas filhas são bem pequenas ainda e, portanto, dificilmente escolherão ou poderão comprar um presente para você, pelo menos por enquanto. Você vai se considerar presenteado por elas mesmo assim?
Jair Oliveira – O maior presente, e isso eu tenho quase todos os finais de semana, é quando vou ao Rio e passo o final de semana com minhas filhas e minha esposa. Esse é meu maior presente e, na verdade, graças às novas tecnologias, eu falo com elas os dias, inclusive com a possibilidade de vê-las na tela do computador.  Mas em fim, materialmente falando, nos últimos dois anos, no Dia dos Pais, eu recebo alguma coisa que a Isabela faz.

Instituto Akatu – Ela já em capaz disso?
Jair Oliveira – É sim. Essas crianças de hoje em dia são uma loucura. Nos últimos dois anos, eu recebi dela uma pintura, um desenho e eu fico muito, mas muito emocionado com isso. Quem é pai sabe muito bem do que estou falando. Provavelmente minha mulher me dê algum presente, mas isso é o que eu menos ligo, eu me realizo mesmo com a possibilidade de estar com todas elas. Acho que é isso que importa. Ganhar um CD ou uma camisa é legal, porque sempre que você for ouvir a música ou usar a roupa, você se lembra de que ganhou aquilo por ser pai, mas isso não se compara, nem de longe ao beijo, ao abraço, ao sorriso e as coisas que a Isabela faz para mim, que eu guardo com todo cuidado de mundo até hoje.

Instituto Akatu – Você acha possível um Dia dos Pais feliz, sem presente?
Jair Oliveira – A gente precisa começar a prestar atenção nas nossas atitudes. Então, muitas vezes, se você parar e pensar antes de ir às compras, você pode perceber que pode agradar seu pai ou sua mãe sem precisar passar perrengue. Infelizmente esse nosso desvio é causado por essa característica negativa do capitalismo desenfreado, chamando a gente para consumir o tempo todo e, infelizmente, a gente acaba perdendo um pouco da noção do significado real desses momentos por conta dessas megacampanhas para você comprar e dar presente para justificar o amor que você tem pelo seu pai ou sua mãe. Isso é tudo muito louco, equivocado e desnecessário e realmente muitas vezes as famílias nem tem condições de fazer isso e se desdobram para fazer parte de um ritual que é totalmente vazio. O real significado do Dia dos Pais é você ser lembrado e ser acariciado como pai, essa demonstração mútua do amor. Meu recado é a gente tentar retomar o real significado dessas datas. E, se quiser dar alguma coisa material, às vezes nem precisa gastar nada para isso, como os desenhos que minha filha faz e eu recebo e guardo com muito carinho.

Instituto Akatu – Você tem alguma prática do dia-a-dia que contribua para a sustentabilidade do planeta?
Jair Oliveira – No meu estúdio, temos uma preocupação muito grande em praticar pequenas ações que nos ajudam a economizar, mas que invariavelmente ajudam também a economizar os recursos da natureza. Desde a economia de água, de papel com a impressão das duas faces e a reciclagem. Temos também projetos culturais em fase de produção que incluem em nossos produtos mensagens em prol da sustentabilidade no planeta.

Instituto Akatu – E em casa?
Jair Oliveira – Faço as mesmas coisas com minha mulher e minhas filhas. Temos percebido que não é nenhum bicho de sete cabeças.

Instituto Akatu – As meninas também?
Jair Oliveira – A Isabela, a mais velha. Fica muito no controle disso.

Instituto Akatu – Mas ela tem 4 anos apenas?
Jair Oliveira – É, até porque ela já faz parte de uma geração que está crescendo com muita informação disponível sobre isso. Então, assim que a gente abre a torneira, por exemplo, ela já pede pra fechar. Às vezes fora do tempo, mas ela pede [risos].

Instituto Akatu – Em vez de perguntar “que mundo você planeja deixar para as filhas?” pediria que você comentasse que filhas vai deixar para o mundo.
Jair Oliveira – Essa é a principal questão para qualquer pai ou qualquer mãe. Eu acho que o futuro a gente não controla, mas se existir alguma possibilidade disso, com certeza isso se dá pela educação que a gente passa para os nossos filhos hoje.  E o consumo consciente, em uma sociedade capitalista, se pauta pela moderação. Mas é muito difícil até para nós mesmos. Mas eu e minha mulher estamos tentando passar esses valores para elas, principalmente a Isabela, que é a mais velha, e mostrar um caminho que a gente acha que é certo. Mas por outro lado, acho que é muito nítido que a geração das minhas filhas vai conviver com a natureza de uma maneira muito mais inteligente, integrada e respeitosa do que nós. Acho que elas estão crescendo em um momento determinante no que diz respeito a como vamos lidar com o planeta.

Instituto Akatu – Para ajudar vocês nesse desafio, navegue com a Isabela pelo Akatu Mirim (www.akatumirim.org.br), um portal para crianças produzido pelo Akatu, que mostra de onde vem e para onde vão as coisas que temos, desde alimentos, roupas, brinquedos, material escolar, entre outros. Brincando, a criança começa a tomar contato com coisas como ciclo de vida e cadeia produtiva, para entender que os bens não nascem do nada e que tudo está interligado.
Jair Oliveira – Claro. Vou lá olhar sim e com certeza mostrar para Isabela. Muito obrigado! Inclusive temos projetos culturais para esse público ainda em fase de produção que levarão a mensagem da sustentabilidade. Com certeza vou navegar lá.

Instituto Akatu – Obrigado pela conversa e feliz Dia dos Pais para você.
Jair Oliveira – Eu que agradeço, de verdade. E aproveito para deixar um abraço a todos os pais do Brasil. Muito obrigado.

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