Dia das Crianças com presente, sem desperdício

Terceira data de maior movimento no comércio – atrás apenas do Natal e Dia das Mães –, é uma bela oportunidade para compartilhar com os filhos o consumo consciente

O Dia das Crianças é a terceira data do ano para em movimento de vendas de mercadorias no varejo, só perde para o Natal e o Dia das Mães. Mas, não é só a conta bancária que fica no vermelho por causa dos exageros nas lojas, a conta da humanidade com o planeta também.

Matérias primas, insumos, energia, água, esgotos industriais, produtos químicos, petróleo, transporte, embalagens, poluição, emissão de gases de efeito estufa, resíduos. É inevitável, todo ato de consumo produz impactos na natureza, e o desafio é ampliar os positivos e reduzir os negativos. Hoje, a humanidade já consome e descarta 30% a mais do que o planeta consegue repor e absorver.

Isso significa que precisamos produzir e consumir de forma mais sustentável. Dia 12 de outubro é uma ótima oportunidade para aprofundar o consumo consciente ou começar a praticá-lo. E ser um consumidor consciente não significa não consumir. Significa consumir menos e diferente. Menos água, menos energia, menos carne, menos petróleo, menos recursos não renováveis… Basicamente, é consumir de forma mais responsável: é se programar antes da compra, evitando dívidas desnecessárias e desperdícios; buscar informações sobre as empresas produtoras e comprar daquelas que são éticas e se guiam pelos princípios da responsabilidade social e ambiental; ler atentamente rótulos, para observar as recomendações técnicas; priorizar produtos que usam menos embalagens para evitar a geração de resíduos.

Portanto, não é necessário deixar as crianças sem presente. Basta prestar atenção a alguns princípios e começar a mudar o estilo de vida; aos iniciados cabe aprofundar as mudanças. O mais importante princípio é o da sustentabilidade, que, em linhas gerais, alerta que podemos sim consumir no presente, conservando, no entanto, o mesmo consumo para as gerações do futuro. O que fazemos hoje é emprestar de nossos filhos e netos água, energia e matérias retiradas do planeta; não podemos deixá-los sem recursos, nossa obrigação é saldar essa dívida.

Antes de decidir o que comprar, portanto, é necessário estipular um valor limite a ser gasto, de acordo com as possibilidades financeiras da família. “A ideia é comprar presentes, não preocupação. Então, compre aquilo que é possível no momento e deixe isso claro para o presenteado”, recomenda Elaine Toledo, consultora do Instituto Akatu e autora do livro Saiba mais para gastar menos.

“Pais não devem se torturar por não dar a seu filho tudo que ele pede. Aliás, isso é fundamental para que ele se torne um adulto produtivo, com auto-estima e capaz de assumir responsabilidades”, recomenda a pedagoga e especialista em educação financeira para crianças Cássia de D´Aquino. “O mais importante é que os pais se mostrem presentes na vida dos filhos a todo momento e, em particularmente, nestas datas especiais”.

Pesquisa de preços
Pesquisar e comparar preços também é consumir com consciência. Um levantamento feito recentemente pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon – SP) revelou que os preços de um mesmo brinquedo chegam a variar até de 130% na capital.

Clique aqui para ver mais detalhes.

Valéria Rodrigues Garcia, diretora de Estudos e Pesquisas do Procon-SP, aconselha os pais a comprarem presentes em estabelecimentos devidamente licenciados. “Esses produtos são um pouco mais caros que os vendidos pelos ambulantes, mas em contrapartida, oferecem menor risco a seus usuários”.

Selo de qualidade

A segurança é a palavra-chave no momento de comprar brinquedos para crianças. “A primeira dica importante é que os pais procurem pontos de venda legalmente estabelecidos”, adverte Paulo Coscarelli, diretor de qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

No ato da compra, é fundamental verificar os dados sobre a faixa etária do brinquedo, identificação do fabricante, instruções de uso e montagem e a presença do selo do Inmetro. Esse selo é obrigatório para produtos nacionais e estrangeiros destinados a crianças com menos de 14 anos.

“O selo do Inmetro é a principal evidência de que o produto é legal e está em conformidade com os requisitos técnicos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas”, afirma Coscarelli.

Criança vai às compras

Incluir a criança no processo da compra – decidir com ela quanto gastar, o que comprar, e discutir com ela os fatores socioambientais que levaram a escolha do produto – valoriza a educação dela. Mas se a idéia é fazer uma surpresa, é interessante explicar à criança, que ao comprar o presente, houve a preocupação de causar impactos positivos na sociedade, na economia e no meio ambiente.

Segundo Cecília Gasparian, psicopedagoga e diretora científica da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPP), “as crianças estão na fase inicial de compreensão do mundo, por isso, quanto mais cedo começarem a lidar com a responsabilidade de preservar o meio em que elas também vão criar seus filhos, tanto melhor”.

Leia mais:

Dicas do Instituto Akatu para praticar o consumo consciente no Dia da Criança

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