Dia da Sobrecarga da Terra: mudar o impacto do seu consumo não é coisa de outro mundo

Saiba como as suas escolhas alimentares impactam o planeta, acelerando o uso de recursos naturais.

O Dia da Sobrecarga da Terra (Overshoot Day) chegou mais cedo neste ano, segundo a Global Footprint Network (GFN) , que faz esse cálculo. Hoje, dia 29 de julho de 2019, é o momento em que a demanda da humanidade por recursos naturais e serviços ecossistêmicos ultrapassa o que o planeta consegue regenerar em um ano. Esta é a data mais recente desde que o mundo estourou seu “orçamento ambiental” pela primeira vez, no início da década de 1970. Hoje, já consumimos 70% mais do que a Terra consegue regenerar em um ano!

Para medir os impactos do consumo da humanidade sobre os recursos naturais, a GFN calcula a “pegada ecológica” da população global, que leva em consideração a emissão de gases de efeito estufa na geração de energia, a área construída para habitação, a demanda de produtos florestais para manufatura de madeira e papel, a agricultura e a pecuária para produção de alimentos, e a pesca.

A boa notícia é que todos nós podemos, em nossas atitudes cotidianas, contribuir para que essa data deixe de ocorrer cada ano mais cedo. Como exemplo, uma mudança simples na escolha dos alimentos que compõem suas refeições pode fazer uma grande diferença em termos de impacto.

Segundo o World Resources Institute , o Brasil é o país que mais consome carne vermelha no mundo. No entanto, a pecuária – envolvendo todos os rebanhos e não apenas o de bovinos – é uma das atividades que mais emite gases de efeito estufa (GEE), responsáveis pelo agravamento das mudanças climáticas. Isso ocorre principalmente por conta da abertura de novas áreas para pastagens, que requer mudanças no uso da terra, que ocorrem por meio do desmatamento, muitas vezes ilegal.

No Brasil, a pecuária bovina é responsável por 80% do desmatamento da Floresta Amazônica (Yale University). Além desse fato, quando comparada a outras fontes de proteínas, a produção de carne bovina requer 20 vezes mais terra por grama de proteína comestível do que o requerido pelas proteínas vegetais, como o feijão, segundo o World Resources Institute.

Nesse contexto, a criação global de gado bovino é responsável por mais de 60% das emissões totais da pecuária, que inclui também as criações de suínos e de aves que, segundo a FAO, são responsáveis por 9% e 8% das emissões da pecuária, respectivamente. Os demais rebanhos são responsáveis pelo restante das emissões da pecuária, havendo uma grande diferença entre eles.

Enquanto a produção de 1kg de carne bovina emite 27 kgCO2e (quilogramas de gás carbônico equivalente), a de outras fontes de proteína, como a carne de porco, o frango e o atum (peixe), emitem, respectivamente, 12,0, 6,9 e 6,1 kgCO2e. E, considerando proteínas vegetais, para a produção de 1kg de feijão são emitidos 2 kgCO2e. A diferença no caso da carne bovina é enorme!

Embora a cadeia produtiva da carne bovina contribua para um uso excessivo da capacidade do planeta de regeneração de recursos naturais, isso não quer dizer que é preciso parar de consumi-la, mas que se deve consumir com consciência, evitando exageros.

Por exemplo, considerada apenas a quantidade de proteína, aquela contida em uma porção de 83g de carne bovina pode ser substituída por: 81g de carne suína, 120g de frango ou 240g de feijão, segundo o World Economic Forum.

Se a média global de consumo de carne bovina fosse reduzida em 50%, substituindo essa metade integralmente por proteínas vegetais, a data do Dia de Sobrecarga da Terra seria adiada em 15 dias! De outro lado, se a pegada ecológica global dos alimentos for reduzida em 50% – por meio da transição para dietas vegetarianas e da eliminação do desperdício de alimentos – essa data poderia ser adiada em 38 dias.

Nesse contexto, vale repensar o seu consumo, especialmente de carne bovina, antes de fazer o seu prato de comida. Lembre-se de que mudar o seu impacto sobre o meio ambiente não é uma coisa de outro mundo. Os consumidores podem exercer um papel fundamental na redução dos impactos negativos da produção de carne bovina por meio da redução de seu consumo em seu cotidiano. Isso não significa ter que parar de comer carne, mas consumi-la de forma consciente, mais moderada, substituindo-a por outras fontes de proteínas.

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