Desigualdade piora impactos das Mudanças Climáticas para os mais pobres

Novo relatório lançado pela ONU afirma que nos últimos 20 anos, 4,2 bilhões de pessoas foram afetadas por desastres naturais; países de baixa renda tiveram as piores perdas, cerca de 5% do PIB

Mumbai, na Índia. Crédito: Creative commons/Jon Hurd

 

Comentário Akatu: os desastres causados pelas Mudanças Climáticas estão afetando a população mundial, principalmente os mais pobres, como mostra a reportagem abaixo. De acordo com a ONU, as catástrofes climáticas de 2015 mataram 22.773 pessoas. E a situação pode piorar. O aumento da temperatura global, que gera essas alterações climáticas no planeta, se deve, principalmente, à crescente concentração de gás carbônico (e de outros gases de efeito estuga) na atmosfera. Entre as várias fontes de emissão desses gases estão o uso da terra, o desmatamento, a agropecuária, a indústria, o descarte inadequado de resíduos, o setor de energia e a queima de combustíveis fósseis. Nesse sentido, os consumidores são parte do problema, visto que as diversas fontes de emissão de gases têm sua atividade relacionada à produção e ao consumo de bens e serviços. Mas os consumidores podem também ser parte da solução. Por meio de suas práticas cotidianas de consumo – na compra, uso ou descarte de produtos ou serviços – as pessoas podem escolher atos de consumo que tenham os melhores impactos sociais e ambientais. Nessa direção, podem escolher comprar de empresas que produzem de forma mais limpa, comprar produtos cuja cadeia de produção cuida da sociedade e cujo uso tenha menos impactos negativos e mais positivos. A alteração de hábitos cotidianos simples, buscando não desperdiçar água, energia, alimentos, por exemplo, tem impactos significativos ao longo do tempo e ajudam no combate às mudanças climáticas. Estes novos comportamentos, a partir de uma nova consciência, são primordiais para reduzir o aquecimento global e suas consequências ruins ao clima do planeta.

 

Um novo relatório das Nações Unidas traz evidências de que a mudança climática está prejudicando principalmente as pessoas mais pobres e vulneráveis no mundo. Os impactos são ampliados pelas desigualdades, segundo a Pesquisa Econômica e Social Mundial 2016.

O documento trata da resiliência às Mudanças Climáticas e mostra que os governos podem acabar com as desigualdades por meio de políticas transformadoras.

Mais Pobres
Nos últimos 20 anos, 4,2 bilhões de pessoas foram afetadas por desastres relacionados ao clima. Países de baixa renda sofreram os maiores impactos, com perdas econômicas calculadas em 5% do Produto Interno Bruto, PIB.

O relatório traz um comentário do secretário-geral da ONU. Ban Ki-moon lamenta que as pessoas que têm mais risco de sofrer de desastres climáticos sejam os “pobres, os vulneráveis e os marginalizados”.

As famílias pobres são geralmente as que constroem em terrenos inseguros, que podem sofrer deslizamentos, contaminação de água e enchentes. Dados mostram que 11% da população mundial vivia em zonas costeiras de baixa elevação em 2000 – a maioria pobre e sujeita a sofrer com cheias, sem condições de ir morar em áreas mais seguras.

Katrina
O relatório cita como exemplo a cidade de Mumbai, na Índia, onde as famílias mais pobres estão sempre precisando consertar as casas devido aos impactos das enchentes.

Já a cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, enfrentou o furacão Katrina em 2005, sendo que as desigualdades geradas por renda, raça e educação aumentaram a vulnerabilidade da população. Segundo a pesquisa, os afro-americanos tiveram mais dificuldades para se recuperar dos impactos causados pelo furacão.

Financiamento
O relatório defende políticas que reforcem a capacidade de pessoas e países lidarem com os impactos dos eventos climáticos. Olhando para o futuro, o documento sugere o uso de tecnologias da comunicação e sistemas modernos de informação geográfica.

Existe a preocupação com o financiamento de projetos do tipo. Durante a Conferência do Clima em Paris, no ano passado, os países adotaram a meta de investir US$ 100 bilhões por ano para mitigação e adaptação da mudança climática.

A Pesquisa Econômica e Social 2016 foca nos desafios de médio e longo prazo para implementar a Agenda 2030 sobre Desenvolvimento Sustentável. O documento foi produzido pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa.

 

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