Coordenador de rede de ONGs chama atenção para ameaças à Mata Atlântica

Apenas 7% do bioma original, que cobria 17 Estados brasileiros onde moram cerca de 70% da população do país, está preservado

Comentário Akatu: O consumidor tem papel importante na preservação ambiental. Ao escolher produtos ecologicamente corretos, como móveis feitos com madeira certificada pelo FSC (“selo verde”), e a não manter animais silvestres como bichos de estimação, manda a mensagem de que não aceita a exploração predatória de madeira ou o tráfico da biodiversidade. A melhor maneira de acabar com o comércio irresponsável é eliminar o consumo irresponsável, promovendo o consumo consciente.

A Mata Atlântica é o ecossistema mais crítico do planeta. A afirmação foi feita pelo coordenador nacional da Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica, Pedro Aranha. “É o bioma mais ameaçado que a gente tem”, disse. Segundo ele, dados atualizados apontam a existência, hoje, de apenas 7% da Mata Atlântica original que cobria 17 Estados brasileiros.

Aranha lembrou que os Estados com melhor conservação de fragmentos da mata original são o Rio de Janeiro e Santa Catarina, que, mesmo assim, não estão livres de ameaças constantes. No Rio, o problema principal é a especulação imobiliária e, em Santa Catarina, apesar de estar proibida, é a questão da madeira.

Para conter a devastação, Aranha informou que têm sido desenvolvidas ações conjuntas do governo federal com a Rede de ONGs da Mata Atlântica. Uma delas é a liberação de financiamentos do banco alemão KFW, com recursos em torno de quase 16 milhões de euros, numa parceria com o governo brasileiro. Os financiamentos são para as ONGs desenvolverem programas criando conectividade entre os fragmentos.

De acordo com Aranha, a primeira chamada para linhas de financiamento já está no mercado e as ONGs têm até 31 de junho para mandar seus projetos de gestão participativa em unidades de conservação e de criação e implementação de novas unidades de conservação, incluindo parques, reservas biológicas e reservas particulares do patrimônio natural.

“Para a Mata Atlântica, é fundamental, porque 70% das terras da Mata Atlântica ainda estão nas mãos de proprietários particulares. Então, é importante a criação de reservas particulares do patrimônio natural para que se crie conectividade nesses fragmentos que ainda temos de Mata Atlântica”, esclareceu.

Aranha destacou também o lançamento do Programa da Mata Atlântica, previsto para outubro. O projeto, elaborado pelo governo federal, vai integrar organizações não-governamentais, prefeituras e governos estaduais.

Ele chamou a atenção para o fato da Amazônia ser transformada em uma nova Mata Atlântica em termos de devastação, por questões econômicas. “Todos os ciclos econômicos brasileiros passaram pela Mata Atlântica: começou com o pau-brasil e terminou com a indústria. A mesma coisa a gente está vendo na Amazônia. Começou com a indústria, e hoje é a soja. A relação entre uma e outra é igualzinha”.

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