Continua a polêmica dos alimentos transgênicos

Seminário internacional, realizado em São Paulo, promove embate entre defensores e críticos dos organismos geneticamente modificados

Seminário Internacional realizado no auditório da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, na quarta-feira, 31 de outubro, discutiu o impacto dos alimentos transgênicos  na saúde, no meio ambiente e na economia. O evento contou com a participação de especialistas brasileiros e também com a presença do norte-americano Jeffrey Smith, diretor do Institute for Responsible Technology e autor dos livros Seeds of Deception (Sementes da Decepção) e Genetic Roulette (Roleta Genética).  Smith é reconhecido como um dos grandes críticos a forma como as culturas transgênicas foram introduzidas na produção de alimentos em todo o mundo.

Em sua apresentação, Jeffrey Smith, ressaltou o que ele considera como mentiras e  manipulações que a indústria ligada a produção dos OGMs – os organismos geneticamente modificados – tem usado para fazer valer seus pontos de vista. Para Smith, muitos cientistas já apresentaram relatórios de análises comprovando a presença de toxinas e substâncias que provocam alergia e foram desconsiderados pelas empresas produtoras. Em seu lugar, foram divulgadas pela indústria, pesquisas que mostravam os transgênicos como inofensivos aos seres humanos. Ele também destacou os impactos danosos ao meio ambiente com uso excessivo de herbicidas e a perda da biodiversidade através da contaminação de plantações não transgênicas. Smith citou o exemplo das plantações de soja transgênica  nos Estados Unidos onde o uso do agrotóxico Roundup Ready produzido pela Monsanto cresceu 38% de 2005 para 2006.

Ao ouvir de Jeffrey Smith que os agricultores brasileiros e norte-americanos vêm perdendo dinheiro com a plantação de soja transgênica, o biólogo Marcelo Menossi, professor do Departamento de Genética de Evolução e coordenador do Laboratório de Genoma Funcional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ironizou a afirmação. Ele disse que se fosse verdade, os agricultores gaúchos já estariam falidos. Menossi, conhecido defensor dos transgênicos, elogiou a recente decisão da CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – de liberar a produção do milho BT no país, uma variedade geneticamente modificada.

A liberação dessa cultura de milho transgênico, já produzida em vários países, foi bastante criticada pelo pesquisador norte-americano e também por Rubens Nodari, membro da CTNBio e representante do Ministério do Meio Ambiente presente ao evento. Para ambos, o Brasil perde a oportunidade de manter sua produção de culturas convencionais como soja e milho que possuem mercado no exterior. Alguns exemplos econômicos foram levantados como sendo argumentos convincentes contra a adoção dos transgênicos: São os casos de países europeus que tem restringido a compra de produtos transgênicos e pesquisas com consumidores da Europa e de outros continentes que afirmam não querer consumir organismos geneticamente modificados.

Para os consumidores finais, o quadro está bastante indefinido, com autoridades defendendo pontos-de-vista opostos. Enquanto não se chega a um veredicto final sobre os prejuízos ou não dos organismos geneticamente modificados, o melhor é ter prudência e preferir os alimentos convencionais. Porém, mesmo isso está difícil, já que poucos produtos obedecem à lei e indicam em suas embalagens que o artigo contém OGMs. Talvez o principal desafio seja pressionar a indústria a respeitar a lei que obriga os fabricantes a identificar com um triângulo amarelo todos os produtos que contém material transgênico.

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