Consumo consciente: uma atitude para além do discurso

O consumo consciente é o conjunto das relações de consumo pautada na ética e no compromisso de se construir uma sociedade mais justa, generosa e responsável

Quando se pergunta aos cidadãos comuns, buscando saber uma definição, o que é o consumo, essa definição esbarra e se limita às atitudes corriqueiras do comprar e gastar para suprir uma necessidade pessoal, demonstrando muitas vezes que as relações sociais e/ou econômicas envolvidas no processo de produção de bens e serviços, que acompanham o ato de consumir, passam despercebidas no cotidiano dos consumidores e, consequentemente, na sociedade.

Sendo o consumo uma das mais importantes atividades sociais da atualidade, se faz necessário pensar o que é o ato de consumir e que conseqüências o tipo de consumo praticado em uma sociedade pode trazer.

Durante muito tempo, as características valorizadas pelos consumidores na hora da compra de um produto ou utilização de um serviço eram a qualidade e o preço, sendo que um deveria se ajustar ao outro para que valesse a pena consumir. A partir disso, as empresas que tinham interesse em expandir seu mercado trataram de atender às necessidades e preocupações de seus consumidores, até que a relação qualidade/preço se tornou um imperativo nas leis de mercado, fazendo com que todas as empresas que quisessem competir no mercado se ajustassem à lei. Hoje em dia, as empresas que querem expandir seus mercados estão tendo que se preocupar com a responsabilidade social de suas decisões, pois o que os consumidores estão valorizando na hora de consumir é desde o modo como os funcionários são tratados na empresa até que atitudes a empresa toma em relação aos prejuízos que a sua produção traz para a sociedade. A partir disso, as empresas socialmente responsáveis se comportam para além do que a lei exige. Deixa de ser suficiente pagar os impostos e benefícios aos funcionários.

O que pode ser feito, então, pelos consumidores, pela sociedade, pela comunidade, pelos acionistas, pelo governo (stakeholders)?

Já que as empresas estão fazendo da responsabilidade social um diferencial de mercado para que possam ter, cada vez mais, maiores fatias do mercado, a sociedade e, principalmente, o consumidor, pois é ele quem decide o que vale a pena consumir, devem pensar e levar em consideração as atitudes da empresa em relação à sociedade na hora da compra, escolhendo aquelas que tenham uma postura mais socialmente responsável, transformando o discurso socialmente aceitável em ação efetiva, através de prática do consumo consciente, desde o microcosmos das casas dos consumidores, que não só deixam de consumir produtos e serviços de uma empresa que desperdiça água e energia, mas também economizam água e energia ensinando os filhos, até a esfera da dinâmica de mercado, em que uma empresa socialmente irresponsável não tem espaço e é expelida do sistema.

O ato do consumo consciente tem grande poder, faz com que as empresas aumentem o impacto positivo de suas ações dentro de sua comunidade. As empresas transformarão em ação seu discurso de proteção ambiental ou de preocupação social e o consumidor não vai mais consumir um produto porque a empresa tem um discurso correto, e sim porque a empresa que faz o produto realmente faz algo por um mundo melhor. Cada consumidor consciente deve ter também como meta a propagação do consumo consciente, aos poucos, dentro de cada comunidade. A participação ativa dos consumidores colabora com as empresas, entidades sociais e governos para que atuem com compromisso social.

Com o tempo, a responsabilidade social das empresas será um imperativo no mercado e a sociedade só tem a se beneficiar. O movimento dos consumidores, que começou na década de 60, quando o então presidente dos Estados Unidos da América, John F. Kennedy reconheceu os Direitos do Consumidor (segurança no consumo, informação sobre produtos e serviços, direito de escolha e direito de ser ouvido) atinge agora um novo patamar, fazendo com que as conseqüências da produção e do mercado que só se manifestarão no médio ou longo prazo comecem a ser compensadas desde já, garantindo o primeiro dos direitos do consumidor: segurança no consumo.

A construção de um mundo melhor, um lugar menos desigual, com uma melhor qualidade de vida para todos, tem como arma a favor o consumo consciente, em que a opção por um produto de igual qualidade e preço, mas de uma empresa socialmente responsável, no futuro, vai fazer diferença. Os cidadãos só tem a ganhar.

Maitê F. Gauto é estudante de ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP)

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