Consumo consciente contribui para reduzir impactos sobre habitat de animais

Casos de extinção de algumas espécies de gorilas e ursos polares estão ligadas às atividades humanas. Problema é desencadeado por hábitos de consumo

Recentemente, o jornal britânico The Independent noticiou a ameaça de extinção dos orangotangos nas florestas da Indonésia. Segundo números de organizações ligadas ao tema, se mantidas as atuais condições de sobrevivência, a espécie entrará em extinção num período que varia entre dez e vinte anos. Calcula-se em 50 mil o número de orangotangos existentes no continente asiático, mas estimativas indicam que a cada ano 5 mil morrem em razão de incêndios que destroem seu habitat natural.

Em outra parte do mundo, no pólo norte, cinco das dezenove populações existentes de ursos polares entraram em declínio ao longo de 2006, segundo um relatório publicado em dezembro passado pelo IUCN, grupo especialista em ursos polares da União Mundial para a Conservação.

A ameaça de extinção de uma espécie, fruto de milhares de anos de evolução, por mais insignificante, ou distante que possa parecer, pode provocar um grande desequilíbrio no ecossistema de todo o planeta. Assim que uma população diminui, a espécie que servia como alimento da primeira tem um surto de crescimento populacional. Por outro lado, as espécies que tinham como fonte de alimento o animal que está desaparecendo, também tendem a diminuir. Assim, o desequilíbrio vai mudando de nível na chamada cadeia alimentar. Cada animal mantém uma relação com outro nessa cadeia, que inclui, direta ou indiretamente, o homem.

A preservação das espécies, o grande desafio para os grupos que trabalham em sua defesa, pode, em boa parte, ser amenizada por hábitos de consumo que considerem os impactos desse ato. As mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global são fatores que contribuem para a extinção de animais como o urso polar, que sofre as conseqüências do degelo das calotas. A emissão de gases, como o carbono, está no centro do desequilíbrio, já que provoca o aquecimento global. Por mais distante que possa parecer para o consumidor brasileiro, usar menos o carro e economizar energia elétrica, são atitudes com impacto direto na produção dos gases de efeito estufa, contribuindo para a preservação das espécies no planeta.

Quando o consumidor escolhe, com consciência, deixar o carro em casa e economizar energia elétrica, sente a diferença no próprio orçamento doméstico. Esse impacto positivo repercute na sociedade, já que esse consumidor poderá escolher novos produtos ou serviços com a economia gerada, e será um exemplo na família, entre amigos ou vizinhos. Ao mesmo tempo, o impacto ecoa no meio ambiente, pois o seu consumo consciente de combustível e energia vai exigir uma produção menor, e a produção gera gases de efeito estufa. O consumidor consciente estará, assim, poupando recursos naturais e contribuindo para a preservação da vida no planeta.

No caso dos macacos da Indonésia, uma das possíveis causas apontadas para os incêndios é a devastação de regiões da mata para a plantação de palmeiras, cujo óleo é utilizado em parte considerável da produção local. Ironicamente, o óleo também é uma das apostas na corrida por um combustível ecologicamente viável e substituto do petróleo e do diesel.

No entanto, o consumidor consciente detém o poder de escolher a qualidade do mundo em que vai viver, de acordo com as escolhas de consumo que faz. Ao conhecer a origem dos produtos e valorizar empresas com práticas de produção que respeitem o meio ambiente e a sociedade,– comprando seus produtos e serviços ou falando bem delas para outras pessoas –o indivíduo determina uma demanda de mercado. Assim, estimula empresas a adequarem seus métodos a esse critério. É como o poder de “voto”.

Aquecimento global
Já as causas apontadas para o declínio das populações de ursos polares, dizem os especialistas, estão diretamente ligadas às mudanças climáticas. Na região estudada, foram relatados casos de afogamento e canibalismo, além do aumento dos chamados ursos “problemáticos”, encontrados nos arredores de comunidades árticas em busca de comida. Em 2001, ano em que foi realizada pesquisa semelhante, apenas uma das populações existentes de ursos polares apresentou queda.

A região ártica apresenta um aquecimento duas vezes superior ao registrado no restante do mundo, fator que contribui para o aumento do degelo. Isso afeta o modo de vida dos ursos e de outras espécies do local, já que reduz, literalmente, o espaço para a sobrevivência desses animais. O urso polar, especialmente, depende do gelo para caçar focas e animais marinhos.

Como conseqüência do derretimento das calotas polares do ártico, as mudanças climáticas podem provocar aumento do nível dos mares, afetando diretamente as populações costeiras.

Para o problema do aquecimento global, causado pelo aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera – emitido em sua maior parte pelas atividades humanas, o exercício do consumo consciente é de grande ajuda para reverter esse processo. Algumas alterações simples de rotina, como reduzir quando possível o uso de veículos automotores (e, consequentemente, reduzindo a queima de combustíveis fósseis) já causam efeitos significativos quando realizados ao longo de muito tempo. Quando realizados por mais pessoas por um longo tempo, o efeito é multiplicado.

Com informações do The Independent.

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