Consumir menos, mais ou de outro jeito?

A chave para minimizar os efeitos ambientais do consumo não é necessariamente comprar menos, mas diferente

A ONG Adbusters, por meio de sua iniciativa “Buy Nothing Day”, defende a redução do consumo individual, mesmo que por um único dia. Mas depois dos acontecimentos de 11 de setembro, muitos setores da sociedade passaram a defender exatamente o oposto: gastar e comprar mais. Líderes mundiais estão pedindo para seus cidadãos abrirem suas carteiras neste Natal para que não se cristalize a tendência de freio dos gastos de consumo e de enfraquecimento ainda maior do já frágil clima econômico.

Se aceitarmos a correlação entre a piora da situação econômica global e os ataques de 11 de setembro, devemos nos perguntar sobre a mensagem que o “Buy Nothing Day” (BND) oferece ao mundo neste momento: devemos comprar e propulsionar as economias do mundo ou parar de consumir e considerar os impactos ambientais de longo prazo do consumo? Existirá, talvez, uma terceira via?

O time da Adbusters propõe este debate em um fórum de discussões na internet. O debate “Por que celebrar o ‘Buy Nothing Day’ depois de 11 de setembro?” pergunta se “devemos acabar com a campanha ‘Buy Nothing Day’ depois dos trágicos ataques ou devemos elevar o volume da nossa mensagem até a máxima altura possível?”. O fórum, que já conta com mais de 10 páginas de comentários, toca em todos os componentes da equação.

Por exemplo, a Beverly, da Califórnia, disse “eu converso com muitas pessoas para apoiarem o BND. O consumismo está fazendo nossa cultura adoecer. Todos devem sempre comprar menos”. Além de comentários de apoio como este, levantam-se também oportunidades, como estender o BND para o período do Natal ou contatar os consumidores em momentos chave em filas de caixas. Alguns pontos relevantes também são levantados desde um outro ponto de vista: Laura, de Kansas City, EUA, soma-se àqueles que levantam críticas ao BND: “Jamais houve razões para comemorar o ” Buy Nothing Day’, mesmo antes dos ataques de 11 de setembro. As pessoas que pensam colaborar com o meio ambiente não comprando em um dia por ano estão se fazendo de bobas. Elas não estão comprando menos, apenas comprando mais tarde”.

Consumir menos é, certamente, parte das alternativas, mas poucos dos comentários feitos no fórum até agora levantaram questões como o re-uso, a reciclagem ou a incorporação de custos ambientais aos produtos. Consumidores podem usar seu poder de compra para modificar as condições do mercado, ao preferir produtos ‘verdes’ ou demandar mudanças na maneira que os produtos são feitos ou usados. Governos, por meio de políticas públicas, podem também ter um grande impacto na implementação de infra-estrutura que facilite as escolhas verdes do consumidor.

A chave para minimizar os efeitos ambientais do consumo não é necessariamente consumir menos, mas consumir diferente. Consumir menos é, claro, um bom caminho, especialmente nos países ricos, enquanto consumir diferente — como por exemplo, re-usando e reciclando produtos e comprando itens construídos com considerações ambientais — pode ser mais realístico.

Se pensarmos holisticamente, a resposta não é mais ou menos. A equação deve ser: ‘mais’ (para os pobres) + ‘menos’ (para os ricos) + ‘diferente’ (para todos)] consumo = melhor futuro ambiental e social para a humanidade e o planeta.

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