Com chuvas abaixo da média, Cantareira pode secar em quatro meses

Segundo estudos do Cemaden, caso as chuvas continuam 50% abaixo da média, o manancial poderá secar até junho

Sistema Cantareira. Crédito: Creative commons/Ninja Midia

 

Comentário Akatu: Inovações tecnológicas e políticas públicas podem ser ferramentas efetivas para a transição para uma sociedade mais sustentável. Mas é importante lembrar que é preciso também inovar nos padrões de produção e de consumo para que seja possível alcançar o bem-estar desejado pela sociedade com um uso muito menor de recursos naturais como a água. Hoje, já consumimos e descartamos 50% mais recursos naturais renováveis do que o planeta é capaz de regenerar e absorver, inclusive a água. A crise hídrica no Sistema Cantareira é gravíssima, como mostra a reportagem abaixo. Necessitamos, ao mesmo tempo, de uma produção mais responsável e de um consumo mais consciente.

 

Projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) revelam que, caso as chuvas na região do Sistema Cantareira continuem 50% abaixo da média e a captação se mantenha nos níveis atuais, esse manancial poderá secar daqui a quatro meses, no início de junho.

O centro, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, traçou modelos baseados em diferentes cenários de precipitação e captação. Para a projeção, foi analisada a rede de 33 pluviômetros automáticos instalados nas bacias de captação do Cantareira, em Jacareí, Cachoeirinha e Atibainha.

De acordo com Adriana Cuartas, hidróloga e pesquisadora do Cemaden, foram traçados cinco panoramas levando em conta as possíveis incidências de chuva. Os pesquisadores compararam os resultados com a série histórica de precipitações, desde 2004, disponibilizada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Em janeiro, o índice de chuvas no Cantareira mostra-se pior que o cenário projetado pela pesquisadora. Até ontem, dia 20, choveu apenas 60,9 milímetros desde o início do mês, o equivalente a 22,5% da média histórica para janeiro. “Vamos esperar o mês terminar para fazer a projeção. Estamos monitorando, avaliando e vendo o que acontece em janeiro para renovar as projeções”, disse. O nível dos reservatórios caiu de 5,8% para 5,6%.

Segundo Adriana, no trimestre formado por outubro, novembro e dezembro choveu 60% da média histórica. Num cenário otimista, de chuvas dentro da média histórica, o volume morto do Cantareira não secaria, mas permaneceria em níveis críticos. “O sistema não conseguira voltar para o volume útil”, esclarece. Nesse caso, o manancial dependeria da próxima estação chuvosa para se recuperar, a partir de 30 de setembro.

Na opinião da especialista, o ideal é reduzir a captação, o que significa diminuição no consumo ou aumento do racionamento. “Um dos cenários [traçados pelos pesquisadores] mostra que precisa diminuir muito a captação para não ficarmos numa situação perigosa”.

 

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