Coleta de pilhas e baterias ganha reforços

Carrefour, apoiador do Akatu, está montando postos de recolhimento para estes materiais nos supermercados de sua rede

Preocupada em dar um destino mais adequado para a imensa quantidade de pilhas e baterias que são diariamente descartadas sem nenhum cuidado, a rede de supermercados Carrefour, apoiada pelo Instituto Akatu, pretende montar um posto de coletas desses materiais em algumas de suas lojas em São Paulo.

Sem esperar ações do poder público em São Paulo, parte da iniciativa privada tenta encontrar destinos mais adequados para a imensa quantidade de baterias e pilhas contendo metais pesados que é cotidianamente descartada pelos consumidores. A rede de supermercados Carrefour, por exemplo, pretende ainda no primeiro semestre montar postos de coleta de baterias usadas em algumas lojas em São Paulo. O projeto do gigante varejista francês junta-se a outras iniciativas semelhantes que poderão contribuir para popularizar esse e outros hábitos que visam a proteção do meio ambiente.

Baterias e pilhas contêm metais pesados altamente nocivos. Cerca de 1% do lixo recolhido na capital é formado por resíduos com grande concentração de elementos tóxicos, como mercúrio, cádmio e manganês – segundo o professor Jorge Tenório, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

‘Após os testes em São Paulo, levaremos as urnas de coleta de baterias a outras praças. Nosso poder de comunicação junto aos consumidores pode ser forte’, afirma a gerente de Recursos Humanos do Carrefour, Neide Rocha. Por trás do projeto da rede de supermercados, está o Instituto Akatu – organização não governamental criada para incentivar o consumo responsável. Patrocinada e mantida por ao menos 12 empresas de variados segmentos, a entidade lançou ontem a campanha ‘Sou Mais Nós’. Em linhas gerais, tem como objetivo estimular 14 ações de consumo consciente, para induzir o consumidor a escolher marcas que não apenas satisfaçam suas necessidades, como também preservem o meio ambiente. Uma das ações que estão sendo sugeridas pelo Akatu é levar pilhas e baterias usadas a postos de coleta.

Mais de 500 milhões de baterias e pilhas com metais pesados são vendidos por ano no País. Para a ONG Akatu, se ao menos um milhão de consumidores descartassem suas baterias e pilhas usadas em postos de coleta, cerca de 30 milhões de unidades deixariam de ser jogadas em aterros e lixões, onde são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde.

Neste ano, a fabricante de celulares Motorola deve ampliar o recolhimento de baterias recarregáveis. Desde meados de 99, a empresa arrecada mensalmente cerca de 14 mil baterias em cerca de 350 pontos de recebimento – localizados na rede autorizada da marca, em todo o País. Há aproximadamente seis meses, a empresa selou um acordo com a Ford de São Bernardo do Campo para disponibilizar urnas de recolhimento de baterias velhas entre os funcionários.

A montadora já entregou 10 mil unidades para a Motorola, que as envia a uma usina de reciclagem na França. ‘Acreditamos ainda não ser possível reciclar as baterias usadas no Brasil, mas a entrada de uma usina no mercado é questão de tempo, porque não há dúvida de que estamos contribuindo para aumentar a conscientização da população’, afirma o gerente da rede de serviços autorizados da Motorola, Luis Moraes. Segundo ele, a empresa nada ganha para recolher o material e entregá-lo às usinas de reciclagem francesas. O custo da operação é de cerca de R$ 150 mil por ano.

O recolhimento de baterias e pilhas inúteis é apenas uma das muitas práticas simples que podem contribuir para proteger o ambiente e que estão cada vez mais sendo adotadas e estimuladas pela iniciativa privada – eliminar vazamentos de água e desperdício de alimentos, reduzir tempo de banho ou mesmo usar frente e verso de uma folha de papel, são outras ações. Iniciativas como a campanha ‘Sou mais nós’, do Instituto Akatu, contribuem para o assunto entrar no cotidiano da empresa, de seus funcionários e dos clientes. ‘Vamos entrar nas empresas para formar ‘líderes multiplicadores de boas práticas”, diz o presidente do Akatu, Helio Mattar.

De acordo com ele, 22 mil funcionários do Banco Real passarão em breve a receber ‘treinamento’ sobre práticas de consumo responsável. ‘O Brasil está dando exemplo de pioneirismo em responsabilidade social’, afirma o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew.

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