CEO da Unilever afirma que empresas deveriam ser obrigadas a divulgar riscos das mudanças climáticas

Paul Polman, CEO da Unilever, afirmou que “Relatar sobre mudanças climáticas deveriam ser obrigatórios para as empresas.

Crédito da foto: ONU

 

Paul Polman, CEO da Unilever, afirmou que “Relatar sobre mudanças climáticas deveriam ser obrigatórios para as empresas. Nós devemos responsabilizar uns aos outros quanto ao #Acordo de Paris”. As afirmações foram feitas no perfil do executivo no twitter, em 6 de julho, relacionadas ao evento promovido pelo Brookings Institute, dos Estados Unidos, sobre o cumprimento do Acordo de Paris, assinado por 175 nações, e que estabelece objetivos e metas globais de redução na emissão de gases de efeito estufa (GEE).

As afirmações de Polman tiveram repercussão no site The Huffington Post, que destacou que todas as empresas deveriam ser obrigadas a divulgar aos seus acionistas quaisquer riscos que possam ser trazidos pelas mudanças climáticas para os seus negócios. A matéria diz que a atitude de Paul Polman é notável: conhecido por defender a importância das ações das empresas na busca pela sustentabilidade, o executivo é modelo para outras lideranças que rejeitam o conceito do economista norte-americano Milton Friedman que diz que o propósito das empresas é a busca do lucro acima de tudo, sem consideração para questões sociais e ambientais.

Polman é conhecido por criar o Plano de Sustentabilidade da Unilever, que visa dobrar o tamanho do negócio e reduzir pela metade a sua pegada ambiental. Para isso, a empresa pretende usar, até 2030, 100% de energia renovável para alimentar suas operações, além de reformular produtos de forma a gerarem menos resíduos, que acabam em aterros sanitários. Hoje, o executivo é considerado referência em sustentabilidade e no seu setor de atuação. As ações da Unilever atingiram níveis recordes de alta em 2015, com forte aumento do seu valor, e a empresa foi listada em 41º lugar entre as mais admiradas na lista da Fortune de 2016.

As palavras de Paul Polman colocam em evidência a crescente pressão recebida pelas empresas, especialmente as líderes em seus setores, com relação à emissão de poluentes e GEE. Ao convocar as empresas a informar a todos os seus stakeholders os riscos que as mudanças climáticas e os esforços para contê-las podem gerar aos negócios, Polman explicita sua visão sobre de que existe uma responsabilidade social e ambiental por parte das empresas. Como exemplo negativo, mais da metade das 20 maiores empresas industriais dos Estados Unidos não divulgam informações sobre os potenciais riscos que podem advir das mudanças climáticas, conforme relatório publicado pela Influence Map, uma organização do Reino Unido sem fins lucrativos que procura avaliar e comunicar a extensão da influência das corporações sobre áreas chave das políticas da sociedade civil, tendo centrado seu trabalho inicialmente em mudanças climáticas e política energética.

As afirmações de Polman estão alinhadas à urgência da transição para uma produção mais sustentável, seja por meio da tecnologia ou das mudanças nos próprios produtos e serviços como defendido pelo Instituto Akatu. Devemos considerar, na equação da gestão dos negócios, a inevitabilidade dos impactos das mudanças climáticas gerados pelos atuais modelos de produção e de consumo, que levam a um esgotamento dos recursos do planeta. Isso aponta para a necessidade de transparência no reconhecimento pelas empresas de que seus processos produtivos e seus produtos ou serviços emitem GEE, trazendo riscos à vida no planeta, incluindo aos próprios negócios. Nesse sentido, o setor empresarial deve ser não somente um ator social que “compense” seus impactos negativos em termos de emissão de GEE, mas também protagonize a promoção das mudanças necessárias a reduzir rapidamente tal emissão, como parte do desafio enorme para empresas, governos e sociedade civil global na tentativa de cumprir os objetivos do Acordo de Paris.

Esse processo começa a dar alguns sinais positivos: ainda segundo o relatório da Influence Map, algumas das maiores empresas de petróleo do mundo, incluindo as gigantes norte-americanas Chevron, ConocoPhillips, ExxonMobil e Valero Energy, finalmente começaram a comunicar, em documentos públicos para investidores, que os seus negócios poderiam sofrer impactos decorrentes das mudanças climáticas. Mas esse é apenas uma das ações, um primeiro passo necessário mas certamente insuficiente para contribuir de modo significativo com as metas do Acordo de Paris.

Do ponto de vista do consumidor consciente, é importante que as empresas que passem a relatar seus riscos negociais devidos a mudanças climáticas, ao lado de ações visando a sustentabilidade social e ambiental, sejam valorizadas por meio da escolha dessas empresas pelos consumidores ao efetuarem as suas compras.

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