Catadores querem inserção efetiva no mercado de reciclagem

Cooperativas exigem apoio do poder público para implementar gestão profissional em seus negócios; medida está prevista na PNRS

“Hoje estou aqui, representando 1 milhão de catadores e pedindo que não sejamos tratados com assistencialismo. Queremos inserção econômica na indústria da reciclagem”, disse Roberto Laureano, coordenador nacional do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), durante o evento “Diálogos: Política Nacional de Resíduos Sólidos – Embalagens Pós-Consumo e Responsabilidade Compartilhada”.

Organizado pela Agência Envolverde, em parceria com a Tetra Pak e o Compromisso Empresarial com a Reciclagem (Cempre), o encontro foi realizado em São Paulo, na quarta-feira (13/4).

“Com a aprovação da lei do lixo [PNRS] a demanda vai crescer e, para dar conta dela, devemos nos envolver em programas de pós-consumo das empresas geradoras, recebendo diretamente delas os resíduos e repassando às indústrias recicladoras. Mas para isso, precisamos nos profissionalizar e não temos meios para isso”, explica.

Dos cerca de 1 milhão de catadores existentes no brasil, atualmente, apenas 35% desse total é cooperado, segundo o MNCR. A maioria tem trabalho autônomo e dependente de intermediários para venda dos materiais que coletam.

“A PNRS obriga o envolvimento das cooperativas de catadores na gestão dos resíduos. Mas para atender a demanda que vai crescer, a atual produção das cooperativas precisa ser, no mínimo, triplicada e deverão ser criadas centrais para triagem dos resíduos na maioria dos 5 mil municípios brasileiros”, diz André Vilhena, diretor do Cempre.

Para isso, “precisamos, em parceria com o setor público, criar modelos inteligentes e eficientes de gestão”, disse Laureano. “Queremos criar uma eficiência de produção, reduzindo custos e garantido viabilidade econômica ao negócio”.

O que diz a PNRS
A PNRS tem como princípio “a integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvem a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos”.

Veja abaixo, os principais pontos referentes às cooperativas de reciclagem que constam do Decreto 7.404, de 23 de dezembro de 2010, que regulamenta a PNRS:

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