Boas notícias da natureza na quarentena: o que elas nos dizem?

O ar em São Paulo ficou mais limpo; as emissões de CO2 caíram no mundo todo. Quando mudamos nosso jeito de viver, ganha o meio ambiente e a sociedade.

Desde março, vivemos um verdadeiro bombardeamento de notícias sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus no mundo. Se por um lado estão as dificuldades no enfrentamento dela e os desafios de saúde pública, por outro, o estado de isolamento social parece trazer alguma oportunidade de regeneração ao nosso planeta.

São Paulo registrou queda de 20% na poluição do ar em julho e chegou a 50% no início da pandemia; em abril, a melhora na qualidade do ar da Índia possibilitou que moradores do norte vissem o Himalaia pela primeira vez em 30 anos; e de janeiro a abril deste ano, o mundo deixou de lançar na atmosfera 1 bilhão de toneladas de CO2, um dos gases que mais agravam a Crise Climática.

Será que essas boas notícias ligadas ao meio ambiente são motivos para  comemoração ou elas nos servem de alerta de que há algo errado na forma com que vivemos quando o mundo está, digamos, “normal”? É preciso entender que essas mudanças são consequências da baixa atividade humana causada pela pandemia: quando deixamos de sair de casa, ou seja, de nos deslocar, diminuímos a queima de combustíveis fósseis; quando mudamos o nosso padrão de compra, nosso modo de consumir e nosso estilo de vida, há menos poluição, o ar fica mais puro, e a natureza dá os sinais positivos. Devemos interpretá-los como um aviso de que muita coisa não ia bem e entender que é possível passar por transformações e alterar a “normalidade” de forma rápida e benéfica para o planeta.

Mudanças ambientais que são puro reflexo do isolamento social têm caráter temporário, dizem os especialistas. O mesmo vale para alguns avanços no combate à Crise Climática: as emissões de gases poluentes podem ter sido reduzidas, mas o aquecimento global não deixou de existir porque grande parte da população mundial se isolou. Para que as mudanças benéficas ao meio ambiente perdurem é preciso despertar a consciência social da necessidade de novas formas de produção e consumo — mais sustentáveis e muito menos dependentes da queima de combustíveis fósseis e à venda e compra de produtos supérfluos.

A boa notícia é que há evidências de que as pessoas estão mudando seu padrão de consumo e adotando práticas mais sustentáveis. No Brasil, há fortes indicações de um movimento de ressignificação do que é essencial e o que é supérfluo. Percebemos uma valorização crescente do que é local, saudável e de pequenos produtores. Há um número maior de interessados em criar sua própria horta, fazer seu pão e construir uma composteira. E os dados mostram uma menor produção de resíduos em casa e maior taxa de reciclagem

Essa consciência social é importante para que cada um perceba que suas escolhas importam e impactam o planeta e a sociedade em geral. Precisamos que todo consumidor apoie, valorize e privilegie cada vez mais produtos oriundos de uma cadeia produtiva sustentável e pressione os governos a incentivá-las. E não podemos deixar que ações contra a Crise Climáticas fiquem em segundo plano por conta da pandemia: este é um problema urgente, causado principalmente por conta das nossas atividades humanas. Ao experimentarmos um novo modo de viver, podemos constatar o lado positivo das mudanças, que nos permitem claramente dar uma contribuição para garantir o futuro das próximas gerações.

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