Biodiesel de pena de galinha

Farinha de restos de frango, incluindo penas é matéria-prima para a produção de biocombustível. Uma tonelada de pena pode produzir 69 litros de biodiesel  …

Farinha de restos de frango, incluindo penas é matéria-prima para a produção de biocombustível. Uma tonelada de pena pode produzir 69 litros de biodiesel

 

O mundo tem um gigantesco apetite pelos produtos avícolas. A cada ano são acumulados 5 bilhões de quilos de resíduos de aves, a maior parte utilizada como alimento para animais e fertilizantes agrícolas. Centros de pesquisas dos Estados Unidos, com o apoio de empresas americanas, vêem desenvolvendo
processos para a produção de biodiesel a partir de penas de galinha.

Farinha de restos de frango, incluindo penas, além dos altos percentuais de proteína e nitrogênio tem 12% de gordura, matéria-prima para a produção de biocombustível, informam os pesquisadores. Uma tonelada de pena pode produzir 69 litros de biodiesel.

Estatísticas mostram que a quantidade de farinha de pena gerada pela indústria avícola a cada ano poderia produzir 580 milhões de litros de biodiesel, por ano, nos EUA e 2,2 bilhões litros, por ano, em todo o mundo. O Reno Renewable Energy Center, um dos centros responsáveis pelas pesquisas, já publicou 183 trabalhos técnicos, tem 10 patentes publicadas, 12 pendentes e obteve mais de US$ 25 milhões de dólares em financiamento para seus projetos.

Segundo o IBGE o Estado do Paraná lidera a produção de frango no país. No primeiro trimestre de 2009, 1,12 bilhão de frangos foi abatido em todo o país. Desse total, o Paraná abateu 297,3 milhões de cabeças, 26,5%. O segundo maior produtor foi Santa Catarina com 211,3 milhões, seguido do Rio Grande do Sul com 158,8 milhões de cabeças abatidas. Os recordes paranaenses na produção de frango também poderão gerar recordes de mobilidade no transporte público movido à pena de galinha, contribuindo para o fortalecimento da economia rural e ajudando a diminuir o inchaço das grandes cidades.

Novos arquétipos econômicos favorecem essas inovações. Em 2010, o Brasil adotou oficialmente o modelo contábil do International Financial Reporting Standards (IFRS), regras para balanços já vigentes em mais de 100 países, que modifica significativamente o modo com que as corporações reportarão seus demonstrativos financeiros, alterando a forma de apurar resultados e as analises do mercado sobre o desempenho das empresas.

Enquanto demonstrativos da contabilidade tradicional consideram meio ambiente e mudanças climáticas como contingências remotas – externalidades – o IFRS determina que os ativos biológicos (tudo que nasce, cresce e morre), alterações climáticas e seus impactos positivos e negativos sobre o valor dos bens, sejam ajustados no balanço pelo “fair value” (valor de mercado), o que pode alterar significativamente os resultados e o nível de atratividade de mercado das empresas.

Os ativos biológicos, ou seja, culturas variadas dentre elas rebanhos, matrizes reprodutoras, canaviais e frangos de corte, são bens vivos que crescem ou engordam, e alguns são commodities com preços oscilantes, terão que ser demonstrados nos balanços pelo valor de mercado. O Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, que financia bioativos da avicultura, está enquadrado nas regras do IFRS – e os financiados, também.

Novas governanças emanadas de bases empresariais criam referências para políticas publicas redefinindo formas de vida da sociedade. O evento “Cidades Inovadoras” promovido recentemente pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná – FIEP reuniu mais de 3.500 participantes, exibindo experiências de cidades no Brasil e do mundo. Inovando, empresários da FIEP lideram o pensamento empresarial brasileiro como atores políticos, ampliando com fatos e dados os horizontes das corporações, alinhando-os aos paradigmas da sustentabilidade que começam a reger mercados.

Instituições inovadoras ajudam a sociedade a despertar para soluções como o biodiesel de pena de galinha, um simples exemplo externo a ser somado a tantos outros projetos guardados como prata da casa nas prateleiras de respeitadas instituições como a Universidade Federal do Paraná, a espera de
encontros entre academia e empresa, colocando o conhecimento a serviço das comunidades.

*Eduardo Athayde é administrador, pesquisador e diretor do Worldwatch Institute no Brasil. Este artigo foi publicado originalmente no Mercado Ético.

 

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