Relações humanas superficiais deixam a sociedade mais dependente do consumo desnecessário, diz Helio Mattar

As redes sociais também tiveram papel importante nesse momento frágil das relações humanas, observa o diretor-presidente do Instituto Akatu

Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, fala com Ligia Camargo, profissional da área de Sustentabilidade – Foto: reprodução de tela

 

Você já resolveu ir às compras depois de um dia ruim ou até quando precisou de uma distração? À primeira vista, este hábito corriqueiro revela pouco do que ele realmente simboliza: ele é o reflexo de um vazio que sentimos, consciente ou não, e que nos leva a preencher de alguma forma. O consumo desnecessário serve, muitas vezes, para colocar um problema maior para “debaixo do tapete”. Fugimos do problema e também fugimos de nós mesmos; é uma saída fácil para uma situação muito mais complexa.

Nesse sentido, o diretor-presidente do Instituto Akatu Helio Mattar, em entrevista para o canal do Youtube da Ligia Camargo, “Incomodados”, ressaltou que aquilo que o incomoda atualmente é a superficialidade das amizades. “As redes sociais também tiveram um papel importante para o momento atual. Hoje, chamamos de ‘amigos’ pessoas que nem se quer conhecemos e evitamos expor nossa vulnerabilidade aos outros. O consumo pouco consciente é uma forma de preencher este vazio que sentimos por estarmos tão desconectados de nós mesmos e dos outros”, diz.

“As pessoas compram o que não precisam, com o dinheiro que não têm para impressionar quem elas não gostam.” – Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu

 

Durante o bate-papo, Mattar alertou que o consumo desnecessário faz com que as pessoas se afastem delas mesmas. Apesar da busca pela felicidade, o consumo entra como mediador nesse caminho e não permite que as pessoas cheguem até si próprias. “Precisamos de uma revolução no consumo de modo que o comportamento das pessoas mude frente ao ato de consumir. Apenas quando a mudança for real, teremos uma sociedade de mais ‘ser’ do que ‘ter’ e estaremos mais próximos de nós mesmos e também dos outros. Assim, deve haver uma melhora nas relações mais íntimas de amizade”, afirma Mattar.

Vale também ressaltar a relação entre os estados de alegria e de tristeza e o consumo. Cada vez mais, a sociedade tem fechado os espaços para esses sentimentos. Por conta do medo, a maioria se priva do sentimento real, seja ele bom ou ruim.  “Apenas quando o consumo for na direção do bem-estar de cada um e não na via de demonstração de poder, as pessoas estarão mais próximas de sua essência e do autoconhecimento. Nesse sentido, cada um poderá olhar com mais atenção aos espaços de alegria e de tristeza, e que tendem a se abrir”.

Assista ao vídeo da entrevista abaixo:

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