As pessoas já sabem a coisa certa a se fazer, afirma Sara Parkin

Características e habilidades de lideranças positivas e seus desafios para privilegiar o desenvolvimento sustentável são debatidos no último dia do 8o Congresso GIFE

Sara Parkin,  criadora do Forum for the Future, realizou a palestra “Liderança positiva para um investimento social transformador” na manhã de sexta (21), no 8o Congresso GIFE. Parkin debateu que características e habilidades uma liderança positiva precisa ter, além preservar integridade e foco no desenvolvimento sustentável mesmo quando as condições ao redor não favorecem. Para a ativista, o líder positivo, tema de seu novo livro, “O Divergente Positivo: Liderança em Sustentabilidade em um mundo perverso”, é aquele que “faz a coisa correta apesar das dificuldades, das estruturas erradas”.

Leia mais sobre o conceito de Líder Positivo em entrevista com Sara Parkin

Durante sua explanação, Sara trouxe exemplos de pessoas que, mesmo em condições precárias, seguem “fazendo a coisa certa”: mães que em situação de extrema pobreza continuam cuidando da saúde e da alimentação de seus filhos, homens que mesmo em contato com a violência extrema contra mulheres, optam por não fazê-lo. A partir destes e de muitos outros casos, Sara desenvolveu a teoria de que as pessoas já sabem quais são as coisas certas a se fazer. E por que não fazem? Especialmente porque estão sendo doutrinadas a mudar: “Não devemos dizer que as pessoas têm que mudar, mas educá-las para a mudança”, disse.

Para Martin Bernard, do People 4 a Better World, essa mudança vem acompanhada de uma ampliação da consciência. “O conhecimento que temos sobre as coisas não é mais suficiente para mudar os comportamentos. Indivíduos e organizações que atuam apenas a partir do que recebem do sistema são insustentáveis. É preciso ampliar a consciência e fazer!”, ressaltou. Muito mais importante de que falar para as pessoas o que fazer, é possível provocar mudanças mostrando na prática como é feito. “Ao invés de falar o que fazer, a melhor forma de inspirar alguém é ser o exemplo de mudança”, concorda Sara.

Outra ferramenta indicada por Sara é “agir como se a realidade já fosse exatamente a ideal”. Bernard completou reforçando que os comportamentos humanos dependem de valores sociais, mas que estão suscetíveis a mudanças de acordo com o contexto em que as pessoas estão inseridas. O especialista fez uma chamada para que todas as pessoas não se “apequenassem” diante das dificuldades e de cenários desfavoráveis, e que escolhessem a coisa certa a se fazer.

Desde a infância e ao longo da vida
“A educação para a liderança positiva deve ser ensinada desde a infância”, declarou Sara. A especialista trouxe o exemplo do Reino Unido, em que as crianças na educação primária têm educação transdisciplinar, reunindo em atividades práticas várias áreas do conhecimento. Por meio dela, têm a criatividade estimulada e desenvolvem a capacidade de solucionar questões mais complexas a partir dos próprios conhecimentos. No entanto, esse contato deixa de acontecer na educação secundária e na universidade, fazendo com que muito do que as crianças aprendem se perca. “É muito importante que esse tipo de aprendizado seja estimulado ao longo da vida. E precisamos trabalhar para que não existam esses gaps”, referindo-se ao período de tempo na educação formal do Reino Unido, em que as pessoas param de ter contato com o aprendizado transdisciplinar e entram no mercado de trabalho.

Foto: Áureo Siqueira Neto e Carlos Petelinkar, do Envolverde.

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