Amizade: consumir sem moderação todo dia

Amor, afeto, alegria, carinho, compaixão, justiça, respeito e sensibilidade são alguns dos prazeres da vida que quanto mais “gastamos”, mais se multiplicam

Na quarta-feira, 20 de julho, celebrou-se o Dia Internacional da Amizade. Excepcionalmente para marcar a data, o Akatu –que trabalha pela consciência no consumo – recomendou o consumo exagerado do amor, afeto, carinho, respeito, alegria, compaixão, delicadeza, justiça, e sensibilidade.

São prazeres da vida que, felizmente, quanto mais consumimos, mais se multiplicam. E, uma sociedade só pode ser sustentável se a amizade entre as pessoas for alimentada por esses sentimentos, gestos e valores, defende Camila Melo, gerente de programas de educação do Instituto Akatu.

“Precisamos ser capazes de imaginar uma sociedade sustentável no futuro em que as relações entre as pessoas sejam mais verdadeiras, cheias de amor, confiança, carinho e muita troca; uma sociedade que não se paute tanto em bens materiais” diz Melo. “Mas, para isso, precisamos contar uns com ou outros, precisamos ter o senso de coletividade e, sem a amizade, isso não é possível”, completa.

Para Ana Maria Wilheim, diretora-executiva do Instituto Akatu, o consumo excessivo e a indiferença de grande parte da sociedade aos problemas sociais podem ser explicados, em parte, pela ausência da amizade. “Hoje, prevalece o individualismo em vez da coletividade, a competitividade em vez da colaboração e a solidão em vez do conjunto. Considera-se mais o ‘ter’ do que ‘ser’ e muitas vezes nos esquecemos de dedicar nosso tempo e atenção a preservar as relações interpessoais e ao meio ambiente, que é nosso bem comum”, diz. “Precisamos cuidar mais de nós e dos outros”, completa Wilheim.

Tanto é assim que hoje, somos consumidos pelo próprio consumo. As pessoas são constantemente apresentadas a uma infinidade de produtos que prometem mudar suas vidas para melhor; alguns prometem até “substituir a companhia humana”. Essas promessas se renovam o tempo todo, duram algumas semanas, até lançarem um modelo mais revolucionário daquilo que já temos. Mas será que precisamos de tudo isso para sermos felizes de verdade?

Talvez valha repensar que quanto mais tempo gastamos trabalhando para manter um estilo de vida cercado de produtos, menos tempo temos para as coisas que realmente importam, como a família, os amigos, a natureza. Afinal de contas, vale mais compartilhar os pequenos prazeres da vida ou viver sempre preocupado em ter a última roupa da moda?

“Precisamos ter consciência dos impactos que o nosso consumo causa não só no meio ambiente, mas também, e primeiramente, sobre nós mesmos”, ressalta Melo.

Para manter um estilo de vida consumista, a sociedade mundial já vive no cheque especial do planeta: hoje, consumimos e descartamos 50% mais recursos e lixo do que a Terra consegue repor e absorver. Além de excessivo, o consumo é desigual: apenas 16% da população mundial abocanham 78% do total do consumo do planeta. Se esse padrão de consumo das nações desenvolvidas fosse adotado pelo resto do mundo, precisaríamos de mais de cinco planetas para suprir essa voracidade.

Cuidar de nós e dos outros implica necessariamente em cuidar também do planeta. E isso significa deixar de consumir? Claro que não, mas significa consumir menos e diferente. Pois a atual situação claramente ameaça a vida humana. Corremos o risco de deixar um ‘cheque especial’ impagável para nossos filhos, na forma de cidades superlotadas, violentas, de trânsito caótico e com escassez de água, energia e matérias primas, que fatalmente serão caríssimas, acessíveis apenas a uma elite. Corremos o risco de acabar com praias e belezas naturais, de destruir nossas florestas com sua biodiversidade e também a biodiversidade dos oceanos, que podem se transformar numa enorme lata de lixo tóxico.

“É claro que as ações individuais de mudança dos padrões de consumo podem contribuir para mudar esta realidade. Mas elas precisam se multiplicar entre os indivíduos e para isso acontecer, é preciso contar com o outro, confiar no outro. Por isso a amizade é importante”, explica Wilheim.

Clique aqui para saber mais sobre o que é o consumo consciente e ficar por dentro de algumas dicas práticas que você pode adotar no seu dia-a-dia.

Por isso, em datas especiais como o Dia da Amizade, procure encontrar seus amigos. Vai chegar o dia em que em vez de presentes, vamos distribuir abraços e beijos; em vez de sacar o cartão de crédito, sacaremos fotos; em vez de brigar no trânsito, iremos a pé, de transporte público ou de bicicleta; em vez da pegada de carbono, deixaremos recados de carinho e saudade;  em vez de disparar armas de fogo, só disparemos e-mails. Quem sabe não começamos hoje? E continuamos amanhã e depois e depois…

Quer uma boa dica? Pratique os 8 Rs do consumo consciente:

– Refletir: Lembre-se de que qualquer ato de consumo causa impactos do consumo no planeta. Procure potencializar os impactos positivos e minimizar os negativos;

– Reduzir: Exagere no carinho e no amor, mas evite desperdícios de produtos, serviços, água e energia;

– Reutilizar: Use até o fim, não compre novo por impulso. Invente, inove, use de outra maneira. Talvez vire brinquedo, talvez um enfeite, talvez um adereço…

– Reciclar: Mais de 800 mil famílias vivem da reciclagem hoje no Brasil, quer fazer o bem? Separe em casa o lixo sujo do limpo. Só descarte na coleta comum o sujo. Entregue o limpo na reciclagem ou para o catador.

– Respeitar: A si mesmo, o seu trabalho, as pessoas e o meio ambiente. As palavras mágicas sempre funcionam: “por favor” e “obrigado”.

– Reparar: Quebrou? Conserte. Brigou? Peça desculpas e também desculpe.

– Responsabilizar-se: Por você, pelos impactos bons e ruins de seus atos, pelas pessoas, por sua cidade.

– Repassar: As informações que você tiver e que ajudam na prática do consumo consciente. Retuite, reenvie e-mails.

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