Alianças intersetoriais são a chave para tirar a Rio+20 do papel

Especialistas e empresários avaliam a Conferência e indicam próximos passos

A Rio+20 foi politicamente promissora e deixou uma grande lição de casa para empresas, sociedade civil organizada, poder público e cidadãos. Essa foi a conclusão dos participantes do encontro “O legado da Rio+20”, promovido pela Planeta Sustentável, no Auditório da Editora Abril, no dia 14. O evento, com público majoritariamente composto por especialistas em sustentabilidade e empresários, propôs que os convidados fizessem uma avaliação da Conferência e indicassem os próximos passos pós-Rio+20.

“Com o encontro, a ONU colocou o desenvolvimento sustentável como tema central na agenda internacional e previu no documento final pontos importantíssimos de atenção”, afirma Aron Belinky, coordenador de processos internacionais do Instituto Vitae Civilis, enfatizando os avanços do documento e a necessidade de acompanhamento das ações que entrarão em curso a partir de agora. “Houve uma distância entre as expectativas com relação à Rio+20 e o seu papel real no cenário de mudança. E de fato o documento final tem falhas – não menciona, por exemplo, os limites de recursos naturais do planeta. No entanto, sabemos que não poderíamos ter esperado de um fórum que envolve a decisão de 180 países, um alto grau de praticidade. A prática acontecerá em âmbito local por alianças entre poder público, sociedade organizada, pessoas e setor privado”, completa Belinky.

Segundo Fábio Barbosa, presidente da Editora Abril, esse movimento já foi iniciado e alguns grupos já estão mudando de comportamento com relação ao consumo. “A mobilização que se viu na Conferência foi enorme. Ficou claro que os jovens já estão mais envolvidos no processo. No dia a dia, ao comprar um carro, por exemplo, já perguntam quanto o veículo emite de gás carbônico a cada 100 km rodados. Isso não acontecia há dez anos. E as empresas já respondem a esse tipo de demanda”, exemplificou.

Armando Tripodi, gerente de sustentabilidade da Petrobrás e presidente da Rede Brasileira do Pacto Global, também percebeu essa mudança no perfil do consumidor: “as pessoas estão fazendo perguntas na hora de comprar, querem saber de onde vêm os produtos, o que está acontecendo na cadeia produtiva deles”. O representante do Pacto Global no Brasil reforçou que a transformação inclui a participação dos CEOs das empresas nessas discussões.

Para Justiniano Neto, secretário extraordinário para o programa Municípios Verdes do Governo do Pará, a iniciativa privada vem respondendo à demanda e pedindo a regularização dos produtores. “Um exemplo é a cadeia produtiva da carne: os frigoríficos estão mais próximos dos fornecedores, exigindo adequação da cadeia”. Justiniano afirmou que acordos entre governos locais para a promoção da transformação em favor da sustentabilidade, ao falar sobre os avanços da política de combate ao desmatamento.

Entretanto, na opinião dos especialistas, para que esse processo de transformação ganhe escala e velocidade é preciso garantir estratégias de conscientização e educação da sociedade para o consumo em todas as esferas. “A British Airways deu aos seus consumidores a possibilidade de comprarem créditos de carbono para neutralizar a emissão de gás carbônico dos voos utilizados no período das Olimpíadas. A adesão dos consumidores à campanha foi de apenas 3%”, exemplifica o economista Eduardo Gianetti.

A pergunta que fica é: será que já existem produtos e serviços no mercado que permitam às pessoas que mudem imediatamente de postura? Gianetti acredita que além da educação para o consumo serão necessárias iniciativas das empresas, que não respondam necessariamente a uma demanda já existente no mercado, mas que apresentem soluções mais sustentáveis às pessoas. Para Belinky, além da ação do consumidor e do mercado, é necessária a atuação do Estado para provocar mudanças em favor de um sistema de produção e consumo mais sustentável. “O Estado precisa estar nesse processo”, afirmou.

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