Akatu participa do debate Conexões Sustentáveis no GIFE

Informação ao consumidor, compromisso de empresas e monitoramento de cadeias produtivas são os pontos principais da discussão

Consumidor informado, monitoramento de cadeia produtiva e compromisso de empresas é a chave para garantir o desenvolvimento sustentável da região amazônica e prover o mercado paulista de produtos com valor agregado, contribuindo para o consumo consciente. Essas são algumas das conclusões a que chegaram os participantes do seminário da iniciativa Conexões Sustentáveis: São Paulo–Amazônia, realizado nesta quarta-feira (28/3), no 7º Congresso GIFE, em São Paulo.

Além de apresentar o trabalho da iniciativa Conexões Sustentáveis, foram convidados integrantes da rede para debater desafios e perspectivas nessa temática. O Conexões Sustentáveis: São Paulo-Amazônia, iniciativa criada pelo Instituto Ethos, Rede Nossa São Paulo e Fórum Amazônia Sustentável, estudou a cadeia produtiva de produtos relacionados à Amazônia, mapeando a origem de cada um dos itens e como eles estavam sendo produzidos. A partir dessas pesquisas, concluiu-se que grande parte do que é consumido nos grandes centros (como em São Paulo) tem origem na Amazônia ou utiliza matérias-primas vindas de lá.

O dilema para a sustentabilidade e para os consumidores conscientes é que empresas e fornecedores participantes dessa cadeia de valor muita vezes utilizam trabalho escravo e infantil em suas atividades, desmatam áreas ilegalmente, criam animais em más condições e promovem abate clandestino de gado. Ou seja, o produto que você compra em São Paulo pode ter um histórico de impactos negativos até chegar às suas mãos, interferindo no meio ambiente e na vida de pessoas. Como saber de onde eles vêm?

Estanislau Maria, coordenador de conteúdo do Instituto Akatu, enfatizou a importância de se disponibilizar informações sobre as atividades das empresas, para que na hora de escolher produtos e serviços, as pessoas possam valorizar aqueles que fazem parte de uma cadeia de valor sustentável. “Temos que ampliar repertórios de informação do  consumidor para que ele possa fazer escolhas melhores. Consumir de uma maneira sustentável é consumir diferente, e não deixar de consumir. Quanto mais instrumentos o consumidor tiver para avaliar os produtos, maior possibilidade de que ele faça escolhas mais eficientes”, diz.

Há empresas que já estão engajadas nessa causa. Para Paulo Pompílio, diretor de sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar, participante do Conexões Sustentáveis, “o consumidor está ávido por participar desse processo e as empresas têm nas mãos a possibilidade de contribuir para a sustentabilidade. O grande desafio para o varejo é tornar um produto sustentável competitivo”. Enfatizou ainda a importância de que o mundo empresarial repense e reveja constantemente o seu processo de produção.

“Convocar empresas atuantes na região Amazônica para dialogar e construir propostas permite o aprimoramento das práticas em favor do desenvolvimento sustentável, aproximando a Amazônia provedora de recursos naturais dos maiores centros consumidores do Brasil. O diálogo intersetorial pode alavancar mudanças”, afirma Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental e secretária-executiva do Fórum Amazônia Sustentável.

Para Fabíola Zerbini da Forest Stewardship Council FSC (organização que cuida da certificação de madeira), o Conexões Sustentáveis promove “uma chamada efetiva das empresas ao compromisso pela sustentabilidade”.

O engenheiro e pesquisador Sérgio de Zen (Esalq-USP) apresentou estudo que realiza no âmbito do Conexões Sustentáveis sobre o abate clandestino de gado. Segundo o professor, faltam dados com relação abate e consumo estadual e municipal. Ou seja, para o professor, pesquisa nessa área é imprescindível. “Conhecer a cadeia produtiva é o que vai impulsionar diretamente sua sustentabilidade”, afirma.

Gestão de fornecedores e compras sustentáveis são também instrumentos para garantir sustentabilidade de uma cadeia de valor.  Franklin Mendes Thame, representante do Serasa, apresentou durante o evento a ferramenta do Serasa chamada “Conformidade Ambiental”, uma base de dados com informações sobre empresas causadoras de impacto ambiental, a partir de relatórios gerados por exemplo pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). No entanto, a ferramenta ainda só funciona para empresas.

Tatiana Trevisan, secretária executiva do Conexões Sustentáveis acredita que o grande desafio para alcançar a sustentabilidade de cadeias produtivas está na corresponsabilidade das empresas pelos impactos em todos os elos da cadeia, bem como na busca por soluções. “As empresas signatárias dos pactos precisam entender que já estão em outro patamar da discussão, muito além de apenas buscar a legalidade”, reforça.

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