Akatu marca presença na Conferência Internacional Ethos – 2008

Oficina aponta caminhos para a construção de novas pontes entre consumidores e empresas

Com o objetivo de discutir e ampliar o diálogo entre consumidores e empresas, o Instituto Akatu promoveu, durante a Conferência Internacional Ethos – 2008, a oficina “Envolvendo o Consumidor na Construção de um Mercado Socialmente Responsável”, com a participação de cerca de 150 congressistas. Realizada no Centro de Convenções do Anhembi, no dia 29 de maio, a oficina recebeu representantes de empresas de diferentes setores e estados do país, entre eles diversos Parceiros e Associados do Instituto Akatu.

No início dos trabalhos, Aron Belinky, consultor externo do Akatu, deu boas vindas aos convidados, e, em seguida, passou a palavra a Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto e moderador da oficina. Mattar apresentou, então, os resultados e principais desafios apontados pela pesquisa “Responsabilidade Social das Empresas – Percepção do Consumidor Brasileiro – 2006-2007”, lançada em março deste ano pelos Institutos Akatu e Ethos e que motivou a escolha do tema central discutido durante os trabalhos.

Em sua apresentação, Mattar destacou a importância do aprimoramento da comunicação aos consumidores das ações e projetos de Responsabilidade Social das Empresas e, em especial, da ampliação dos canais de diálogo entre a empresa e os seus consumidores que, apesar de demonstrarem interesse na atuação socioambiental empresarial, se mostram menos atuantes em suas práticas cotidianas, reduzindo os seus atos de premiação ou punição das empresas do que faziam no passado.

Os participantes da oficina, divididos em grupos, foram então convidados a discutir o tema central proposto e elaborar sugestões de ações concretas ou linhas de atuação que permitam inserir o consumidor no processo de construção de novos canais de diálogo com o empresariado. Colaboradores do Akatu e consultores certificados pelo Akatu foram destacados para atuar como “facilitadores”, coordenando os grupos de trabalho e procurando solucionar as dúvidas dos congressistas.

Para orientar o debate, os participantes deveriam formular propostas que respondessem a três questionamentos básicos, identificados previamente por um grupo de trabalho que discutiu em profundidade os dados levantados pela pesquisa:

  1. Como contribuir para o consumidor compreender o que é a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e perceber que este é um processo de aprimoramento contínuo?
  2. Como prover o consumidor com informações confiáveis quanto às práticas de RSE e que permitam distinguir as empresas que atuam a partir de crenças éticas das empresas “marketeiras”?
  3. Como criar um canal de mão dupla para que o consumidor comente e faça sugestões a respeito das práticas de RSE das empresas?

Após cerca de duas horas de discussão dentro dos grupos, as propostas foram apresentadas numa plenária, para todos os participantes da oficina. Em geral, o foco das sugestões apontou como caminhos a educação do consumidor e a comunicação abrangente, “do porteiro ao diretor”, da importância da Responsabilidade Social dentro das organizações. Dentre as propostas apresentadas, foram sugeridas, por exemplo, a criação de um “índice de eco-eficiência” setorial, a adoção de RSE como critério para que uma empresa escolha seus fornecedores e associados, e a elaboração de uma cartilha temática.

Como parte das responsabilidades do governo para auxiliar no processo, foi sugerido que as empresas recebam incentivos fiscais para praticar e contribuir com a divulgação da RSE e que o tema seja incluído no currículo escolar. As demais propostas, sistematizadas por colaboradores do Uniethos, estarão disponíveis para consulta pública no site da conferência em breve (www.ethos.org.br/Ci2008Dinamico/site).

Ao final das apresentações, Helio Mattar sugeriu a criação de um grupo de trabalho, com apoio do Akatu, composto pelos participantes da oficina interessados em desenvolver e levar adiante as discussões da plenária. Mas lembrou que a criação de indicadores de eficiência ou responsabilidade social não pode se pautar pelo “ideal”, uma vez que a RSE é um processo sempre distante de um patamar definitivo. “O parâmetro “ideal” que se deve adotar é o que de melhor as empresas conseguem fazer hoje”, explica.

Na opinião de Tânia Maria Santos, assistente social do Sesi-MG e participante da oficina, um dos fatores que facilitariam a comunicação entre empresa e consumidor, seria o auto-conhecimento da própria empresa. “O desafio mais difícil é fazer a empresa saber o que está produzindo e passar a informação de forma fidedigna”. Pensando nesta dificuldade, seu grupo sugere que as empresas inventariem seus produtos e comuniquem não só seus pontos positivos, mas também os negativos. “É preciso coragem para fazer isso”, complementa.

Tânia diz ainda que pratica o consumo consciente em sua vida e sempre levou esse conceito para o trabalho. A assistente social conta que notou uma evolução na receptividade dos temas relacionados à RSE pelas empresas nos últimos cinco anos. “Espero que não seja modismo e sim uma mudança efetiva de comportamento”, conclui.

Para Emilio Etchegorry, presidente da empresa argentina de “pins” (broches) PIN S/A, que também participou do evento, o mais interessante foi perceber que os desafios apresentados no Brasil são semelhantes aos encontrados por ele na Argentina. Segundo o empresário, há um grupo grande de empresas adotando práticas de sustentabilidade em seu país, mas as pessoas desconhecem essas práticas ou não as valorizam.

Etchegorry destaca a atuação de duas entidades argentinas na divulgação da Responsabilidade Social Empresarial, o Conselho Empresário de Entre Ríos (CEER), e VALOS Responsabilidade Empresária que, entre outros fatores, têm contribuído para o desenvolvimento do tema em seu país, apesar de ainda haver, segundo ele “muita incoerência entre prática e propaganda” no setor empresarial. Mas Etchegorry ressalta a oportunidade de atuação do consumidor nesse processo: para ele, empresa e consumidor “têm que crescer juntos”. “Precisamos encontrar novas formas de trabalhar [o assunto] para atender às exigências do consumidor, mas ele é tão responsável por esse crescimento quanto a empresa”, ensina.

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