Água deve ocupar o centro dos debates sobre mudanças climáticas

Especialistas reunidos na COP16, no México, alertam que a omissão pode comprometer desenvolvimento humano sustentável

 

É preciso incluir a água como questão fundamental em todos os debates sobre mudanças climáticas, já que, sem ela, as metas estabelecidas em relação à captura do carbono serão impossíveis de atingir, comprometendo, desta forma, o desenvolvimento humano sustentável.

Essa é a posição defendida por especialistas que se reuniram em um painel que discutiu os efeitos das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos, dentro da programação da 16ª Conferência das Partes (COP16), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, de 29 de novembro a 10 de dezembro, em Cancun, no México.

O painel sobre água, que ocorreu nos dias 1, 3 e 6 de dezembro, foi organizado pela Comissão Nacional da Água do México (Conagua) em parceria com diversas entidades mundiais.

Durante as discussões, o diretor geral da Conagua, José Luis Luege Tamargo, afirmou que os efeitos da mudança climática são mais sentidos no ciclo da água, com chuvas mais fortes, intensas e concentradas em períodos de tempo cada vez mais curtos. Essas mudanças provocam variações da qualidade e quantidade da água, o que gera efeitos diretos em atividades econômicas como a produção de alimentos, geração de energia e proteção natural.

“É um debate necessário e que chama atenção dos líderes mundiais para a necessidade de se buscar alternativas que viabilizem o equilíbrio entre extremos, como enchentes e secas,” reforça Bruno Pagnoccheschi, coordenador do Grupo de Estudos sobre Mudanças Climáticas da Agência Nacional de Águas (ANA). “Hoje, esses desiquilíbrios ocorrem com muita frequência, prejudicando atividades como a pesca e geração de energia hidrelétrica.”

Segundo Pagnoccheschi, o Brasil precisa investir mais forte no monitoramento do comportamento do sistema hídrico local para dispor de dados mais concretos sobre os efeitos da mudança do clima nas águas regionais. “Nossa série de monitoramento do sistema hídrico nacional é recente. Começou na década de 1970 e, por isso, é uma amostra curta para criar um modelo de coleta de dados e auferir alguma hipótese que relacione comportamento hídrico local à mudança do clima”, disse.

O painel em Cancun reuniu nomes como Yolanda Kakabadse, presidente da WWF Internacional; Michel Jarraud, secretário geral da Organização Mundial de Meteorologia; Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericanos de Desenvolvimento (BID); Maria Mutagamba, ministra da Água e Meio Ambiente de Uganda; Anders Berntell, diretor executivo do Instituto Internacional da Água de Estocolmo; Simon Brooks, vice-presidente do Banco Europeu de Investimentos; Rachel Kyte, vice-presidente da Corporação Financeira Internacional; Laura Tuck, do Banco Mundial; Tim Kasten, vice-presidente do Instituto da Água do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, e Henk van Schaik, do Programa de Cooperação Sobre Água e Clima.

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