Transportes: programa ambiental da ONU pede mais investimento para pedestres e ciclistas

Relatório do PNUMA mostra que mais investimento em infraestrutura para pedestres e ciclistas ajudaria a salvar milhões de vidas e a reduzir emissões de gases

Crédito: Creative Commons/Nacho

 

Comentário Akatu: O relatório da ONU, divulgado na reportagem abaixo, é um alerta importante sobre os perigos de um mau planejamento da mobilidade nas cidades, que pode acarretar milhares de acidentes e mortes. Os investimentos públicos, de acordo com o estudo, devem focar em infraestrutura para pedestres e ciclistas, e portanto para as pessoas, e não em carros, que estão entre os principais responsáveis pela poluição do ar e pela emissão de gases de efeito estufa, que causam as mudanças climáticas. O uso consciente do automóvel e a priorização de outras alternativas para mobilidade – como o transporte público, a bicicleta ou a caminhada – são formas do consumidor contribuir, desta forma demandando políticas públicas mais sustentáveis para viabilizar a mobilidade com baixo risco.

A falta de investimentos em calçadas seguras e na infraestrutura para bicicletas contribui para a morte de milhões de pessoas em acidentes de trânsito em estradas inseguras e mal projetadas, além de desperdiçar uma grande oportunidade de lutar contra as mudanças climáticas. Esta é a conclusão de um relatório sobre meio ambiente lançado pelas Nações Unidas no final de outubro.

O documento Global Outlook on Walking and Cycling (Panorama Global de Caminhada e Ciclismo, em tradução livre) , do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mostra que mais investimento neste tipo de infraestrutura ajudaria a salvar milhões de vidas e a reduzir emissões de gases.

De acordo com o relatório, 1,3 milhão de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito, sendo 49% pedestres, ciclistas e motociclistas.

“As pessoas estão arriscando suas vidas cada vez que saem de casa”, afirmou o diretor-executivo do PNUMA, Erik Solheim, em comunicado distribuído à imprensa. “Mas não se trata apenas de acidentes. Projetar sistemas de transportes focados em veículos coloca mais carros nas ruas, aumentando as emissões de gases de efeito estufa e a poluição atmosférica. Precisamos colocar as pessoas e não os carros em primeiro lugar nos sistemas de transporte”, afirmou.

O relatório aponta que o transporte motorizado é responsável por 23% das emissões totais de gás carbono, o principal componente que acelera o efeito estufa. Se os números atuais se mantiverem, o transporte motorizado será responsável por 1/3 das emissões de gás carbono até 2050.

Estima-se que a má qualidade do ar, provocada em parte pela emissão da frota de veículos, provoca a morte prematura de 7 milhões de pessoas por ano e aumenta problemas de saúde como bronquite, asma, doenças cardíacas e danos cerebrais.

A frota mundial de carros particulares deve triplicar até 2050, com a maior parte dos novos veículos em circulação em países em desenvolvimento, que já possuem a maior incidência de mortos e feridos nas ruas. Além de aumentar as mortes no trânsito, isto tornará mais difícil que o mundo consiga evitar que a temperatura aumente menos de 2 graus Celsius.

O PNUMA pediu que os países invistam pelo menos 20% do orçamento de transporte em infraestrutura para pedestres e ciclistas para salvar vidas, reverter a poluição e diminuir as emissões de gás carbono, que têm aumentado mais de 10% ao ano.

“A menos que tenhamos ruas mais seguras, estima-se que em 10 anos 13 milhões de pessoas morram em acidentes de trânsito – mais do que a população inteira da Bélgica. O impacto humano é horrível, mas o impacto da sobrevivência de todos nós não pode ser ignorado”, afirmou Solheim.

O Programa da ONU também pede que os países desenvolvam políticas locais e nacionais para transporte não motorizado, com especial atenção a usuários mais vulneráveis deste tipo de transporte, como mulheres, crianças, idosos e pessoas com dificuldades motoras.

A pesquisa investigou o progresso de infraestrutura para pedestres e ciclistas em 20 países de baixa e média renda na África, Ásia e América Latina, onde o dobro de pessoas morre em acidentes de trânsito em comparação a países com maior renda. Acesse o documento na íntegra, em inglês, aqui.

 

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