Reflorestamento fica abaixo da meta prevista na Olimpíada 2016

O compromisso previa o plantio de 24 milhões de mudas para compensar o impacto ambiental com os jogos olímpicos e paralímpicos no Rio

Cerimônia de abertura da Olimpíada no Maracanã. Crédito: Site oficial Rio 2016

 

O reflorestamento previsto ficou longe da meta prometida no documento oficial de compromissos para o Comitê Olímpico Internacional (COI) pelo governo do Rio de Janeiro, que envolvia o plantio de 24 milhões de mudas para compensar o impacto ambiental com a Olimpíada e a Paralimpíada de 2016, segundo reportagem publicada na Agência Brasil.

No dia 21 de setembro, a prefeitura da cidade do Rio plantou 100 mudas da Floresta dos Atletas, no Parque Radical, em Deodoro (na zona oeste da capital carioca), preparando o local para receber as 12 mil árvores semeadas pelos atletas na Rio 2016. As sementes estão sendo cultivadas em um horto e serão transplantadas para o Parque Radical, em 2017. Mas dois especialistas entrevistados pela Agência Brasil avaliam que esse plantio não vai alterar em nada em relação ao reflorestamento do município.

“Se, de fato, isso fosse real [o reflorestamento], mesmo com 30% de mortalidade (das mudas), o que é normal, você teria um acréscimo de floresta equivalente a 10% da área da cidade. Seria positivo porque só 30% da cidade são considerados área florestal, com algum tipo de vegetação importante”, diz o  coordenador-geral do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG), do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Marcos Freitas.

Neutralização de gases GEE
“Temos que ficar de olho”, alerta o coordenador de Planejamento Ambiental do Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA), Felipe Paranhos. O Instituto foi parceiro do governo no projeto Jogos Verdes 2016 de neutralização das emissões de gases de efeito estufa. A organização não governamental começou a elaborar o mapeamento para fazer as neutralizações das emissões no entorno do complexo de Ribeirão das Lajes, da distribuidora de energia Light, situado nos municípios de Rio Claro e Piraí, no estado do Rio de Janeiro.

“Começamos a mapear áreas prioritárias lá dentro para poder fazer as neutralizações. Só que o projeto foi descontinuado devido a divergências políticas”. Segundo ele, o projeto acabou abandonado por falta de recursos.

Para Paranhos, a grande promessa do governo do estado ao Comitê Olímpico Internacional não foi cumprida. “Não houve neutralização. O que eles fizeram foi dar uma amenizada”. Não há como comparar o compromisso apresentado ao COI anteriormente com as 12 mil mudas que deverão ser plantadas em Deodoro, comentou, concordando com Marcos Freitas, coordenador do IVIG-Coppe.

Acompanhamento da restauração florestal
Felipe Paranhos explicou que não se trata apenas de plantar a muda no chão “e largar”. É preciso que haja uma assessoria técnica no local. Há necessidade de se preparar a área e fazer acompanhamento por, no mínimo, cinco anos, “para ver se tem formiga, se vai pegar fogo. Tem toda uma cadeia produtiva por trás”.

Ele destacou que a restauração florestal é uma cadeia produtiva muito grande, que gera empregos. Países desenvolvidos, como os Estados Unidos, investiram muito em restauração florestal há 60 anos ou 70 anos, afirmou. “A gente vai na contramão o tempo todo. Prometeu-se uma coisa gigante e não foi feito nada”. Mas ele espera que as 12 mil mudas venham a ser plantadas. Informou, ainda, que em um hectare podem ser plantadas 1.677 árvores. Por isso, o coordenador do ITPA indicou que se pode ver o que seria feito antes se o compromisso de 24 milhões de mudas tivesse sido mantido, e o que vai ser feito agora.

Valorizar iniciativas sustentáveis
Seria muito importante se houvesse, de fato, o reflorestamento do Rio de Janeiro. A devastação de florestas, além de causar mudanças climáticas e ameaçar de extinção espécies animais e vegetais, representa um enorme desperdício de recursos valiosos, provenientes de uma biodiversidade de valor estratégico incalculável. Os consumidores devem valorizar iniciativas que ajudam a preservar este patrimônio natural e também recuperar áreas desmatadas, principalmente em áreas urbanas. Assim será possível a melhoria da qualidade do ar, do equilíbrio do clima, do abastecimento de água e de energia, e da sustentabilidade da vida no planeta.

 

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