90% dos brasileiros comem frutas e legumes abaixo do recomendado

Na média, população carece de cálcio e fibras e exagera no sal e na gordura; aumento de renda e refeições fora de casa pioram qualidade da dieta

Nove em cada dez brasileiros mantêm uma dieta pobre em frutas, legumes e verduras, de acordo com a Análise de Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia a pesquisa na íntegra.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Guia Alimentar Brasileiro, do Ministério da Saúde, sugerem o consumo de 400 gramas de frutas, legumes e verduras por dia, no entanto, menos de 10% da população ingere o indicado.

O levantamento do IBGE encontrou altos índices de deficiência de cálcio, fibras e vitaminas em 68% dos brasileiros. Esses nutrientes são essenciais para o bom funcionamento do organismo.

A mesma pesquisa indica excessos no consumo de sódio em 84% da população; açúcar, em 61%, e gorduras saturadas, em 82%. Essas substâncias comprometem as funções do corpo, gerando doenças cardiovasculares – como a hipertensão arterial –, diversos tipos de câncer, diabetes, insuficiência renal, problemas na vesícula, nos joelhos e na coluna.

“A responsabilidade individual por aquilo que comemos, no sentido de buscar alimentos mais saudáveis e de menor impacto ambiental, além de evitar desperdícios, é uma prática de consumo consciente. Essa postura do consumidor preserva, em primeiro lugar, sua própria saúde e a do planeta, beneficia seu bolso e a economia do país”, afirma Ana Maria Wilheim, diretora executiva do Instituto Akatu. “Mas é claro que o Estado também deve trabalhar para regular a oferta de alimentos, fazendo com que o mercado proporcione mais qualidade à mesa dos brasileiros”, completa.

Segundo especialistas, o fácil acesso a alimentos industrializados, em geral, com altos índices calóricos, a falta de tempo para dedicar ao planejamento da alimentação e o ritmo frenético de vida nas grandes cidades respondem, em parte, pela má qualidade de alimentação do brasileiro.

Como anda o prato dos brasileiros
O arroz e o feijão ainda figuram entre os produtos mais consumidos pelos brasileiros. Eles ingerem, respectivamente, 160,3 g/dia e 182,9 g/dia. No entanto, o levantamento constatou que à medida que aumenta a renda do brasileiro, cai o consumo desses alimentos. Completam a lista dos alimentos mais comuns na mesa dos brasileiros de todas as classes, regiões e idades café (215,1 g/dia), sucos (145,0 g/dia), refrigerantes (94,7 g/dia) e carne bovina (63,2 g/dia).

Produtos de alto teor calórico e de baixa capacidade nutritiva, como biscoitos, linguiça, salsicha, mortadela, sanduíches e salgados são consumidos, principalmente, entre adolescentes de todas as classes e, principalmente, fora de casa. Os homens de 14 a 18 anos apresentam a maior média de ingestão de energia: 2.289 quilocalorias diárias (kcal/dia).

O segundo grupo de maior ingestão energética também é constituído por homens, desta vez, de 19 a 59 anos de idade (2.163 kcal/dia). Para ambos os sexos, os menores valores de ingestão energética ficaram na faixa de 60 anos ou mais: 1.490 kcal/dia para mulheres e 1.796 kcal/dia para homens.

Lívia Barbosa, doutora em antropologia social e integrante do Conselho Acadêmico do Instituto Akatu, aponta a crescente autonomia dos jovens, muitas vezes, sem o amadurecimento necessário para fazer escolhas conscientes no dia a dia, como uma das causas para a concentração dessa faixa etária entre os que consomem calorias em excesso. “Fazemos questão de comer fora de casa e os jovens, em especial, fazem isso muito mais, explorando a liberdade que têm. Esse é um dado da educação contemporânea que tem suas consequências, ou seja, por isso eles estão mais susceptíveis a má alimentação”, disse em entrevista ao Akatu.

Entre as bebidas, destaque para os refrigerantes e sucos com adição de açúcar. O consumo de biscoitos recheados foi quatro vezes maior entre os adolescentes (12,3 g/dia) do que entre adultos (3,2 g/dia) e foi mínimo entre os idosos (0,6 g/dia). Para sanduíches, os adolescentes e os adultos apresentaram médias de consumo duas vezes maiores do que os idosos.

É sempre importante lembrar que o consumo consciente de alimentos diz respeito a:

– Programar-se antes da compra, para não gerar desperdícios;

– Planejar um cardápio semanal;

– Ler atentamente rótulos e embalagens, para observar não só preço, marca e data de validade, mas também a composição do alimento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou o Manual de Orientação ao Consumidor, para estimular os brasileiros a ler e entender os dados veiculados nos rótulos dos alimentos, uma prática fundamental para o consumidor mais consciente. O manual informa, por exemplo, quais os alimentos que precisam apresentar rótulos, as quantidades limites dos ingredientes para cada tipo de produto, além de uma tabela que faz a conversão das porções apresentadas nos rótulos para medidas caseiras;

– Optar por alimentos naturais e produzidos em locais próximos ao consumo;

– Evitar as gorduras trans.

– Conferir também os Dez Passos Para Uma Alimentação Saudável, criado pelo Ministério da Saúde. O guia orienta os consumidores a fazerem escolhas alimentares saudáveis, além de oferecer dicas de preparo. Nele, também há indicações sobre o número ideal de refeições diárias, alimentos que devem ser consumidos diariamente, além de fórmulas que ajudam o consumidor a saber se está com o peso ideal;

– Preferir alimentos certificados e balancear o carrinho na feira e no supermercado procurando uma alimentação mais saudável e mais sustentável.

Outra alternativa simples para incorporar hábitos alimentares saudáveis no seu dia-a-dia, é ter em casa, para consulta, uma “pirâmide alimentar”. Clique aqui para ver. Ela resume e distribui, em um gráfico bem simples, os vários tipos de alimentos e as proporções que devem ser ingeridas nas refeições.

Para quem tem de almoçar fora, na falta da pirâmide para consultar, uma boa dica é montar um prato bem colorido com muito legume e verdura. E fruta, não doce, de sobremesa.

Vale lembrar que consumir os alimentos de forma consciente não é banir totalmente gorduras, doces e frituras, com exceção daqueles que têm indicação do médico. Mas é controlar a alimentação, evitar excessos e reduzir desperdícios.

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