71% das indústrias brasileiras declaram que adotam programas de gestão ambiental

79% dizem que o fazem por causa da imagem e reputação no mercado, 78% por exigência do licenciamento e 67% por obrigação legal

No Brasil, 71% das indústrias declaram adotar procedimentos relacionados à gestão ambiental, como uso eficiente de energia, minimização de resíduos e reutilização de água. Esse percentual diminui para 61% entre as pequenas empresas e sobe para 95% entre as grandes. 29% ainda não incorporaram essas práticas.

Os dados são da Sondagem Especial de Meio Ambiente, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada no dia 30 de setembro.

Entre as empresas que afirmam adotar tais procedimentos, 87% informam ter instituído um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) com certificações internacionais, a exemplo da ISO 14000, uma série de normas desenvolvidas pela International Organization for Standardization (ISO), organização não governamental com sede em Genebra, na Suíça. O documento estabelece diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro de empresas e confere, mediante auditoria externa, padrão internacional às ações realizadas pelas empresas.

“São documentos que conferem padrão internacional a essas ações, o que é bastante positivo para as empresas e para o meio ambiente”, afirma Heloisa Menezes, diretora de Relações Institucionais da CNI. “Por outro lado, devemos considerar que há empresas que adotam essas práticas e não perseguem a certificação”, completa Heloisa.

Para Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, essa postura das empresas é, de certa forma, uma resposta às exigências dos consumidores. “O consumidor vem considerando ações socioambientais das empresas na hora de escolher de quem comprar, e não apenas os tradicionais critérios de preço, qualidade, inovação e design. E, essa tendência, que não tem mais volta, tem influenciado na decisão das empresas de incorporar a sustentabilidade nos seus negócios.”

Segundo a pesquisa “Responsabilidade Social Empresarial – Percepção do Consumidor Brasileiro”, realizada pelo Akatu em 2006, a proporção de consumidores que usavam seu poder de compra e de comunicação para premiar empresas que tinham práticas adequadas de responsabilidade social e ambiental era de 43%.
De olho no mercado consumidor
Um dos subtítulos do relatório da CNI confirma as considerações do Akatu: “Empresas estão preocupadas com sua imagem e reputação”. Ou seja, a preocupação com a sustentabilidade em si, com a preservação da vida no planeta, ainda não é o que move esses planos de gestão ambiental, e sim a preservação de suas fatias de mercado.

A grande maioria das indústrias incorpora gestão ambiental em suas cadeias produtivas por questões mercadológicas: 79% declararam que o fazem por preocupação com a imagem e reputação da empresa.

Depois vem a obrigação legal: 78% disseram que cumprem exigências do licenciamento ambiental; e 67%, regulamentos ambientais; quase 66% por política interna das empresas, e 55% para reduzir desperdício de insumos e matérias primas.

Os resultados só comprovam a enorme importância do consumidor. Afinal, ele forma o mercado que as empresas querem manter ou cativar. Inclusive, 28% das indústrias citaram diretamente o cliente, declarando que adotam medidas de gestão ambiental por causa das exigências dos consumidores.

Ainda segundo a pesquisa, os programas mais adotados pelas empresas dentro do SGA foram a redução da geração de resíduos (80% das empresas), o uso eficiente de energia (70%), a redução do consumo de água (58%), o uso de resíduos como matéria-prima ou insumo (46%) e a reutilização de água (44%). Já a proteção de áreas ambientais sensíveis teve adesão de 36%, enquanto investimentos na produção da biodiversidade abrangeram apenas 7%.

Investimentos
A pesquisa mostra que 88% das empresas previam investir em preservação ambiental em 2010. Na opinião das empresas entrevistadas, esses investimentos deveriam ser impulsionados por meio de incentivos fiscais, acesso a crédito de fundos ambientais e pelo pagamento por programas de conservação.

A sondagem da CNI foi feita com 1.227 empresas (677 pequenas, 367 médias e 183 grandes), entre os dias 5 e 19 de abril.

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