13º salário: uma oportunidade para um ano novo tranquilo

Brasileiros que sofreram com a crise econômica descobriram ser possível viver bem sem gastar muito e com bom planejamento

A crise econômica que se espalhou pelo mundo em 2008 levou muitos brasileiros a perderem seus empregos no final do ano passado. Sem sua fonte de renda, muitos tiveram um natal aquém do planejado, mas isso os levou a perceber que é possível desfrutar de momentos agradáveis gastando quase nada. E, mais do que isso, que o planejamento financeiro pode tornar a vida mais tranqüila tanto em época de crise como em tempos de bonança.

Foi o que aconteceu com Rosângela Soares, 28 anos, ex-gerente de uma agência de viagem em São Paulo. Por causa da crise, Rosângela ficou desempregada entre outubro do ano passado e março de 2009. “Eu e meu noivo tínhamos planejado usar o 13º para quitar o carro que estávamos pagando e passar a virada de ano viajando pelo Nordeste, mas tivemos que cancelar tudo. Ficar em São Paulo foi o plano “B” forçado. Foi muito chato, o relacionamento quase desandou”, conta Rosângela.

Mas, ao final, a mudança de planos se tornou um inesperado final feliz. “Passei a virada do ano na casa dos meus futuros sogros. Sinceramente, eu não sabia que eles eram tão divertidos. Foi muito bacana, e desde aquela época nós estamos mais próximos. Eles estão querendo até casamento”, revela, animada. “O que vale é que, no final, tudo deu certo e o mais importante é que não nos endividamos”, comemora.

Desde então, Rosângela e o noivo têm vivido sempre dentro das possibilidades de seu orçamento. “Essa experiência chata nos ensinou que existem várias outras opções simples e menos dispendiosas para vivermos momentos interessantes”, afirma. Este ano, o casal, com as contas em dia, vai fazer a tão aguardada viagem. “Não é que esteja sobrando dinheiro, mas a gente merece, né”, brinca Rosângela.

A decisão tomada por Rosângela é aconselhada por Elaine Toledo, consultora do Instituto Akatu e autora do livro Saiba mais para gastar menos. Segundo Elaine, a dica para a época festiva que se aproxima é evitar o envolvimento puramente emocional com o dinheiro. “As pessoas acreditam que o 13º salário está desvencilhado do resto das contas a pagar, e que merecem se presentear de qualquer jeito”.

Previsões da Serasa Experian indicam que as ofertas de compras financiadas devem voltar com força máxima neste final do ano e, por isso, ao contrário de 2009, os brasileiros começarão 2010 endividados.

Na opinião de Elaine, “o pior é que as pessoas acham que, com as compras, podem compensar a ausência e a falta de dedicação aos relacionamentos pessoais”. Segundo a consultora, o desprendimento dos bens materiais leva ao questionamento sobre “como se doar para os outros e a você mesmo” e não necessariamente “o que dar e o que se dar”. Ela recomenda que os consumidores pensem sobre os últimos 10 objetos que compraram e, em seguida, respondam às perguntas: “o que eles significam para mim? Qual o retorno que eles me deram?”. “As respostas provavelmente dirão se o dinheiro está sendo gasto devidamente ou não”, aconselha Elaine.

Planejamento é fundamental
A falta de planejamento é a principal causa das compras impulsivas e dos gastos desnecessários. Por isso, se você ainda não se planejou, comece agora mesmo a definir os destinos do seu 13º. Elaine Toledo recomenda, como primeiro passo, fazer um levantamento completo da situação financeira. Se houver contas a pagar, o consumidor deve quitá-las, procurando fechar o ano com o saldo positivo. “Se estiver sem dívidas”, continua, “a atenção deve ser para os gastos extras próprios do início do ano como IPVA, IPTU e matrículas de escolas, além de material e uniforme escolar”.

Entretanto, se você for às compras, lembre-se que muitos produtos mais procurados nesse período do ano vão engordar suas despesas mensais durante os próximos anos. “As pessoas não pensam nisso, mas comprar um animal de estimação, por exemplo, significa ter despesas constantes com ração, cuidados com o veterinário e banhos especiais, além das despesas com hotéis durante eventuais viagens. Esse exemplo, que parece supérfluo, pode ser aplicado desde à compra do carro até a pequenos brinquedos que funcionam a pilha”.

Segundo Elaine Toledo, todos — inclusive os que não têm dívidas — devem ficar atentos para evitar desperdícios e endividamentos: “para as pessoas que já comprometeram o 13º, o sinal já está vermelho e qualquer atitude impensada significa endividamento. Para os que já gastaram metade do 13º quitando dívidas, o sinal é amarelo, em nível de cuidado intermediário. O sinal verde, com ressalvas, é para os que não têm dívidas”.

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