História

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O embrião do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente surgiu no ano 2000, dentro do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, quando os seus dirigentes perceberam que as empresas só aprofundariam, no longo prazo, suas práticas de Responsabilidade Social (RSE) na medida em que os consumidores passassem a valorizar essas iniciativas em suas decisões de compra.

Fase 1: Acertando o foco

Naquela ocasião, as pesquisas elaboradas pelo Ethos mostravam que o consumidor tinha grande interesse pelas práticas de responsabilidade social, no entanto, isso não se refletia nas suas decisões de consumo.
Pesquisas realizadas pelo Akatu constataram que o consumidor não conseguia estabelecer um vínculo entre o produto comprado e a empresa que o produzia. Assim como ficou claro que o interesse dos cidadãos pela Responsabilidade Social Empresarial se dava por considerarem as empresas poderosas e, com isso, potenciais colaboradoras para a transformação social positiva. Porém, ele não se percebia como parte importante e influenciadora das empresas.

Ficou claro que o primeiro desafio seria mostrar ao consumidor o poder que ele tem sobre a atuação das empresas. Portanto, era preciso “empoderar” o consumidor, mostrando-lhe o poder de seus atos de consumo como transformadores da sociedade.

Para falar mais diretamente com a população, o Akatu decidiu deixar a questão da responsabilidade social para um momento posterior e começar o seu trabalho com temas mais conhecidos e valorizados pelo consumidor, como água, energia e resíduos. Assim surgiu, no início de 2002, a cartilha “Sou + Nós”, um folheto que abordava esses três temas, mostrando ao consumidor o seu poder transformador ao modificar seus hábitos de consumo

Fase 2: Métricas e conteúdos (2002-2004)

Ao pensar nos próximos passos a serem dados pelo Akatu, percebeu-se que, antes de agir, era necessário entender e mensurar melhor o grau de consciência dos seus interlocutores. Assim surgiu, em 2003, o Teste do Consumidor Consciente (TCC), questionário composto por 13 perguntas que permitem classificar o grau de consciência do consumidor.

A aplicação do TCC em comunidades serviu também como ferramenta de educação, uma vez que as pessoas, ao responder às perguntas, acabavam por identificar formas de atuação que indicavam o caminho do consumo consciente.

Fase 3: Envolvimento dos formadores de opinião (após 2004)

Mas era preciso um segundo passo no TCC: oferecer conteúdos que sensibilizassem e mobilizassem as pessoas na direção do consumo consciente. Foi quando se percebeu a necessidade de uma metodologia para a elaboração e a transmissão dos conteúdos. O consumidor precisava entender a extensão e a gravidade da questão com a qual estava lidando. Precisava entender que sua mudança de comportamento tinha um grande peso sobre o processo de construção da sustentabilidade e também se sentir mobilizado a envolver outras pessoas nesse processo.

A necessidade de estruturar os conteúdos de forma organizada, lógica e mobilizadora terminou por provocar o surgimento das pedagogias do Akatu, que determinam como a mensagem deve ser formatada e transmitida.
A essa altura, o Akatu já contava com as pesquisas, com o TCC e com conteúdos sensibilizadores, impactantes e mobilizadores. Era preciso definir onde e como aplicar todo esse arsenal e concluiu-se que o caminho mais adequado e rápido seria atuar sobre os formadores de opinião. Esses, com sua influência, ampliariam naturalmente o alcance do conceito e da prática do consumo consciente.

Assim aumentou, a partir de 2004, o mosaico de atividades do Akatu, envolvendo comunicação por meio de empresas disseminadoras da causa, da publicidade e dos meios de comunicação, ao lado da capacitação para o consumo consciente de voluntários, de professores e de líderes e formadores de opinião.

Fase 4: Busca de instrumentos de grande impacto social (2005-2009)

Pesquisa realizada em 2006 mostrou que 13% da população conhecia o Akatu. As atividades de capacitação realizadas pelo Instituto em 2007 atingiram um público direto de mais de 50 mil pessoas e indireto de mais de 500 mil. E as atividades de comunicação ocuparam um espaço na mídia, seja em ações de publicidade da causa, seja em matérias onde o Akatu e o consumo consciente estavam presentes, em um volume equivalente a cerca de R$ 33 milhões de reais, naturalmente cedido pró-bono pelos veículos de comunicação.

Mesmo assim, o processo de conscientização e empoderamento do consumidor se dá de forma lenta frente à gravidade e urgência do problema de sustentabilidade da vida no planeta. Assim, o Akatu passa a buscar iniciativas de grande impacto social por meio de eventos, tais como exposições e concursos, para atingir um grande número de consumidores de forma rápida e objetiva.

Em 2010, o Akatu conseguiu dar visibilidade à causa do consumo consciente: o programa Fantástico exibiu duas reportagens sobre uma campanha feita pela agência LewLara/TBWA. Foram criadas peças que simulavam o lançamento de empreendimentos imobiliários de luxo no meio de locais públicos que são cartões-postais do país, mostrando a inversão de valores.

Outro destaque deste período foi a parceria do Akatu com o Canal Futura e a HP para a produção da série de vídeos “Consciente Coletivo”. Em 10 episódios, a série faz reflexões, de forma simples e divertida, sobre os problemas gerados pelo ritmo de produção e consumo de hoje. Foi exibida nos intervalos da programação do Canal Futura e, em 2011, usada como apoio para atividades pedagógicas em mil instituições educacionais do país.

Fase 5: Decálogo da produção responsável e consumo consciente (2011-2012)

Após 11 anos de atuação, o Akatu percebeu a necessidade de uma referência concreta quanto a alguns caminhos a seguir para que a produção e o consumo se tornem mais sustentáveis. Daí nasceu o Decálogo da Produção Responsável e Consumo Consciente.

Este Decálogo foi apresentado pelo Akatu na Rio+20, Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em junho de 2012, junto com quatro propostas nos “Diálogos para a Sustentabilidade da ONU”.
O documento final da Rio+20, “O futuro que queremos”, teve um apelo feito à urgência da educação para a sustentabilidade. Neste contexto, nasceu o projeto do Edukatu, Rede de aprendizagem para o consumo consciente, voltado a professores e alunos de escolas públicas e privadas de ensino fundamental de todo o Brasil. Em setembro de 2013, o Edukatu foi lançado oficialmente.

Fase 6: A sociedade do bem-estar, com escala e velocidade (a partir de 2013)

“Para você, o que é felicidade?” Essa foi uma das perguntas que o Instituto Akatu fez a 800 brasileiros de todas as regiões do país no final de 2012. Os resultados da pesquisa mostram que os entrevistados associam sua felicidade muito mais ao bem-estar físico e emocional e à convivência social do que aos aspectos financeiros e à posse de bens. Essa foi uma das abordagens da Pesquisa Akatu 2012: Rumo à Sociedade do Bem-Estar.

Chegamos à conclusão de que, mais do que uma organização envolvida na popularização da prática do consumo consciente no Brasil, o Akatu gostaria de ser reconhecido como entidade articuladora e mobilizadora para o consumo consciente e estilos mais sustentáveis de vida, sendo referência na geração e disseminação de conhecimento sobre esses temas, na inspiração para a sua prática, na proposta, articulação e aprovação de soluções concretas por meio de políticas públicas novas ou da articulação para a implementação de políticas existentes, e no engajamento de organizações e movimentos sociais, comunidades, empresas, academia, governos e pessoas em seu propósito.

Em 2014, em meio a crise hídrica no Sudeste do país, o Akatu lançou a campanha #águapedeágua, que convocava as pessoas a acessarem dicas de economia e uso consciente de água em um site em que podem ainda compartilhar experiências bem sucedidas contra o desperdício que tenham realizado. A campanha, realizada pela agência Taterka, teve alcance de mais de 120 milhões de pessoas. Um exemplo de visibilidade foi a reportagem sobre a campanha no Jornal Nacional em 24/10, com impacto em 4,6 milhões de pessoas.

O Teste do Consumo Consciente (TCC), criado pelo Akatu em 2003 e utilizado como instrumento de avaliação e orientação do perfil de consciência do consumo de pessoas e comunidades ganhou nova roupagem em 2014. A nova plataforma foi lançada no Dia do Consumo Consciente (15/10) com um design mais amigável, que permite análise mais profunda de dados, compartilhamento de resultados nas redes sociais e traz dicas mobilizadoras para os usuários.

Em outubro de 2015, o destaque foi o lançamento da nova pesquisa do Akatu “Caminhos para Estilos Sustentáveis de Vida”, que identificou o que acelera e o que dificulta a mudança de comportamento do consumidor na direção da adoção de práticas sustentáveis. Uma das conclusões foi de que são os valores adotados e compartilhados pelas pessoas que provocam as mudanças e, quanto mais unidas, maior o engajamento em torno das práticas sustentáveis.

O tema mudanças climáticas e sua conexão com o consumo consciente foi foco da campanha #ClimaMuitoLoko, que explicou ao longo de 2016 como adotar um estilo sustentável de vida pode ajudar a combater o aquecimento global. Nos materiais da campanha, foram divulgadas dicas de como uma pessoa, no seu cotidiano, poderia mudar suas atitudes de forma a diminuir o seu impacto no clima.

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