Folha de S. Paulo: Nova rotulagem nutricional e a busca por uma alimentação equilibrada

No dia 28/11, foi ao ar no site da Folha de S. Paulo um artigo do diretor-presidente do Instituto Akatu Helio Mattar  sobre o novo modelo de rotulagem para produtos industrializados.

No dia 28/11, foi ao ar no site da Folha de S. Paulo um artigo do diretor-presidente do Instituto Akatu Helio Mattar  sobre o novo modelo de rotulagem para produtos industrializados e que deve ser implementado no Brasil. O modelo deve contribuir para educar os consumidores a terem hábitos mais saudáveis.

 

Confira o artigo:

As escolhas que fazemos nos corredores dos supermercados impactam diretamente a nossa saúde. Mas temos informações suficientes para fazer as opções corretas? Ao analisar a forma como as informações são apresentadas nas atuais embalagens de alimentos, fica claro que isso não é o suficiente para que a maioria faça escolhas adequadas a uma dieta saudável.

Essa constatação está na origem do sistema de rotulagem nutricional proposto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no qual as informações sobre a quantidade de sódio, açúcares e gorduras estarão presentes na parte frontal da embalagem dos produtos. Em maio, a Anvisa publicou um relatório preliminar, que sugere a alteração dos valores da tabela nutricional com base em porções de 100 g ou 100 ml, e a adoção de um modelo frontal de rotulagem nutricional que utilize cores e símbolos para informar sobre o teor de nutrientes comparado com os valores diários máximos de referência, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), para uma dieta de 2.000 Kcal.

O processo seguiu, então, para a etapa de “Tomada Pública de Subsídios”, com o objetivo de auxiliar nas decisões sobre o design mais apropriado para os rótulos frontais e sobre qual o prazo para a adequação da indústria.

Uma das propostas em pauta é a do modelo de advertência implantado no Chile, defendido pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que utiliza “selos” pretos frontais para alertar se o produto em questão possui teores muito elevados de calorias ou de nutrientes críticos como sódio, açúcar e gorduras na sua composição. O uso do “selo preto” lembra a “tarja preta” colocada em remédios que exigem receita médica.

 

Fonte: Senado Federal, 2017

Os alimentos que receberem um ou mais desses selos pretos seriam proibidos de realizar propaganda voltada a crianças em suas embalagens, e também de exibir mensagens ou imagens que induzam o consumidor à percepção de saudabilidade do produto (como, por exemplo, afirmações de “rico em fibra” ou de “zero gordura trans”).

O segundo modelo proposto, endossado pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), é utilizado no Equador e se baseia nas cores do semáforo – verde, amarelo e vermelho – para indicar se o alimento tem, respectivamente, baixo, médio ou alto teor de nutrientes como sódio, açúcar e gorduras quando comparado com os valores diários máximos de referência para uma dieta de 2.000 Kcal.

Fonte: Rede Rotulagem (www.rederotulagem.com.br)

 

Mas, mesmo que fosse possível encontrar o “selo perfeito”, a rotulagem é uma ferramenta necessária, mas totalmente insuficiente para atingir sozinha o objetivo de ampliar a informação. Apenas 35% dos consumidores, segundo a Abia, consegue entender completamente as implicações nutricionais do que estão consumindo e as potenciais consequências para a sua saúde.

Nesse processo educativo, a rotulagem é apenas um aspecto. E a rotulagem frontal, em sua versão unicamente “negativa”, tende a não ser educativa, dado que a presença de um ou mais elementos negativos (rótulo preto) não considera o conjunto nutricional mais completo de ingestão do alimento. Com isso, tal tipo de rótulo, na prática, mostra-se diretamente útil apenas para aquelas pessoas que têm restrições ou necessidades alimentares particulares e que, por isso, buscam identificar a presença de certos ingredientes. Pode-se dizer que essa rotulagem indica ao consumidor que não é preciso pensar – alguém tomou a decisão em seu lugar.

Já a rotulagem do modelo “semáforo” indica ao consumidor a necessidade de uma análise de sua dieta mais ampla, na qual o alimento industrializado se insere. O ponto central de uma alimentação saudável é ter hábitos alimentares diários que combinem, em seu conjunto, os elementos nutritivos corretos, não se limitando unicamente à consideração de um ou outro alimento ou nutriente.

Além disso, é no contexto da sociedade de consumo de massa que a dieta saudável deve ser pensada. Se esse processo for olhado historicamente, é como se, desde a segunda metade do século XX, a humanidade tivesse entrado em um novo universo alimentar para o qual o seu conhecimento secular do que é saudável se aplica de modo limitado. Nesse sentido, como parte de um processo de transição para dietas saudáveis em uma sociedade de consumo de massa, o modelo do semáforo, por conter um número maior de informações, exigirá, ainda que minimamente, uma certa reflexão do consumidor, e poderá ser mais bem aproveitado ao ser complementado por outros esforços de educação e de comunicação dos consumidores.

Confira o link com o artigo no site da Folha de S. Paulo.

 

Gostou da notícia? Compartilhe!
Ajude a disseminar o Consumo Consciente entre os seus amigos.
Compartilhe:
Leia mais: