Jornalistas vencedores do Ethos debatem cobertura de RSE
No ano em que comemora dez anos de criação, o Instituto Ethos promove debate em edição especial do Prêmio Ethos de Jornalismo
Em 2008, o Instituto Ethos, parceiro institucional do Akatu, completou dez anos de sua criação. Para comemorar a data, a entidade promoveu uma edição especial do Prêmio Ethos de Jornalismo. Nesta 8ª edição, os prêmios foram atribuídos ao conjunto da obra dos vencedores nas sete edições anteriores. A cerimônia de entrega dos troféus aconteceu no dia 30 de setembro em São Paulo e os premiados foram convidados a debater os desafios da cobertura de Responsabilidade Social Empresarial (RSE).
Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, comemorou os dez anos da entidade destacando a importância da mídia para o crescimento da RSE. “É com muito orgulho que nos unimos a esses profissionais e temos plena consciência de que eles querem e podem fazer muito mais pela sociedade”, desafiou. “Com a qualidade da cobertura do tema, o comportamento das empresas mudou. Os empresários perceberam que não basta fazer marketing social, mas que a publicidade deve ser acompanhada de ações sustentáveis concretas”, completou o vice-presidente, Paulo Itacarambi.
“A RSE na Mídia na visão dos vencedores do 8º Prêmio Ethos de Jornalismo”
Este foi o tema debatido pelos vencedores na cerimônia de premiação. Os profissionais trocaram experiências e discutiram os desafios da cobertura de RSE. A sustentabilidade se destacou entre os temas debatidos.
“Ser jornalista ambiental no Brasil é um grande desafio, pois, somos os maiores detentores de dois dos principais recursos necessários à sobrevivência humana: a biodiversidade e a água”, começou André Trigueiro, do canal Globo News, vencedor da categoria Mídia Eletrônica (televisão) e membro do Conselho Consultivo do Akatu. Trigueiro defendeu que a mídia deve abrir espaço para a questão ambiental e investir mais na “educação informal da sociedade” para garantir a contenção das mudanças climáticas.
Adalberto Marcondes, da Revista Digital Envolverde foi finalista da categoria Mídia Digital (internet) e reconhecido pelo Prêmio Destaque Rede Ethos de Jornalismo. Marcondes destacou o caráter pioneiro da profissão como um dos maiores desafios dos jornalistas. “Nós somos sempre os primeiros que ‘damos a cara para bater’ para tratar de assuntos desconhecidos e polêmicos. Com a sustentabilidade não foi diferente. Hoje, todos sabem que precisam fazer alguma coisa urgentemente. Essa é a nossa profissão”.
O ganhador da categoria Mídia Digital (rádio), Márcio Pessoa, hoje radicado em Alemanha, preferiu direcionar o debate para a questão ética. Ele lembrou que os profissionais são obrigados a fazer marketing institucional camuflado de reportagem. “São as ‘pautas do bem’. Infelizmente isso acontece e poucos conseguem sair dessa emboscada montada pelos empresários”, alertou. “Infelizmente temos que desconfiar das empresas que decidem se comunicar, pois, a comunicação empresarial não é um fim, é um meio para determinada conquista”, completou Davi Molinari, vencedor da categoria Mídia Digital (internet), pela Rede TV e SBT.
As dificuldades técnicas e operacionais para abordar a sustentabilidade e de se comunicar efetivamente com o público também foram discutidas pelos debatedores. Andréa Vialli, repórter do jornal O Estado de S. Paulo e vencedora da categoria Jornal, revelou que os desafios da cobertura de temas relacionados às mudanças climáticas começam dentro da redação. “Há uma briga desigual por espaço no jornal e nossos próprios colegas nos olham diferente. O desafio é mostrar que a sustentabilidade é fundamental para continuar operando economicamente no planeta, seja lá em que setor de atividade for”.
Cynthia Rosemburg, repórter da revista Época Negócios foi a vencedora da categoria Revista. Ela concordou com Vialli e foi mais além, afirmando que o público ainda não dá a devida importância ao tema. Para Rosemburg, uma saída é tratar de sustentabilidade sem necessariamente empregar esse conceito. “Precisamos usar mecanismos de explicá-lo e evidenciá-lo. Ao contrário continuaremos criando nichos, o que não é bom.”
“Existem brasileiros que moram nas reservas ambientais e sempre sobreviveram à base de extração de recursos naturais. Hoje não têm o que comer porque são severamente fiscalizados por diversas entidades. Eu pergunto: isso é sustentabilidade? Em minha opinião, o jornalista tem o desafio de lidar com questões relativas como essa.” O fotógrafo Francisco de Assis Sampaio, do jornal Estado de S. Paulo e vencedor da categoria Fotojornalismo, pediu aos colegas que levassem a questão para reflexão. Sampaio concorreu para o prêmio com seu trabalho na região amazônica.
