Carrefour inicia processo de banimento de sacolas plásticas
Loja do Grupo em Piracicaba não fornece mais sacolas plásticas aos consumidores desde segunda-feira, 15 de março – Dia Mundial do Consumidor
Por Naná Prado, do Instituto Akatu
A loja de Piracicaba do Grupo Carrefour, parceiro estratégico do Akatu, lançou no dia 15 de março – Dia Mundial do Consumidor – uma iniciativa pioneira pelo banimento de sacolas plásticas. A cidade servirá de modelo, já que a intenção do Grupo é banir a utilização de sacolas em toda a sua rede de lojas no Brasil até 2014.
Foi uma manhã de muita comemoração e a cerimônia de lançamento contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, do diretor do Instituto Akatu, Helio Mattar, do diretor superintendente do grupo Carrefour Brasil, Jean-Marc Pueyo e do prefeito de Piracicaba, Barjas Negri.
A ação é um marco para o Carrefour no âmbito do consumo consciente e conta com forte apoio governamental (Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e o prefeito de Piracicaba, Barjas Negri), além da parceria com o Instituto Akatu. "Apoiamos e incentivamos projetos como este. Somente com a cooperação entre a sociedade e a iniciativa privada poderemos tornar sustentável nossa existência. Quanto mais ações semelhantes, melhor para todos nós", afirma Helio Mattar, diretor do Akatu.
Aliás, o envolvimento da sociedade foi fundamental para a escolha de Piracicaba como cidade pioneira da iniciativa. “Piracicaba foi escolhida para o lançamento de um projeto nacional da rede porque a cidade já vem desenvolvendo diversas iniciativas de sustentabilidade promovidas pela sociedade civil em conjunto com o poder público”, explica Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Carrefour.
O Projeto foi lançado no Dia Mundial do Consumidor, data em que o Akatu comemora 9 anos de existência. “Não poderia ter sido um dia melhor. Nesta manhã de lançamento da iniciativa do Carrefour de eliminar as sacolas plásticas da loja ouvimos por diversas vezes as pessoas falarem em consumo consciente. Isso, para o Akatu, é o maior presente”, comemora Mattar.
A vida continua sem sacolas plásticas?
Sabendo que as sacolas plásticas demoram aproximadamente 400 anos para se decomporem, o Carrefour tomou a frente e decidiu ser a primeira rede no varejo brasileiro a eliminar as sacolas de uma loja. No entanto, os consumidores não ficarão sem alternativas para levar suas compras para casa. Pianez explica que até 31 de março serão disponibilizadas sacolas retornáveis, com capacidade para 35 kg, para os clientes. Após esse período, os consumidores pagarão R$ 1,90 pela sacola.
Será disponibilizada também a sacola de bioplástico, 100% biodegradável e compostável, com capacidade para 8 kg, que custará R$ 0,30. Essa sacola é feita de amido de milho e se decompõe em 18 semanas. O valor arrecadado será doado ao Lar dos Velhinhos de Piracicaba. Os clientes ainda terão caixas de papelão à disposição para carregar as compras.
A iniciativa contempla também as os sacos plásticos utilizados dentro das lojas (embalagens de frutas, legumes, açougue e peixaria). Para o acondicionamento desses produtos serão oferecidos gratuitamente saquinhos de material biodegradável. O lixo da loja passará a ser jogado em sacos plásticos fabricados a partir da reciclagem de garrafas PET.
Para consumidores que se acostumaram a acondicionar seu lixo doméstico nas sacolas plásticas tradicionais, o Carrefour desenvolveu uma opção de saco de lixo, produzido com plástico reciclado e que será vendida nas lojas. "A eliminação das sacolas plásticas tradicionais é uma ação decisiva do Carrefour na defesa e preservação do meio ambiente. É uma questão diretamente ligada ao nosso negócio. Recebemos todos os dias mais de um milhão de clientes em nossas lojas e entendemos que este é um importante canal para conscientizar e influenciar o comportamento do consumidor, estimulando seu engajamento no processo", justifica o diretor superintendente do Grupo Carrefour Brasil, Jean-Marc Pueyo.
Conscientização foi o primeiro passo do processo
O Carrefour tem feito um trabalho de redução do uso de sacolas plásticas desde junho de 2008. A iniciativa de disponibilizar "ecocaixas", para os consumidores levarem apenas o produto para casa, deixando as embalagens no supermercado para serem recicladas, possibilita a diminuição do volume da compra. "Com isso, conseguimos a redução de 30% do uso de sacolas, cerca de 400 milhões a menos", conta Pianez.
A ação também é uma continuação da participação da rede na campanha "Saco é um Saco", lançada no último ano pelo Governo Federal. Segundo o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, "há campanhas que pegam e outras, não. O mais difícil é reciclar ideias. Quando uma campanha dá certo é porque as pessoas entenderam com clareza a mensagem, a necessidade e a urgência de agir. Não dá para observar as consequências do consumo desenfreado, da perda da biodiversidade, das enchentes e fingir que nada está acontecendo e que não temos culpa no cartório. Saco é um saco mesmo - é o que a natureza está gritando. A empresa que apoia essa campanha está contribuindo para um planeta melhor, e uma simples atitude pode ajudar o mundo”.
Como parte da campanha “Saco é um Saco”, que conta com a parceria do Instituto Akatu, foi lançado, em 2009, o Concurso Cultural “Saco de Ideias”. Internautas de todo o Brasil participaram do concurso enviando vídeos de até 1 minuto com sugestões para reutilizar, recusar e reduzir o uso de sacolas plásticas. Os 3 vencedores estiveram no evento do Carrefour e receberam os prêmios.
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estima que o Brasil consome a cada ano cerca de 12 bilhões de sacolas plásticas tradicionais. Em outras palavras, cada brasileiro utiliza em torno de 66 unidades por mês, provocando danos ao meio ambiente, à sociedade e à economia. “Com esta ação, o Carrefour não está prometendo ser sustentável. Está em um caminho, iniciando um processo em direção à sustentabilidade da vida no Planeta. Neste sentido, alia-se aos consumidores e aos seus parceiros e propõe uma ação em conjunta”, avalia Helio Mattar.
França, China e Polônia são outros países onde o Grupo tem atuação e que já aboliram o uso do material.
