Wal Mart lança tablóide sustentável
Rede varejista lança publicação impressa em papel certificado com o selo FSC
No início de fevereiro, os clientes dos hipermercados Wal-Mart Supercenter (uma das bandeiras da rede) receberam os primeiros exemplares do tablóide feito em papel certificado com o selo FSC (Forest Stewardship Council). O selo é a garantia de que o papel foi fabricado a partir de madeira extraída por processos que conciliam interesses ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, esta certificação é uma das mais reconhecidas no mundo, sendo recomendada pela Ong WWF (da sigla em inglês, World Wildlife Foundation) como o melhor caminho para a certificação de florestas e rastreabilidade da utilização da madeira. O certificado é conferido pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, que certifica toda a cadeia produtiva envolvida na fabricação do papel.
De acordo com o Wal-Mart, parceiro estratégico do Akatu, a iniciativa é inédita no país. O Wal-Mart atua em parceria com a Plural, gráfica também certificada com o selo FSC. Para ser certificada, uma empresa deve manter um sistema de controle de estoques que permita a separação e identificação do produto certificado, assim como cumprir determinados princípios na cadeia de rastreabilidade da madeira (leia boxes).
O tablóide de ofertas é distribuído quinzenalmente, em 29 lojas localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Ele tem uma média de 36 páginas e tiragem de 1,7 milhão de exemplares.
Segundo Alessandra Giglio, diretora de marketing do Supercenter, “toda a rede tem uma preocupação muito grande em buscar a sustentabilidade e o Wal-Mart reafirma esse compromisso adaptando seus procedimentos operacionais para contribuir ainda mais com a proteção do meio ambiente”. Alessandra lembra que um dos objetivos principais da rede, atualmente, é o de se firmar como uma organização líder em desenvolvimento sustentável.
Outra boa notícia é que, segundo as primeiras avaliações do Wal Mart, a utilização de um papel com selo FSC não implicou em maiores custos. Isso é um excelente incentivo porque mostra que atitudes amigáveis ao meio ambiente não necessariamente representam maiores gastos.
Os 10 Princípios e Critérios do FSC
Princípio 1: Obediência às Leis e aos Princípios do FSC
O manejo florestal deve respeitar todas as leis aplicáveis ao país aonde opera, os tratados internacionais e acordos assinados por este país, e obedecer a todos os Princípios e Critérios do FSC.
Princípio 2: Responsabilidades e direitos de posse e uso da terra
Os direitos de posse e uso de longo prazo relativos à terra e aos recursos florestais devem ser claramente definidos, documentados e legalmente estabelecidos.
Princípio 3: Direitos dos Povos Indígenas
Os direitos legais e costumários dos povos indígenas de possuir, usar e manejar suas terras, territórios e recursos devem ser reconhecidos e respeitados.
Princípio 4: Relações Comunitárias e Direitos dos Trabalhadores
As atividades de manejo florestal devem manter ou ampliar o bem estar econômico e social de longo prazo dos trabalhadores florestais e das comunidades locais.
Princípio 5: Benefícios da Floresta
As operações de manejo florestal devem incentivar o uso eficiente dos múltiplos produtos e serviços da floresta para assegurar a viabilidade econômica e uma grande gama de benefícios ambientais e sociais.
Princípio 6: Impacto Ambiental
O manejo florestal deve conservar a diversidade ecológica e seus valores associados, os recursos hídricos, os solos, e os ecossistemas e paisagens frágeis e singulares, e ao assim atuar, manter as funções ecológicas e a integridade da floresta.
Princípio 7: Plano de Manejo
Um plano de manejo – apropriado à escala e intensidade das operações propostas – deve ser escrito, implementado e atualizado. Os objetivos de longo prazo do manejo florestal e os meios para atingi-los devem ser claramente definidos.
Princípio 8: Monitoramento e Avaliação
O monitoramento deve ser conduzido – apropriado à escala e à intensidade do manejo florestal – para que sejam avaliados a condição da floresta, o rendimento dos produtos florestais, a cadeia de custódia (ou de rastreabilidade), as atividades de manejo e seus impactos ambientais e sociais.
Princípio 9 - Manutenção de florestas de alto valor de conservação
As atividades em manejo de florestas de alto valor de conservação devem manter ou ampliar os atributos que definem estas florestas. Decisões relacionadas às florestas de alto valor de conservação devem sempre ser consideradas no contexto de uma abordagem de precaução.
Princípio 10 : Plantações
As plantações devem ser planejadas e manejadas de acordo com os Princípios 1 a 9 e o Princípio. Considerando que as plantações podem proporcionar um leque de benefícios sociais e econômicos, e contribuir para satisfazer as necessidades globais por produtos florestais, recomenda-se que elas complementem o manejo, reduzam as pressões, e promovam a restauração e conservação das florestas naturais
O passo-a-passo para conseguir a certificação
1. Depois da decisão de se certificar, a empresa pode solicitar junto a uma das certificadoras credenciadas uma pré-avaliação do manejo da floresta. Este não é um procedimento obrigatório, mas apenas uma consulta para verificar como aquela determinada operação florestal está em relação aos padrões de certificação referentes àquele tipo de manejo ou de floresta;
2. A certificadora é, então, contratada para fazer uma avaliação completa da área, com objetivo de certificar a unidade de manejo. A certificadora define o escopo, a equipe de avaliação e as fases da auditoria de campo. Antes da avaliação de campo é realizada uma consulta pública para que a certificadora possa colher comentários das populações locais acerca do manejo praticado pelo empreendimento. Na avaliação de campo, a equipe de auditores realiza visitas às áreas de manejo e escritórios, durante as quais são verificados os cumprimentos dos princípios e critérios do FSC.
3. Para ser certificada, a unidade de manejo florestal precisa passar por uma certificação de cadeia de rastreabilidade na unidade de processamento ou beneficiamento da madeira, o que irá garantir o rastreamento do produto desde o campo até sua comercialização. Somente produtos explorados das unidades certificadas podem receber o selo FSC
4. Os auditores elaboram relatórios nos quais constam as pré-condições (pontos que precisam ser resolvidos antes do empreendimento receber a certificação) e as condições (pontos que podem ser resolvidos com o tempo) para o licenciamento da logomarca FSC, e ainda recomendações referentes a alguns pontos da operação florestal que podem ser melhorados. Quando existem pré-condições, a empresa tem um tempo para resolvê-las e convidar novamente a certificadora para uma checagem final. Só então o relatório final da certificadora é analisado por especialistas e se decide liberar ou não a certificação;
5. A certificadora então elabora um resumo sobre o processo de certificação da operação florestal e disponibiliza o documento publicamente;
6. Depois de certificada, a operação florestal recebe anualmente a visita da certificadora responsável pelo licenciamento da logomarca FSC. Em casos de denúncia de irregularidades, a certificadora poderá realizar visitas extras. Além disso, o certificado FSC precisa ser renovado a cada 5 anos quando é realizado um outro processo completo de avaliação.
