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Notícias do Akatu / Consumo Consciente
22/04/2010

“Deixamos de ser público alvo”, afirma Sérgio Meira, especialista em engenharia de software

“Poder do indivíduo na sociedade em rede” foi tema do terceiro debate do ciclo promovido por CPFL Cultura e Akatu sobre consumo e sustentabilidade

Com o advento do mundo em redes virtuais, o poder desse novo indivíduo conectado em rede é o de construir histórias; com isso, o público deixar de ser público alvo, e o consumidor assume um protagonismo jamais experimentado.

Esse é o diagnóstico do professor Sílvio Meira, especialista em engenharia de software e cientista chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), que debateu na última terça-feira (20/4) sobre “O poder do indivíduo na sociedade em rede”.

Assista à apresentação aqui.

A palestra fez parte do ciclo especial de quatro encontros sobre consumo e sustentabilidade “A Transformação do Indivíduo para a Construção da Sociedade Sustentável do Futuro”, promovido pela CPFL Cultura e com curadoria do diretor-presidente do Akatu, Helio Mattar.

“O indivíduo em rede ganhou o poder de contar e construir histórias e não simplesmente ser parte de um público alvo. As redes de produção habilitadas pelas redes de informação podem construir produtos que têm a nossa cara. Podemos programar a rede para fazer coisas para nós”, defende o especialista.

Segundo ele, aí está o poder transformador do consumidor consciente. Que tem nas redes sua força criativa, conscientizadora e mobilizadora multiplicada.

“Imaginem por exemplo, o que se passou na rede no último minuto desta nossa conversa”, diz Meira. “Segundo uma pesquisa recente, em um minuto são postados, na web, 632 posts em blogs; são gastos US$ 10.500 em compras virtuais; são feitos 35 mil twitts no twitter; 700 mil vídeos são vistos no youtube; 3.500 aplicações carregadas em iphones; enviados 150 milhões de emails e feitas 1,5 milhão de buscas no Google”, contabiliza o professor.

“Acompanhei uma pesquisa recente que aponta ser o ‘boca-a-boca’ importantíssimo para 46% dos brasileiros. O que pensa, o que acha, qual a opinião do interlocutor que, para mim, é qualificado? Antes de comprar, ouço as pessoas que, de alguma forma, acho que podem influenciar meu ato”, explica.

O professor destaca que o consumo não se esgota no momento de compra, mas envolve um custo total de propriedade. “Quando consumo, eu compro um problema ou uma solução para dez anos, 25 anos. Imaginem a compra de uma geladeira... de um carro... de uma casa.”

“Em 140 caracteres do Twitter, posso postar uma avaliação péssima de um produto e fazer o link para meu blog, onde detalho todas as minhas críticas. Qualquer um pode. Se essa pessoa goza de reputação na sua rede – e geralmente gente com este perfil mantém redes grandes e várias redes–, imaginem o prejuízo para aquela marca de produto.”

Meira argumenta que, à medida que os consumidores tiverem mais consciência de seu impacto e tiverem a confiança em suas redes de conexão, vão consultar mais sua rede e também opinar mais.

“Na hora de comprar um carro, por exemplo, não vou na rede atrás da informação no site do fabricante, certo? Por óbvio, ele vai falar bem do carro. Vou atrás de um amigo, de um grupo de pessoas que tenham aquele carro. O que acham? como avaliam?”
 
“O que esse indivíduo em rede quer e está atrás?”, questiona. Basicamente, explica Meira, o internauta deseja variedade (“não queremos todos vestir a mesma camiseta”), acolhimento (“participar de uma comunidade”), singularidade (queremos estar em rede, mas sermos únicos”) e conexões (“ter conectividade com o planeta”).
 
Segundo levantamento do Cesar, o centro de estudos que Meira coordena no Recife, a tecnologia de rede pode oferecer hoje conectividade (comunicação, computação e controle), usabilidade (interfaces para incentivar ou não certos comportamentos), portabilidade (a possibilidade de as pessoas terem a rede consigo, carregar o mundo consigo) e sustentabilidade (o que nos torna equilibrados com o mundo ao nosso redor
é a nova onda, pós-revoluções tecnológicas).

“Vejam que o item em comum com o que o sujeito deseja e o que a tecnologia oferece é conectividade”, destaca o pesquisador.
 
Conectividade e informação significa poder. Aí entram as escolhas do consumidor consciente: poder para maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos
ou manter tudo como está.

O debate sobre “O poder do indivíduo na sociedade em rede” foi o terceiro da série, que se encerra na próxima terça-feira (27) com a jornalista Thaís Corral, que é mestra em políticas públicas e presidente do Conselho da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças e vai falar sobre “Mudança é uma questão de cultura (ou um líder em cada esquina)”.

A participação é aberta ao público e gratuita no auditório da CPFL Cultura, em Campinas. Os debates são transmitidos ao vivo pelos sites do Akatu (www.akatu.org.br) e da CPFL Cultura (www.cpflcultura.com.br).
A abertura da série ficou por conta da cientista social e diretora de pesquisa do Centro de Altos Estudos da ESPM, Lívia Barbosa, que abordou o tema “Consumo: por que a gente é assim?”.

“O consumidor e o indivíduo na era da transição”, foi o tema do segundo debate, do qual participou o economista Sérgio Bresserman Vianna, ex-presidente do IBGE.

O ciclo vai compor uma série especial do programa Invenção do Contemporâneo, exibido pela TV Cultura, às segundas-feiras à meia-noite.

Serviço:
Série Invenção do Contemporâneo
Ciclo: “A Transformação do Indivíduo para a Construção da Sociedade Sustentável do Futuro”

Horário: 19h (entrada gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h).
Local: CPFL Cultura (Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1.632, Chácara Primavera, Campinas, SP)
Mais informações: www.cpflcultura.com.br ou fone (19) 3756-8000

Próximo programa
“Mudança é uma questão de cultura (ou um líder em cada esquina)”
Data: 27/04/2010
Debatedora: Thaís Corral, jornalista, mestra em políticas públicas e presidente do Conselho da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças

Programas anteriores
1ª Semana: “Consumo: por que a gente é assim?”
Debatedora: Lívia Barbosa, doutora em antropologia social e diretora de pesquisa do Centro de Altos Estudos da ESPM 
Data: 08/04/2010

2ª Semana: “O consumidor e o indivíduo na era da transição”
Debatedor: Sérgio Besserman Vianna, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro, e ex-presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
Data: 13/04/2010

3ª Semana: “O poder do indivíduo na sociedade em rede”
Debatedor: Silvio Meira, professor de Engenharia de Software e cientista chefe do Cesar (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife).
Data: 20/04/2010