A expansão dos selos verdes
Certificação de produtos atinge locais distantes e artigos inusitados
Novos artigos, alguns inusitados, ganham selo de certificação que garante procedência sustentável da madeira e celulose das quais são fabricados. Um bom exemplo de um processo produtivo capaz de unir sustentabilidade e responsabilidade nos campos social, econômico e ambiental em uma única empreitada, acontece na capital do Amazonas.
Em Manaus, a OELA – Oficina Escola de Lutheria da Amazônia, ONG envolvida, há mais de 15 anos, na profissionalização de jovens carentes da região da floresta, lançou uma linha de produção de instrumentos musicais com selo do FSC – Brasil, Conselho Brasileiro de Manejo Florestal.
São violas caipiras, violões clássicos e de sete cordas, bandolins, cavaquinhos, banjos e guitarras confeccionados pelas mãos de cinco jovens aprendizes supervisionados pelo Mestre Luthier e Secretário Executivo da OELA, Rubens Gomes, e pelo Maestro e Luthier cubano, Raul Lage. A fabricação dos instrumentos utiliza unicamente madeira de espécies amazônicas certificadas. “É um sonho poder contribuir para o desenvolvimento da Amazônia e ajudar a promover a inclusão social numa região tão importante, levando informação e conhecimento”, descreve Gomes, que é fundador do projeto.
Os futuros mestres vêm de famílias carentes da região de Manaus e produzem instrumentos de boa qualidade, ideais para serem utilizados por estudantes universitários e músicos de estúdio. “Os instrumentos estão a 40 ou 50% abaixo (do preço) de um instrumento confeccionado por um Luthier que está iniciando a carreira e são de ótima qualidade”, explica o Mestre Luthier.
O Projeto de formação de Luthier faz parte do Programa Agente Jovem, promovido pelo Governo Federal, com o objetivo de oferecer novas oportunidades profissionais e de inserção social para crianças e jovens entre 15 e 21 anos. No programa, os participantes devem continuar freqüentando a escola regular, enquanto aprendem um novo ofício. Assim, além de ajudar a proteger a Amazônia e oferecer uma opção sustentável para os músicos brasileiros, os instrumentos certificados são garantia de um futuro melhor para os jovens atendidos pela escola. “A idéia é levar a classe artística a refletir sobre o conceito de consumo consciente e boas práticas”, conclui Gomes.
Em média são produzidos 30 instrumentos por mês pelos jovens alunos da ONG. Cada peça sai da oficina com o selo FSC e pode custar entre 800 e 1.500 reais. Como a produção é artesanal e limitada, os instrumentos são muito cobiçados pelos ambientalistas que visitam a região, especialmente os europeus. O próximo passo agora, segundo o Rubens Gomes, é ampliar a produção, trazendo de volta alguns jovens egressos do programa.
Papel higiênico Mas não é só de música e arte que vive o mercado de produtos certificados. No Reino Unido, já é possível encontrar até mesmo papel higiênico com selo de certificado de origem. A importância da certificação por lá levou o braço britânico da organização não-governamental Greenpeace a realizar uma pesquisa sobre a origem da matéria-prima usada na fabricação não apenas do papel higiênico, mas também de lenços de papel e do papel toalha, itens que, apesar de amplamente utilizados nas residências, raramente são avaliados sob olhar da sustentabilidade.
Para orientar o consumo desses produtos nos países do Reino Unido, a ONG produziu e disponibiliza no seu site uma lista com um ranking das marcas consideradas preferíveis graças ao modo como são fabricadas e aos materiais que utilizam. Os produtos melhor classificados são os que usam pelo menos de 50% de fibra reciclada ou possuem o selo FSC.
Quem tiver curiosidade e quiser saber mais sobre o trabalho dos britânicos pode acessar o link, no site do Greenpeace: www.greenpeace.org.uk/blog/forests/is-your-toilet-paper-wiping-away-the-last-remaining-forests-20071016
E para se informar mais ou para comprar os instrumentos certificados, acesse www.oela.org.br ou entre em contato com a OELA pelo e-mail charlene@oela.org.br, ou pelo telefone (92) 3644 5459, em Manaus.
